Economia da Corrupção foi tema de debate no Plaza

 

O Corecon/RS realizou, na noite da última quarta-feira, dia 20, no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, mais uma edição do Economia em Pauta, evento mensal promovido pela Entidade. O tema foi “Economia da Corrupção” e reuniu o economista André Carraro, Doutor em Economia pela Universidade Federal do RS (Ufrgs) e professor adjunto da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e o jornalista Diego Casagrande, da Rádio Bandeirantes e da BandNews FM.

O encontro foi aberto pelo ex-presidente do Corecon/RS, economista Lauro Renck, que agradeceu a participação dos palestrantes e deu boas vindas a todos os presentes, que lotaram a grande sala Acácia, do Hotel.

O professor André Carraro iniciou a sua apresentação lembrando que, no mundo, a corrupção começou a ser estudada de forma mais pragmática, com indicadores de corrupção, a partir do indicador da Transparência Internacional, utilizado em diversos países, como a principal medida de percepção de corrupção nas sociedades, e ressaltou que, no caso brasileiro, o fato se iniciou a partir da criação de um cadastro de projetos de contas irregulares de transferência de recursos do governo federal para estados e municípios, criado recentemente pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Disse que iniciou seus estudos em torno da economia da corrupção em meados de 2001, quando se preparava para o doutorado e o tema ainda era considerado “exótico”, diante de um contexto em que as análises dos economistas estavam centradas em câmbio, inflação, preços e outras variáveis econômicas. Explicou que a sua inquietação, na época, era até que ponto a corrupção prejudicava o crescimento econômico e se o maior ou menor índice de corrupção numa determinada sociedade não poderia ter relação com o nível de pobreza do País. Apresentou uma análise histórica do Brasil nos anos 80, num cenário de inflação e de abertura política, lembrando que, naquele momento, era muito forte a ideia de relação da corrupção com governos autoritários e que a chegada da democratização solucionaria esse problema. “O que aconteceu é que levamos mais de uma década para controlar a inflação e hoje estamos aqui sem saber o que fazer com a corrupção”. Ressaltou a importância de o Banco Mundial ter criado linha de pesquisas voltadas conjuntamente ao combate à pobreza e à corrupção.

Através de dados da Transparência Internacional, o economista apresentou mapas da corrupção nos diferentes continentes, com níveis de indicadores de percepção que variam de zero a 10, de acordo com o nível de corrupção. Disse que a maior incidência é o continente africano, onde se encontram os países com piores indicadores, ao contrário do norte da Europa, onde se encontram os países com menores indicadores de percepção de corrupção, como Noruega, Suécia e Finlândia. No caso da América do Sul, os dois países com melhores indicadores são o Chile e o Uruguai, enquanto a Venezuela aparece com os piores indicadores, seguida de Argentina e Brasil, que se encontra há algum tempo com indicador entre 3.8 e 4.0, considerado um desempenho razoável para o continente. “Esses mapas evidenciam que a corrupção está muito relacionada à existência de governos fracos, que não têm instituições estáveis nem estabilidade política ou civil”, diz. Para o economista, “tratam-se de sociedades em que o governo tolera ou incentiva relações de atividades corruptas entre seus membros e a própria sociedade”.

André Carraro falou, ainda, sobre a importância da transparência e do controle social, e apresentou estudos de diferentes autores e órgãos sobre as estimativas de custos gerados pela corrupção. Reconhece que pode ter superestimado esse índice quando, em 2006, estimou o nível de corrupção de 11,36% do PIB para o ano de 1998 no Brasil, e lembrou que, por outro lado, o último trabalho publicado sobre o tema, em 2016, estimou em 2,79% do PIB, o volume de recursos envolvidos com corrupção, o equivalente a R$ 1 mil por ano, por pessoa. Falou, ainda sobre a corrupção eleitoral, a transparência na gestão pública e qual a melhor estrutura de fiscalização. “O que não ainda não existe consenso dentro dos estudos da economia da corrupção é se ela diminui ou acelera o crescimento”, finalizou o professor.

O jornalista Diego Casagrande iniciou sua apresentação falando à plateia que cresceu ouvindo que o Brasil era um país de ladrões e que, ao longo de seus 23 anos de profissão, jamais esqueceu a passagem do como o condenado britânico Ronald Biggs pelo Brasil, que, nos anos 80, casou e teve um filho com uma bailarina brasileira para escapar da extradição pelos crimes cometidos no país de origem. Através de um mapa da Transparência Internacional, mostra o ranking mundial de Percepção da Corrupção no setor público, que traz a Dinamarca como o país menos corrupto em primeiro lugar, e que coloca a Venezuela em 158º lugar, o Uruguai em 20º, o Chile em 21º, e o Brasil, na 76ª colocação, junto com Bósnia, Burkina Faso, Índia, Tailândia e Tunísia. Explica que, segundo a Transparência Internacional, os países que ocupam as primeiras posições têm características comuns, como altos níveis de liberdade de imprensa, acesso a informação sobre o orçamento, que permite à população acompanhar a utilização dos recursos pelos agentes públicos. “O Brasil é um país que tem muitos problemas e em todas as áreas. E o pior deles é a impunidade, que serve de guarda-chuvas para a corrupção, violência e insegurança”, acrescentou. Lembrou que, em 2014, o Brasil tinha a quarta massa carcerária do mundo, com 607 mil presos, os EUA com 2,2 milhões, a China com 1,6 milhão e a Rússia com 673 mil presos, e que a massa carcerária brasileira deveria ser de, no mínimo o dobro, para se ter mais segurança, “já que os crimes graves cometidos nas ruas de nossas cidades são cometidos por reincidentes”. Apresentou, ainda, manchetes de jornais com os recentes escândalos de corrupção, envolvendo agentes públicos, onde citam valores desviados pela corrupção no Brasil, que podem chegar a R$ 200 bilhões ao ano.

Diego Casagrande elencou as possíveis causas culturais da corrupção no Brasil e criticou o sistema político atual. Ao afirmar que o sistema judiciário “é caro, lento e descomprometido com a sociedade, portanto, conivente com a corrupção”, chamou a atenção para a necessidade de mudanças no processo de definição dos integrantes do Supremo Tribunal Federal, que hoje são escolhidos pelo presidente da República. Disse, ainda, que acredita que o País esteja caminhando na direção do combate à corrupção, principalmente após a decisão do STF, ocorrida em fevereiro último, que determina que a pessoa, condenada em segunda instância, já pode começar a cumprir pena em regime fechado. Outro fato, levantado pelo jornalista, é a recente criação, pela Câmara dos Deputados, da Comissão Especial solicitada pelos procuradores da Lava-Jato, para analisar as medidas contra a corrupção, entre elas a criminalização do enriquecimento ilícito de agentes políticos e o crime hediondo para condenados por corrupção de altos valores.

O jornalista da Bandeirantes finalizou sua manifestação fazendo um apelo para que todos “façamos deste momento difícil e doloroso da vida brasileira, uma grande oportunidade”.


Também participaram desta edição do Economia em Pauta os conselheiros Aristóteles Galvão, Bruno Breyer Caldas, Rogério Tolfo e o ex conselheiro e ex vice-presidente do Corecon/RS, economista Carlos Alberto Abel.

No encerramento das atividades, foi servido um coquetel aos presentes, com a cortesia da Água Mineral Sarandi, Fante/Cordelier e Plaza São Rafael.

Morre colunista do Jornal do Comércio Danilo Ucha


Faleceu, na madrugada de quarta-feira, dia 20, o jornalista gaúcho Danilo Ucha. Aos 72 anos de idade, teve uma parada cardíaca, dormindo em sua residência. Ucha era diabético, hipertenso e já havia passado por cirurgia cardíaca. Ele deixa a mulher Maria Jair Fontoura Mazei, cinco enteados, 11 netos e oito bisnetos.

Com 55 anos de carreira, Ucha escrevia atualmente a coluna “Painel Econômico”, do Jornal do Comércio, dirigia o mensário Jornal da Noite, especializado em arte, cultura, livros, turismo e negócios, que completa 30 anos agora em agosto, e mantinha o blog “Cordeiro e Vinho”. Iniciou sua carreira como repórter no jornal A Plateia, de Livramento, e também passou por veículos, como Rádio Farroupilha AM, Diário de Notícias, Folha da Tarde, Rádio Guaíba, TV Educativa, Zero Hora, Gazeta Mercantil, além das sucursais dos jornais Correio da Manha e O Estado de São Paulo, além de ter produzido um série de reportagens para as revistas Veja, Isto É, e realidade. Foi um dos criadores do diário alternativo Coojornal, que circulou entre 1974 a 1983,.

Ucha e o Corecon/RS
Ao longo de muitos anos, a sua proximidade com os assuntos da economia brasileira e gaúcha, o manteve naturalmente ligado aos economistas do Rio Grande do Sul. Justamente em função, disso, pela importância de sua atividade para a economia do RS, Danilo Ucha recebeu o Prêmio Corecon/RS Jornalista de Economia do Ano, em 2010. 

No ano seguinte, foi convidado pelo Corecon/RS para ser o palestrante, no dia 2 de maio,  da primeira edição do Economia em Pauta, intitulado “O valor da notícia”, oportunidade em que falou sobre as relações da imprensa com a Economia.

Em julho de 2014, Danilo Ucha participou de mais uma edição do Economia em Pauta, que abordou o tema “Avaliação de empresas como ferramenta de negociação”.

A presidente do Corecon/RS, economista Simone Magalhães, lembrou que a última coluna escrita pelo jornalista e publicada no dia seguinte ao seu falecimento, trouxe a última das inúmeras homenagens às atividades da Entidade, quando pautou as participações do economista André Carraro e do jornalista Diego Casagrande, que abordaram a Economia da Corrupção, em mais uma edição do Economia em Pauta. “Foram anos e anos de parceria, através da qual o jornalismo e a Economia se encontravam para orientar e divulgar opiniões e temas do Rio Grande do Sul. Certamente, Ucha deixará uma lacuna na história do jornalismo econômico gaúcho, não apenas para nós economistas, mas para toda a sociedade”, acrescentou.

Fadergs promove Curso de Extensão “Como investir seu dinheiro”


O Curso de Economia da Fadergs está promovendo o Curso de Extensão “Como investir seu dinheiro”. Aberto aos alunos da Faculdade e ao público externo, o Curso abordará opções de investimento, como o caso do Tesouro Direto, que possui rendimentos muito superiores ao da poupança.
As inscrições devem ser feitas pelo link http://www.fadergs.edu.br/eventos

Programação:
Módulo I
INTRODUÇÃO
• O mundo mudou. E sua forma de investir?
• Mitos do mercado financeiro
PLANEJAMENTO FINANCEIRO
• Ganhar dinheiro x acumular riqueza
• Ciclo financeiro
• Juros Simples e juros compostos
• Simulações: taxa, tempo, aplicação e rentabilidades
PERFIL DO INVESTIDOR
• Qual é o seu objetivo de investimento?
• Qual é o seu perfil?
• Simulações
• Conceitos básicos
• Risco x retorno
• Como minimizar riscos?
Módulo II
MERCADO FINANCEIRO
• Sistema financeiro e seus participantes
• Papel dos bancos na economia
• Tomadores x doadores
• Spread bancário
CONHECENDO PRODUTOS DE INVESTIMENTO:
• Renda fixa: Poupança, Títulos Públicos, Debêntures, CDB, LCA, CRI, LCI
• Renda Variável: Ações
Módulo III
FUNDOS DE INVESTIMENTO:
• O que são e como funcionam
• Participantes
• Tributação
• Riscos e curiosidades
• Entendendo os fundos multimercados
• Pesquise sempre: Taxa de administração e taxa de performance
• Comparativos de fundos
• Cuidados na hora de escolher um fundo
PREVIDÊNCIA PRIVADA
• Previdência Complementar
• PGBL e VGBL
• Vantagens
• Tributação
• Simulações

COMUNICADO

Atendendo ao compromisso desta Gestão, previsto no Plano de Trabalho/2016, e honrando os compromissos morais e éticos com a transparência, vimos comunicar que foram abertos processos administrativos (PAD), visando à apuração de possíveis inconsistências envolvendo esta Autarquia.

Informamos, ainda, que as Portarias correspondentes encontram-se publicadas no Site deste Corecon/RS.

Atenciosamente,

Simome Magalhães,

Presidente.

Economia da Corrupção, com André Carraro e Diego Casagrande, nesta quarta, no Plaza

 

O Corecon/RS promove, nesta quarta-feira, dia 20, às 18h30min, no Hotel Plaza São Rafael (Av. Alberto Bins, 514), mais uma edição do Economia em Pauta. O tema, “Economia da Corrupção”, será apresentado pelo economista André Carraro, Doutor em Economia pela Universidade Federal do RS (UFRGS) e professor Adjunto da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e pelo jornalista Diego Casagrande, da Rádio Bandeirantes e da BandNews.

Será fornecido um certificado de 2 horas complementares aos estudantes que participarem do evento.

Na oportunidade, será servido um coquetel aos presentes, com a cortesia da Água Mineral Sarandi, Fante/Cordelier e Plaza São Rafael.

Entrada gratuita!

Informações e reservas pelo fone (51) 3254.2600 ou pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Corecon/RS reafirma a Judiciário gaúcho compromisso com o Cadastro Nacional de Economistas Peritos

 

A presidente do Corecon/RS, economista Simone Magalhães, reuniu-se, na última quarta-feira, dia 6, com a corregedora-Geral de Justiça do RS, desembargadora Iris Helena Medeiros Nogueira. Na oportunidade, também participaram do encontro, no Palácio da Justiça, em Porto Alegre, os Juízes-Corregedores José Luiz Leal Vieira, Leandro Raul Klippel e Daniel Englert Barbosa. Corecon/RS e Corregedoria-Geral de Justiça reuniram-se para discutir a viabilização do Cadastro de Peritos de Economia.

Simone Magalhães agradeceu a disponibilidade da Corregedoria em atender à solicitação da entidade representativa dos economistas gaúchos e falou sobre as principais ações que a Entidade vêm desenvolvendo ao longo deste ano, como os convênios formalizados com a Apimec, Fadergs e outras instituições, assim como as diversas visitas realizadas às principais instituições públicas e privadas do Rio Grande do Sul, com o objetivo de aprimorar a qualificação dos seus registrados e ampliar as oportunidades do mercado de trabalho para a categoria. Falou sobre a Resolução do Cofecon que cria o Cadastro Nacional de Peritos de Economia e Finanças, em atendimento ao Novo Código de Processo Civil brasileiro e relatou os avanços do mercado de trabalho do economista nas diferentes áreas da Perícia.

A presidente do Corecon/RS lembrou, ainda, que, pelo seu conhecimento e formação teórica, o economista tem contribuído de forma significativa na interpretação e análise dos processos judiciais, “com subsídios muito fortes à tomada de decisões dos magistrados gaúchos”. Ressaltou a importância da certificação de qualificação técnica a ser atestado pelo Corecon/RS, com o aval do Conselho Federal. Disse que existe um comprometimento muito forte dentro do Corecon/RS com a preparação e qualificação dos economistas peritos, “para podermos oferecer ao Judiciário o que se tem de melhor em termos de profissionais, fortalecendo, assim, uma área que é tão importante para o governo e para toda a sociedade gaúcha”.

A desembargadora Iris Nogueira agradeceu a visita do Corecon/RS e disse que se sente entusiasmada com a iniciativa da Entidade em trazer um tema de extrema relevância, que é o subsídio técnico ao Judiciário. Afirmou que, pela experiência que possui da época em que atuou como juíza, sabe da importância de o Judiciário poder contar com um banco de profissionais altamente qualificado para auxílio técnico a suas decisões.

Corecon/RS completa 63 anos de atividade

 

O Corecon/RS completa, nesta segunda-feira, dia 11 de julho, 63 anos de sua criação. A data foi comemorada pela presidente Simone Magalhães com um balanço das grandes conquistas da categoria ao longo desse tempo. “É o dia de parabenizarmos nossos cerca 4,5 mil economistas de todo o RS e de lembrarmos, também, a luta e dedicação de cada um dos ex-presidentes e ex-conselheiros do Corecon/RS, que dedicou parte importante de sua vida profissional e pessoal à construção de uma profissão cada vez mais sólida.

O Corecon/RS foi criado pela Lei Federal 1.411, de 13 de agosto de 1951, e fundado oficialmente em 11 de julho de 1953. Entre suas atividades, destaca-se a fiscalização do exercício profissional do Economista, que somente recebe tal titulação através do seu registro junto ao seu Conselho. Enquanto não efetuar o procedimento junto ao Corecon, o profissional é bacharel em Ciências Econômicas, título conferido pelas Universidades, sendo que, nessa condição, não pode assinar ou se intitular como Economista. A não observância do procedimento legal caracteriza exercício ilegal da profissão.

Também é função do Corecon organizar e manter o registro profissional dos Economistas, expedir as carteiras de exercício profissional, fiscalizar o seu exercício e impor e aplicar as penalidades previstas em Lei.

FAHOR realiza Semana Internacional de Engenharia e Economia

 

A Faculdade de Horizontina (FAHOR) promove, de 19 a 21 de outubro a Semana Internacional de Engenharia e Economia FAHOR (SIEF). Trata-se de evento anual realizado pela Faculdade com o intuito de incentivar a produção científica de acadêmicos, professores e profissionais, especialmente os ligados às áreas da engenharia e da economia.

A participação no evento pode ocorrer como ouvinte das palestras e oficinas ou como apresentação oral de artigos, através de trabalhos de pesquisa, revisões de literatura e relatos de atividades de estudos de caso.

As inscrições podem ser feitas através do site http://anaissief.fahor.com.br

Maiores informações pelo fone (55)35377750 ou e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Apimec/Sul promove Curso para Mercado de Capitais


apimec

Com o apoio do Corecon/RS, a Apimec/Sul promove o “XXII Curso de Formação e Aperfeiçoamento de Profissionais para o Mercado de Capitais”. Com 128 horas de duração, o Curso é destinado a profissionais graduados ou cursando graduação, com interesse na área de Mercado de Capitais, e tem como objetivo fornecer aos participantes conteúdos teórico-práticos para o aprimoramento ou ingresso na área. As aulas iniciam dia 5 de agosto e se estendem até o dia 12 de novembro, e serão realizadas às sextas-feiras, das 19h às 22h e aos sábados, das 8h às 12h20min.


Maiores informações na sede da Apimec/Sul, Rua General Câmara, 243, 3º andar, telefone (51)32243121/32246580, pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., ou, ainda, pelo site www.apimecsul.com.br

 

 

Economistas debatem medidas econômicas da administração Temer

 


Os economistas Paulo Costa Fuchs, sócio diretor da FAAST Consultoria inteligente e vice-presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), e Vanessa Neumann Sulzbach, assessora da presidência da Fundação de Economia e Estatística (FEE), foram os palestrantes da última edição do Economia em Pauta, realizada na noite do dia 29, nas dependências do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre. O tema do encontro foi “Uma análise das primeiras medidas da administração Temer”.

abertura

O evento foi aberto pela presidente do Corecon/RS, economista Simone Magalhães, que agradeceu a presença dos palestrantes e elogiou aos demais presentes, que lotaram a Sala Figueira, do Hotel.

Vanessa Sulzbach iniciou sua fala apresentando informações e dados sobre o comportamento do PIB brasileiro a partir do ano de 1990, que demonstram que o Brasil vive um dos piores momentos da sua história econômica recente, com o segundo ano de forte queda do PIB, além de previsões, por parte do Banco Central, de retrocesso de 3,4% da economia para este ano. Explicou que, após a crise de 2009 o País conseguiu, através de algumas medidas anticíclicas, chegar a um crescimento de 7,5%, mas que, naquela ocasião, o governo entendia que essas medidas deveriam permanecer. Explicou que houve uma série de intervenções em diversos setores da economia, como energia elétrica, gasolina, entre outros, provocando desequilíbrio nesses setores, além de intervenções no mercado de câmbio para impedir que a sua desvalorização tivesse efeito sobre a inflação, bastante elevada, e outras políticas que levaram a um sério desequilíbrio fiscal, com elevação dos gastos em período de desaceleração das receitas. Através de gráficos, demonstrou que a média das despesas do governo federal era de 17% do PIB entre os anos de 2007 e 2010, passando para 20% em 2016. “Aumentamos 4 pontos do PIB, ou o equivalente a 80% da arrecadação anual com Imposto de Renda”, ressaltou. Falou do crescimento da dívida pública do País e das dificuldades de o governo federal conseguir saldá-la, o que acabou provocando o rebaixamento de credibilidade internacional, e, consequentemente, mais incertezas no mercado e crise nos níveis de confiança dos consumidores e do empresariado.

Tendo como base a situação nada favorável a que chegou a economia brasileira, a economista da FEE apresentou uma análise das principais medidas adotadas pelo governo interino de Temer. As principais medidas se resumem à retomada do tripé macroeconômico, através de um maior comprometimento do Banco Central com a estabilização, a liberação do mercado de câmbio e o ajuste fiscal, como forma de retomar a credibilidade e tornar o ambiente econômico mais tranquilo, propiciando a retomada de decisões de investimento e de consumo. Entre as medidas fiscais, lembrou a devolução por parte do BNDES de R$ 100 bilhões em ativos ao Tesouro Nacional, o fim do Fundo Soberano Brasileiro (FSB), com devolução de R$ 2 bilhões, Governança dos Fundos de Pensão e das Estatais, criação de um teto para limite dos gastos públicos, além da renegociação das dívidas dos estados. Disse, ainda, que essas medidas não são suficientes para garantirem a sustentabilidade e o desenvolvimento do País e que terão que vir acompanhadas pela discussão da Previdência, da reforma tributária e da questão trabalhista. “Esse é o momento adequado para discutirmos o que queremos para o Brasil”, finalizou.

fuchsO economista Paulo Fuchs iniciou sua apresentação lembrando que possui tradição de pensamento liberal e que falaria sobre as medidas que levam um país a ser desenvolvido, livre e próspero, abordando as iniciativas econômicas do governo Temer e as chances de conseguir ou não atingir seus objetivos. Disse que o principal fator para o desenvolvimento sustentável, na visão da escola austríaca de pensamento econômico seguida por ele, é que, para sair da pobreza e ser desenvolvido a longo prazo, um país, assim como seus cidadãos, precisa acumular capital. Afirmou que é muito difícil o Brasil, com crescimento médio de 2% ou 4% ao ano, conseguir acumular riqueza. “É muito triste um País que precisa acumular riqueza ter um crescimento desse nível. Seria um processo muito lento, que levaria muito tempo para ser alcançado”, disse. Lembrou que, como qualquer funcionário ou empresário, que busca acumular capital e gerar riqueza através da poupança, o mesmo deve acontecer com um país. Ressaltou que o Brasil  tem uma poupança histórica muito baixa, por ser um estado que gasta muito mais do que deveria e torra toda a poupança nacional, elevando, com isso, o custo do dinheiro a ser utilizado para investimento. “No Brasil, 50% da renda nacional é comprometida com o Estado. E o dinheiro não está no nosso bolso porque o governo o desvalorizou através da expansão da base monetária do País”, disse.

Explicou que metade da riqueza criada foi desperdiçada ou colocada em projetos de qualidade duvidosa. “O Estado não é um bom gestor. Por definição, ele não sabe administrar de forma ótima os recursos escassos”, ressaltou, apontando para o corte drástico de gastos como a única maneira de resolver os problemas adquiridos ao longo de décadas de má administração. Criticou o fato de que, no Brasil, ainda se tem a crença de que enfraquecendo a moeda interna se promove a competitividade da indústria e o desenvolvimento da economia. Da mesma forma, responsabilizou a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), criada no governo Getúlio Vargas, como agente penalizador das empresas, responsável por inibir o crescimento econômico e social do País, “já que impossibilita a acumulação de capital também para o trabalhador mais pobre”.

Também estiveram presentes ao encontro o vice-presidente do Corecon/RS, economista Darcy Carvalho dos Santos, os conselheiros Aristóteles Galvão, Bruno Breyer Caldas e Rogério Tolfo, o ex-presidente da Entidade Lauro Renck e o ex-conselheiro Carlos Alberto da Rose Abel.

Após o encontro, foi servido um coquetel aos presentes, com a cortesia da Água Mineral Sarandi, Fante/Cordelier e Plaza São Rafael.

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