Política Monetária na Atualidade

A ciência evolui com o tempo. Isso implica que os procedimentos recomendados para tratar dos problemas evoluem na medida em que o conhecimento científico avança. É assim em todos os campos da ciência. Na medicina, por exemplo, há 30 anos, quando um paciente tinha as artérias entupidas por excesso de colesterol, os médicos recomendavam a colocação de “pontes de safena”. Após alguns anos ficou claro que a veia safena não era adequada para esse fim, pois ela voltava a entupir em um espaço de menos de uma década. Passou-se então a utilizar “pontes da artéria mamária”, essas sim, muito mais resistentes a entupimentos por excesso de colesterol. Mas ainda era necessário abrir o peito do paciente para a implantação de pontes de artéria mamaria, o que implica serrar o externo e parar o coração do paciente, com o estabelecimento de circulação extracorpórea. A medicina evoluiu ainda mais e, atualmente, os entupimentos cardíacos são tratados por um procedimento quase ambulatorial de colocação de “stents”, com a utilização de um cateter inserido pelo braço ou pela virilha.

A mesma evolução de procedimentos, decorrente de um ganho de conhecimento científico, ocorreu no combate à inflação. O procedimento usado para combater a inflação é o que os economistas costumam chamar de política monetária. Até os anos 80, havia muita discussão sobre qual deveria ser a postura de um Banco Central (BC) no combate à inflação. Deveria o BC seguir alguma regra fixa, ou deveria o BC agir com discricionariedade (flexibilidade) escolhendo, a cada momento, um procedimento diferente para controlar a inflação? Essa discussão foi praticamente encerrada, no início dos anos 80, com o artigo seminal de Barro e Gordon (1983). Ficou claro que seguir uma regra de combate à inflação era superior à discricionariedade. Superior no sentido de que o custo para a sociedade em termos de perda de atividade era menor sob regras do que sob discricionariedade. Com regras os BCs conseguiriam melhor resultado, isto é, uma inflação mais baixa com um custo menor em termos de atividade.

Mas o debate não parou aí, pois não estava claro qual era a “regra ótima”. Isto é, qual das possíveis regras a serem seguidas pelo BC poderia manter a inflação baixa gerando o menor custo para a sociedade. Usando o jargão da economia, ficou clara a superioridade de ter uma regra monetária, mas não se sabia ainda qual deveria ser o instrumento a ser usado pelo BC nessa regra. Ao longo dos anos 80 e 90, vários países implementaram diferentes arranjos de política monetária utilizando diferentes instrumentos. Os Estados Unidos usavam a taxa de juros de curto prazo (fed funds) como instrumento de política monetária para satisfazer a regra de “to foster maximum employment and price stability”. Já o BC alemão preferia usar uma regra referente à quantidade de moeda em circulação. A regra do Bundesbank era “pre-announcing targets for the growth in broad money (M3)” e o instrumento de consecução da regra era o controle do agregado monetário M3, que inclui a base monetária, os depósitos a prazo e os títulos públicos de alta liquidez. A dúvida sobre o instrumento consistia, na verdade, em saber se o instrumento a ser usado seria uma quantidade (volume de liquidez) ou um preço (a taxa de juros).

Além dessas duas opções básicas de instrumentos (preço da moeda ou quantidade de moeda), outras formas alternativas de política monetária foram experimentadas na prática por diferentes países. No Brasil, por exemplo, entre 1994 e 1998, o período conhecido como Plano Real, o instrumento de controle da inflação era a taxa de câmbio, que seguia uma regra “quase fixa” em relação ao dólar.

A experimentação prática de diferentes países com esses variados procedimentos de combate à inflação (isso é, diferentes tipos de política monetária) acabou gerando um novo consenso, inicialmente retratado por Taylor (1993) e, posteriormente, formalizado de forma acabada em Woodford (2003): o chamado Sistema de Metas de Inflação (SMI). Atualmente muitos BCs, incluídos aí os BCs dos EUA, da União Europeia, do Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Chile, Colômbia e do Brasil, passaram a usar o SMI. Há uma regra de que a inflação não deve ficar nem muito acima nem muito abaixo (há um intervalo de tolerância) de um certo valor escolhido pela autoridade política do país (no Brasil são 3,25% nesse ano e 3% em 2024). Após essa escolha de uma meta de inflação, a autoridade política deixa a cargo do BC gerenciar a taxa de juros (no Brasil, a Selic) para tentar fazer com que a inflação fique o mais perto possível da meta.

Um elemento chave do SMI é a chamada taxa de juros neutra, também referia como taxa de juros natural ou taxa de juros estrutural. O taxa de juros neutra é aquela taxa de juros real (isso é, descontada a inflação prevista para os próximos 12 meses) que é compatível com a meta estabelecida. Dito de outra forma, é o juro real que, se vigorar atualmente, fará com que a taxa de inflação atinja o valor da meta de inflação no futuro próximo (algo entre 12 e 24 meses). Há diferentes estimativas para o valor do juro real neutro para a economia Brasileira, usualmente no intervalo de 4,0% e 6,0% ao ano.

Da simples definição do que é o juro neutro (aquele que é compatível com a meta de inflação), fica claro que, se a inflação prevista está acima da meta, o juro real presente deverá estar acima do juro neutro, e vice-versa, isto é, se a inflação prevista estiver abaixo da meta, a taxa de juros real deveria ser estabelecida para ficar abaixo do juro neutro. Dizemos que a política monetária é expansionista quando a taxa de juros real está abaixo do juro neutro e, alternativamente, contracionista quando a taxa de juros real estiver acima do juro neutro. Em um exemplo simples, se a meta de inflação é de 3% e o juro neutro é de 5%, a taxa de juros nominal (Selic) de 8% seria a referência para a política monetária. Assim, se o BC espera que a inflação fique acima da meta de 3%, ele terá de estabelecer uma taxa Selic acima de 8%, e vice-versa.

Note que cabe ainda ao BC estabelecer a “dosagem do remédio”. Tomando o exemplo numérico acima, cabe ao BC determinar em quanto a Selic deverá ultrapassar os 8%.  Obviamente o tamanho da “dosagem do remédio” depende das condições concretas em cada momento do tempo. Assim, se a inflação esperada superar em muito a meta, a Selic terá de subir substancialmente acima da taxa neutra. Outra variável relevante para a “dosagem dos juros” é saber o prazo no qual o BC pretende trazer a inflação para a meta. Novamente, no caso concreto do BC do Brasil, esse prazo, anunciado nas atas do Copom, é de 6 trimestres, ou 18 meses. Novamente, quanto mais rápido o BC quiser trazer a inflação para a meta, maior deverá ser a Selic real em relação à taxa neutra.

Os exemplos numéricos acima são todos baseados na ideia de uma meta de inflação 100% crível. Considere agora uma situação em que a credibilidade da meta de inflação é parcial. Ou seja, a meta inflacionária oficial é de 3%, mas os agentes econômicos acreditam que, na verdade, há uma tolerância extra e o BC persegue uma meta de 4%. Para uma mesma taxa de juros neutra de 5%, a Selic nominal compatível com a meta sobre de 8% para 9%. Agora, se o BC realmente quiser trazer a inflação para 3% (a meta oficial), terá de estabelecer uma taxa Selic acima dos 9%. Esse exemplo deixa claro a importância da credibilidade na condução da política monetária. Quando o BC perde credibilidade, o custo em termos de juros de conseguir atingir a meta de inflação fica mais elevado.

Por fim, cabe ainda comentar que a condução da política monetária depende ainda do tamanho do estímulo fiscal que outra agência do governo (o Tesouro Nacional) dá a economia.  Em outras palavras, a política monetária está relacionada à condução da política fiscal. Isso porque o efeito dos juros sobre a atividade e a inflação depende da política fiscal. Novamente, há um efeito aqui sobre a “dosagem do remédio”. O tamanho da diferença entre taxa de juros real e o juro neutro vai depender, como dito anteriormente, da diferença entre a inflação prevista e a meta e do período de tempo no qual o BC pretende fazer essa convergência, mas também do tamanho do estímulo fiscal que está sendo produzido pelo Tesouro Nacional. Assim, se a inflação prevista está acima da meta e, ao mesmo tempo, há um estímulo fiscal, a Selic real terá de ficar mais elevada do que seria o caso na ausência do estímulo fiscal.

O Sistema de Metas de Inflação é um mecanismo de coabitação entre a autoridade política, que representa a sociedade e estabelece dois elementos centrais, a saber, escolhe a meta de inflação e o tamanho do estímulo fiscal, e o BC, a quem cabe determinar uma taxa de juros real que fique, muito ou pouco, acima ou abaixo, do juro neutro, sempre com o objetivo de fazer a inflação prevista convergir para a meta de inflação.

 

Referências

Barro, R.J. and Gordon, D.B. (1983), “Rules, discretion and reputation in a model of monetary policy”, Journal of Monetary Economics, vol. 12, pg. 101-121.

Taylor, J. (1993), “Discretion Versus Policy Rules in Practice”, Carnegie-Rochester Conference Series on Public Policy number 39,  195-214, North-Holland.

Woodford, Michael (2003), Interest and prices: Foundations of a theory of monetary policy, Princeton University Press.

 

Artigo de autoria do professor e economista Marcelo S. Portugal (UFRGS e CNPq).

Turismo gera empregos, rendas e impostos

Não existem empregos para todos. 

Gerar empregos e rendas são desafios em todos países. Os avanços tecnológicos estão exigindo novos perfis profissionais e atividades tradicionais estão sendo eliminadas, com exceções de importantes segmentos de prestadores de serviços com baixo potencial de automação, com a utilização da tecnologia intensiva de mão de obra.

O fenômeno turístico é um destaque para absorver desde o primeiro emprego até os pesquisadores acadêmicos, sobre seu desenvolvimento.

Alguns países já reconhecem a importância estratégica do fenômeno turístico, principalmente o Turismo Receptivo, quando os visitantes chegam às cidades para participarem de eventos; reuniões de negócios e/ou simplesmente, visitarem aspectos geográficos, históricos, culturais, equipamentos e serviços disponíveis nos núcleos receptores.

É simples, assim. Os visitantes são remunerados nas suas cidades e realizam consumos durante suas visitas, gerando receitas para as pessoas físicas e jurídicas prestadoras de serviços ou comerciantes de bens.

É uma “exportação invisível “ já que a imobilidade da oferta turística determina o consumo no local onde o produto foi gerado.

A imobilidade da oferta, a sazonalidade, as inconstâncias dos fluxos de visitantes são estudadas em todo o mundo para definições de Políticas Públicas visando as gerações de empregos, rendas e impostos, encontrados nas utilizações dos verbos transportar, visitar, comer, entreter, comprar e dormir.

São milhões de pessoas que estão vinculadas direta ou indiretamente ao fenômeno turístico.

Algumas como ocupantes de primeiros empregos ou com dificuldades para conseguirem ocupações em outros segmentos, porque as opções na cadeia produtiva do turismo são maiores e podem ser geradas com investimentos menores.

Logo, salvo melhor juízo, o fenômeno turístico pode ser um grande aliado nas decisões públicas e privadas geradoras de empregos encontrados nas agências de viagens, transportadores, meios de hospedagem, organizadores de eventos, restaurantes, bares; como guias de turismo, promotores de turismo, consultores de viagens, profissionais de comunicação e marketing, entre outros que são identificados desde do momento que se decide realizar viagens.

Portanto, sempre existe a expectativa de um melhor tratamento para o desenvolvimento do setor, incluindo afastamentos de políticos incompetentes que exerçam cargos e funções relevantes nos órgãos oficiais de turismo; resgates dos bons resultados alcançados em gestões anteriores; buscas de parcerias com entidades e empresas interessados em compartilharem informações e ações; ouvindo profissionais e investidores indispensáveis para fomento da série de atividades.

Caso não seja realizada a sequência lógica da estruturação da oferta, passando pela qualificação, promoção do destino turístico, apoio à comercialização e avaliação de resultados, os empregos gerados ficam limitados aos apadrinhamentos políticos, ignorando o profissionalismo indispensável para atingirem melhores resultados.

Será? Respeitam-se todas as opiniões contrárias. 

São reflexões. Podem ser úteis. Pensem nisso.

 

Artigo de autoria do economista Abdon Barretto Filho, mestre em Comunicação Social e presidente da ABF - Comunicação e Marketing, publicado no site peloscaminhosdoriogrande.com.br 

Mercosul e o sonho da moeda única

Moeda única é aquela que circula num bloco de países a partir da existência de um mesmo banco central como único emissor autorizado. A adoção de uma única moeda pelos países associados a um determinado bloco visa tornar a atividade empresarial e o investimento no âmbito do bloco mais fácil, mais barato e menos arriscado. Pela facilidade na comparação de preços, a moeda única incentiva o comércio e todos os tipos de investimentos entre os países.

A criação de uma união econômica e monetária foi uma ambição comum da União Europeia desde o final da década de 1960. Para que fosse possível implantar a moeda única no bloco europeu foi necessário vencer uma série de obstáculos políticos e econômicos, desde a falta de vontade política e disputas em matéria de prioridades econômicas a períodos de agitação nos mercados internacionais.

A primeira ideia de adotar uma única moeda no Mercosul partiu do ex-ministro Paulo Guedes, surpreendendo a todos na ocasião com a proposta, visto que o continente sul-americano se caracteriza pelas suas fragilidades institucionais e instabilidade econômica fruto da hegemonia de políticas populistas, o que poderia provocar dificuldades aos países obrigados a cumprir políticas econômicas responsáveis e austeras. Nos primeiros dias de ação dos novos ministros, o tema de uma moeda única para o bloco econômico do Mercosul voltou a ser comentado, já que o tema é um desejo antigo do presidente Lula e do ministro Haddad, que em 2022 publicou um artigo sobre o tópico em parceria com o economista Gabriel Galípodo, futuro secretário-executivo de Haddad.

Na visita de posse de Lula, o embaixador da Argentina no País, Daniel Scioli, teria defendido a ideia com Haddad. O tema, ainda em discussão, dependerá de alguns encontros entre os representantes do bloco Mercosul e talvez de outros países convidados que pleiteiam que a moeda única facilitará os fluxos comerciais e financeiros entre todos os países da América do Sul, o que seria uma estratégia para acelerar o processo de integração regional. Muitas questões, nesse sentido, ainda não têm respostas como, por exemplo, quem emitiria a moeda comum? Lula, nos seus discursos sobre o assunto, afirmou que a responsabilidade da emissão da moeda seria de um banco central sul-americano e que a moeda seria inspirada na URV (Unidade Real de Valor), que ajudou em 1994 a transição entre Cruzeiro Real e o Real.

Apesar de muitos economistas, inclusive liberais, criticarem a ideia da moeda única, a proposta possui argumentos fortes e merece debate mais aprofundado. Deve-se considerar que os países que desejam ingressar na união monetária confluam economicamente para a proposta ter sucesso. As economias dos países da América Latina são extremamente desiguais, com instabilidade macroeconômica, algumas um tanto fechadas para o comércio, mas que poderiam melhorar seus desempenhos adotando regras comuns mais eficientes na inserção do mercado mundial. Foi o que ocorreu na zona do euro quando a moeda comum foi introduzida. Países periféricos como Portugal e Grécia experimentaram um verdadeiro boom econômico, pois vivenciaram forte queda nas taxas de juros, equiparáveis à de países mais sólidos economicamente do bloco, como a Alemanha.

Quem já discute o tema há muito tempo declara que a ideia não deve sair do papel tão cedo e afirma que para avançar é preciso, em primeiro lugar, definir se a moeda única vai valer só para as transações comerciais do bloco ou dentro do Mercosul, como ocorre com o euro. Talvez o caso mais próximo a ser adotado, a princípio entre Brasil e Argentina, seja o "dólar do Caribe Oriental", praticado por oito países, indexado ao dólar com uma taxa de câmbio fixa.

A discussão no Mercosul está no seu início e deverá perdurar por tempo indeterminado em função da complexidade do tema.


Artigo de autoria do Diretor da Associação Comercial de Pelotas (ACP) e ex-conselheiro do Corecon-RS, economista João Carlos Medeiros Madail, publicado no Diário Popular de Pelotas, edição do dia 19/01/23.

Quantos municípios turísticos gaúchos atraem visitantes?

Dos 497 Municípios do Rio Grande do Sul, 371 Municípios são considerados turísticos porque atendem as exigências do Ministério do Turismo do Brasil, com trabalhos realizados entre 1994 a 2001, quando foi iniciado o Programa Nacional de Municipalização do Turismo (PNMT), prevendo uma abordagem comunitária participativa e a formação de Conselhos e Planos de Turismo.

Em abril de 2004, foi lançado o Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil, constituindo-se em uma política pública, a partir do Plano Nacional do Turismo 2003-2007, que determinou como macro programa estruturante a “Estruturação e Diversificação da Oferta Turística".

Os Municípios Turísticos Gaúchos formam 27 Regiões Turísticas. Algumas Regiões e Municípios Turísticos avançaram, principalmente com as parcerias públicas e privadas e as aceitações das Demandas Turísticas.

Observa-se que é fundamental a continuidade dos trabalhos, independentes dos Governantes, demonstrando o interesse da Comunidade, dos empreendedores e empresários locais para atingirem seus objetivos e atraírem visitantes.

A descontinuidade e a falta na promoção e divulgação dos atrativos geográficos, históricos, culturais, serviços e equipamentos prejudicam os empreendedores e empresários qualificados que não recebem visitantes.

Turismo sem Turistas? Algo está errado!

Qual o diagnóstico?

Nas minhas palestras e consultorias no interior, ouço histórias e estórias sobre empreendedores e empresários que acreditam que a Oferta determina a Procura e esquecem as indispensáveis ações nos mercados emissores para atraírem visitante. Muitos não foram alertados sobre o tema e muitos não estão preparados para captarem e manterem visitantes nos seus Munícipios, empresas e entidades.

Sempre esperam que os Governos façam algo e que é improvável, historicamente. Tanto investimento no Planejamento e total falta de investimento na Promoção adequada e inteligente. Às vezes, eventuais reportagens e algumas postagens amadoras. Ausência total da Comunicação Integrada Aplicada e do City Marketing. Esquecem que o fenômeno turístico consegue melhores resultados através da transversalidade com outras áreas e profissionalismo especializado.

Por que a Demanda Turística não reage às clássicas abordagens estratégicas que enriquecem algumas pessoas físicas e jurídicas, criando fantasias e ilusões em um mercado altamente competitivo?
 
Talvez, salvo melhor juízo, para obter melhores resultados deve-se avançar na segmentação e na busca de singularidades capazes de atraírem visitantes em raios de 100, 200, 300 km, via rodoviária e voos regionais. Se não for possível, deve-se diagnosticar alternativas viáveis e rentáveis, eliminando os sonhos impossíveis de abnegados que não conseguem entender a realidade da Economia de Mercado: quem manda é a Demanda.
 
Pode-se imaginar que dos 371 Municípios turísticos pode-se selecionar 27 Destinos Turísticos indutores.
 
Será?
 
Respeitam-se todas as opiniões contrárias. São reflexões. Podem ser úteis. Pensem nisso.
 
Artigo de autoria do economista Abdon Barretto Filho, mestre em Comunicação Social e presidente da ABF - Comunicação e Marketing, publicado no site peloscaminhosdoriogrande.com.br 

Orçamento familiar em debate para 2023

Viver é uma dádiva divina, mas do ponto de vista ecológico, sociológico ou econômico, viver tem um custo, pois pressupõe o uso de diferentes tipos de recursos, seja para produzir alimentos, vestimentas, medicamentos, moradia, instrução, lazer e tantas outras necessidades primárias ou secundárias. Como diz a frase popular que remonta as décadas de 1930 e 1940, "there is no free lunch", ou "não existe essa coisa de almoço grátis", tradução literal que expressa a ideia de que é impossível conseguir algo sem dar nada em troca.

Para muitas pessoas, sejam elas de qualquer classe social, lidar com o dinheiro representa grande dificuldade. Quando se trata de pessoa assalariada, responsável pela manutenção dos familiares com uma única fonte de renda, a dificuldade aumenta quando chegam as contas do aluguel, conta de água, de luz, fatura de cartões, boletos, mercado de alimentos e outros tantos nem sempre previsíveis. Nesse caso e em outros tantos, o importante é criar um orçamento familiar no sentido de organizar a saúde financeira e evitar percalços.

De maneira geral, o orçamento familiar nada mais é do que a organização e o controle de todas as finanças da família. Nele devem ser levadas em consideração todas as despesas da casa, assim como a renda total. Nada melhor para debater com a família a questão orçamentária no início de um novo ano. O planejamento financeiro familiar é fundamental para fazer o melhor uso do dinheiro e não enfrentar dificuldades. Entende-se que a primeira ação a ser colocada em prática é reunir a família que se beneficia diretamente do recurso que a sustenta para que compreendam a importância de criar e seguir um orçamento. Todos podem contribuir com o processo elencando objetivos e definindo metas e traçando estratégias para que o orçamento possa ser cumprido.

Para melhor organização e visualização das ações de gastos, é recomendável que se utilize aplicativos, planilhas do Excel ou, em último caso, cadernos comuns, acessíveis a todos para os registros pontuais de todo o tipo de gasto. De posse da receita advinda da principal fonte ou possíveis complementos, comparada às despesas reais, a família terá a facilidade de rever certos gastos que possam comprometer o orçamento. A primeira experiência com os registros orçamentários proporcionará à família traçar o diagnóstico das suas finanças, promovendo mudanças ou priorizando aquilo que for realmente necessário. Os itens que não possuem tanta necessidade devem ser descartados por um período, até atingir o objetivo final.

Educadores financeiros sugerem que as pessoas priorizem seu controle financeiro a partir da renda líquida que recebem e recomendam: controlar o impulso no uso do cartão de crédito; reduzir luxos, sabendo dosar gastos e aproveitando melhor os ganhos; agir de imediato, não prorrogando iniciativas para o próximo mês e deixando de usufruir da felicidade o mais rápido. Pessoas que conseguem viver dentro dos seus orçamentos são pessoas felizes, têm qualidade de vida, são seguras, conseguem planejar o futuro com entusiasmo.

Existem vários estudos sobre educação financeira disponíveis nas redes sociais ou cursos presenciais recomendados para quem tem dificuldades de lidar melhor com o dinheiro. O dinheiro não é a única possibilidade de conseguir algumas coisas, mas é a possibilidade mais viável para muitas formas de satisfação, e também a mais prática. Com dinheiro você tem a possibilidade de troca imediata por algo que possa lhe trazer realização pessoal. O dinheiro tem a capacidade de mediar a satisfação das necessidades humanas, individuais e sociais, alienadas historicamente ao sistema da apropriação individual da riqueza na sociedade moderna.

Artigo de autoria do Diretor da Associação Comercial de Pelotas (ACP) e ex-conselheiro do Corecon-RS, economista João Carlos Medeiros Madail, publicado no Diário Popular de Pelotas, edição do dia 29/12/22.

Ano novo com esperanças renovadas

 

As esperanças são renovadas em cada ano novo. As promessas são realizadas nas vidas pessoais e profissionais. As variáveis incontroláveis e as variáveis controláveis são diagnosticadas e os resultados dos anos anteriores são analisados, a saber: Quais as conquistas? Quais as decepções? Quais as ações e produções de bens/ou serviços que precisamos eliminar, ampliar, reduzir ou criar? Em primeiro instância, salvo melhor juízo, o verbo adaptar é a grande alternativa para sobreviver. É necessário lembrar que o passado não pode ser modificado, apenas analisado, servindo de base para compreender o presente e para evitar erros no futuro. O novo sempre vem. Às vezes pode construir, ampliar, reduzir, dividir, destruir. Na realidade, a vida é como ela é. Sem juízo de valor. Cada ação tem uma reação e a omissão precisa ser analisada para aceitá-la ou não. São permitidas análises de fatos e/ou suas versões, reconhecendo que, às vezes, não representam as realidades.

Convém salientar que nem sempre alcançamos nossos objetivos. Muitas pessoas querem alcançar o inatingível, incompatível com a possibilidade pessoal e/ou profissional. Entretanto, existem as superações dos objetivos materiais e imateriais que contribuem para a melhoria contínua da sociedade. São identificados as contribuições dos visionários, dos pesquisadores, dos criativos, dos inovadores, dos empreendedores, dos empresários, dos artistas, dos gestores, entre outros profissionais das mais diversas formações acadêmicas e dos políticos. Todos buscam melhorias contínuas para atendimentos das necessidades ilimitadas dos seres humanos.

Na vida pessoal, as escolhas podem determinar os caminhos que foram percorridos, assim como as continuações em busca da felicidade pessoal e do grupo familiar. Na vida profissional, também, as escolhas do passado determinaram as situações atuais e são indispensáveis adaptações para atingirem novos objetivos, principalmente enfrentando os desafios que se apresentam. Na economia de mercado, atender demandas e estruturar oferta visando os atingimentos dos objetivos e das metas para o ano novo são as condições para que as empresas e entidades cumpram seus papéis na sociedade. A cadeia produtiva do fenômeno turístico contribui e pode aumentar a contribuição na geração de emprego, renda, impostos e autoestima do núcleo receptor. Naturalmente, os investidores, gestores e operadores devem buscar suas responsabilidades, seus valores identificados nas suas organizações econômicas com ou sem fins lucrativos, através da Visão, Missão, buscando alternativas para contribuir para o presente e para um futuro melhor para todos. Será? Respeitam-se todas as opiniões contrárias. São reflexões. Podem ser úteis. Feliz e próspero 2023, com saúde e muitas realizações.

 Artigo de autoria do economista Abdon Barretto Filho, mestre em Comunicação Social e presidente da ABF - Comunicação e Marketing, publicado no Correio do Povo, edição de 29 de dezembro de 2020. 

Origem da desigualdade social no Brasil

Que o Brasil é um país extremamente desigual, não há qualquer dúvida, mas nunca foi pior do que se apresenta nos dias atuais. A desigualdade social representa a diferença no padrão de vida e nas condições de acesso a direitos, bens e serviços entre integrantes de uma sociedade. Pode se manifestar de diferentes formas, no âmbito econômico, escolar, profissional, de raça, gênero, orientação sexual, nacionalidade, capacidade étnica, etc.

As duas principais consequências da desigualdade social no Brasil são a pobreza e a miséria. Segundo o IBGE, em novembro de 2020 quase 52 milhões de brasileiros viviam na pobreza e a desigualdade social tem total relação com essa realidade. Não é preciso recorrer a indicadores sociais para vivenciar o crescimento da pobreza em todos os cantos do País. É certo que a pandemia concorreu para o aumento da desigualdade no primeiro trimestre de 2022 e pouco recuperou no decorrer do ano. O número de pessoas que dormem nas calçadas, vasculham lixeiras na esperança de encontrar algum alimento, portam cartazes nos cruzamentos expondo seus desesperos na esperança de ajuda, seja da forma que for, aumenta a cada dia. Nunca se viu tantos apelos nos meios de comunicação pedindo contribuições para entidades que se preocupam em amenizar a fome de milhares de compatriotas, rejeitados ou invisíveis para muitos.

A questão a ser respondida é se o Brasil sempre foi socialmente desigual. Historiadores explicam que a maneira de colonização é o que determina o que a gente é, como vive hoje e o preço que está pagando por se desenvolver com base na escravidão e na grande propriedade. Ao resgatar a história da desigualdade na América do Sul, percebe-se que no início do século 20 o nosso continente era muito parecido com a Europa, mas por lá tudo mudou com certa rapidez. Desta forma, a questão não é só entender os motivos pelos quais a América Latina continua desigual, mas os motivos pelos quais ela continua assim e o que não foi feito para mudar.

É possível que algum líder dos tantos que surgiram na América ou no Brasil não tenha pensado em alguma forma de distribuir a renda entre seus compatriotas. Entretanto, a ação se torna complicada numa sociedade em que uma grande parte da população é submissa, composta por uma desigualdade quantitativa diferente que não pode ser ignorada. Por outro lado, o que não se consegue entender é que mesmo países que, nas mesmas condições que pareciam que não mudariam, conseguiram ser diferentes em 20 anos.

É certo que a desigualdade social tem crescido entre os países desenvolvidos nos últimos 30 anos e reduziu parte do crescimento econômico, mas no Brasil a situação é dramática e não é pior em função de importantes programas de transferência de renda como o Bolsa Família que, segundo o Ipea, já eliminou 15% da pobreza e 25% da extrema pobreza entre os beneficiários e reduziu em 10% a desigualdade de renda no País. Mesmo assim, o que se constata é o aumento da favelização, desigualdade alimentar, falta de saneamento básico, ensino de baixa qualidade, menos formação, desemprego, precariedade na saúde pública e no transporte público. Enquanto isso, os 10% mais ricos no Brasil possuem quase 80% do patrimônio privado do País. A concentração de capital é ainda maior na faixa dos ultra ricos, onde 1% dos mais abastados da população possuía, em 2021, praticamente a metade (48,9%) da riqueza nacional. Nos Estados Unidos o mesmo 1% dos mais ricos detém (35%) da fortuna americana, considerado razoável.

Há um fio de esperança advindo do Banco Mundial que afirma que o momento atual é estratégico para o Brasil, passadas duas crises - a recessão econômica de 2014-2016 e a pandemia - e diante do novo ciclo de políticas públicas prometidas pelo novo governo que começa em 2023. Que sejam urgentes, pois quem tem fome não pode esperar.​

 

Artigo de autoria do conselheiro do Corecon-RS e diretor da Associação Comercial de Pelotas (ACP), economista João Carlos Medeiros Madail, publicado no Diário Popular de Pelotas, edição do dia 29/12/22.

O que esperar para o mercado acionário do Brasil em 2023?

Os mercados financeiros registram ao longo de sua história oscilações de altos e baixos, eventos que nunca deixarão de acontecer uma vez que fazem parte dos ciclos econômicos que acompanhamos periodicamente. Como exemplo temos o crash da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, a crise do subprime nos Estados Unidos em 2008, no qual o Ibovespa teve uma queda de 43,8% no ano e, agora, a crise decorrente da pandemia de Covid-19, com a tentativa de ajuste dos mercados globais aos efeitos na macroeconomia, como o aumento da inflação, taxa de desemprego e de juros etc.

São nessas situações em que o mercado faz suas correções nos preços dos ativos, e pode ser que os ajustes sejam tão drásticos que surgem oportunidades de reversão do mercado para compra de ativos muito desvalorizados. O investimento em ações deve-se ter como premissa básica que a aplicação seja de longo prazo, onde o tempo minimizará os efeitos da volatilidade. Neste ponto surge uma pergunta: Porque muitos investidores perdem dinheiro com suas ações e desistem do mercado? Em muitos casos, são investidores que aplicam de maneira especulativa e no curto prazo, pensando que a Bolsa de Valores é um cassino onde pode-se ganhar dinheiro rapidamente, e, na verdade, não é bem isso. Quando se investe em ações, você está sendo sócio da empresa e será beneficiado com o seu crescimento e resultados futuros. O que todo investidor deve fazer é uma boa análise da empresa em que aplicará seu dinheiro, analisar seu setor e a sua gestão corporativa, utilizando indicadores fundamentalistas e, também, uma análise qualitativa.

Veja que em duas décadas, de 2000 até 2021, o Ibovespa subiu mais de 580% contra 285% da inflação acumulada no mesmo período. Assim, por exemplo, um investidor que tivesse uma carteira com as ações que meramente acompanhassem o desempenho do Ibovespa nesse período, teria uma rentabilidade aproximada de 76,6% no ano.

Atualmente, com a crise econômica global, vemos que o índice das bolsas de valores mundiais caiu drasticamente, e o preço das ações de boas empresas sofreram ajustes além do necessário, mostrando que em 2023 pode ocorrer um processo de reversão da queda, o que abre caminho para a compra de ações muito desvalorizadas.

Tomando como base o indicador mais utilizado mundialmente que é o P/L (Preço/Lucro), e usando como parâmetro o Ibovespa, observa-se que o P/L em agosto de 2022 estava em 7 vezes, ou seja, o preço da ação representa 7 vezes o seu lucro anual. Esse é o menor número desde a crise de 2008, o que significa que o risco implícito no mercado de ações no Brasil está próximo dos maiores níveis da história.

Para exemplificar o investimento de longo prazo, tomamos como base a Petrobras-PETR4 (26/01/2016 - Preço R$ 4,21), Gerdau-GGBR4 (26/01/2016 - Preço R$3,27) e a Randon S.A-RAPT4 (15/02/2016 - Preço R$ 1,74). Estas ações, sem incluir os dividendos, tiveram de retorno, aproximadamente, os respectivos números: 487%, 862% e 392%, tendo como base a data de 09/12/2022.

Afirmar que 2023 é um bom ano para começar a investir em ações de longo prazo, é pensar que houve correções acima da média em ações de boas empresas, e que a economia global converge aos poucos para uma estabilização na taxa de juros a nível mundial, o que impactaria em uma recuperação gradual do crescimento do PIB mundial, assim como uma sinalização positiva para o mercado de ações.

Não devemos esquecer que o investimento em ações é renda variável, o que, por definição, é uma aplicação de risco, mas que pode ser minimizada com um bom planejador financeiro e através de administradores com credibilidade e competência.

 

Artigo de autoria do economista e investidor autônomo, Manoel Gil Costa Soares.

Déficit estrutural do Brasil


O Brasil possui um déficit estrutural de muito difícil solução, porque as maiores despesas estão na área social, onde carências básicas não podem deixar de ser atendidas. Para atendê-las, a Constituição vinculou para a Seguridade Social (Previdência Saúde e Assistência Social), 2/3 da arrecadação tributária, mas a União acaba despendendo 80% de toda sua receita líquida. Restam no final muito pouco recurso livre, o que conduz inexoravelmente ao déficit.

Os gastos primários (sem os juros) passaram de 13,7% do PIB em 1991 para 22,7% em 2021, com leve estabilização com o teto de gastos, mas que, em consequência, deixou de atender áreas fundamentais, como na Educação e na Saúde. A cada ano é despendido uma parcela maior do PIB, que deveria ser o limite.

E isso é reflexo de dois fatores: o PIB baixo e o excesso de gastos. O PIB cresceu apenas 2% ao ano desde 2002, e o de 2022 (se crescer 2,6% neste ano) é o mesmo de 2013. Recentemente ocorreram a grande queda, de 7% de 2015-2016 e a de 3,9% em 2020, causada pela covid.

Pelo lado dos gastos, a Constituição de 1988 criou benefícios suecos com recursos moçambicanos, na linguagem de Roberto Campos. Foram criadas regras por demais permissivas para aposentadorias e pensões, sem as contribuições correspondentes, em muitos casos.

Seguidamente, são ampliadas essas vantagens, muitas vezes para os entes federados cumprirem, mas que acabam no final recaindo sobre a União.

A partir de 1998 foram feitas muitas reformas, culminando com a maior em 2019, que, ainda, deixou intocáveis alguns benefícios, e as grandes mudanças que fez só surtirão maiores efeitos com o passar dos anos.

O resultado disso é que cada governo que entra culpa o anterior, e toma medidas para resolver os reflexos presentes da crise, que cada vez se avoluma mais, refletindo-se na dívida pública, que aumenta para financiar os déficits e conter a inflação também resultante desse processo.

A dívida bruta do setor público alcançou R$ R$ 7 trilhões em 2022, ou 80,3% do PIB, depois de 74,4% em 2019, 88,6% em 2020, com a pandemia, que gerou um déficit fiscal de mais de um trilhão de reais. Nos últimos 15 anos os juros foram, em média, 4,3% do PIB.

A PEC que está sendo discutida atualmente é retrato disso. E, se aprovada como pretendida, aumentará em mais 2,3% do PIB os gastos primários. E assim vai. Até quando só Deus sabe!

Para ler o texto completo, com tabelas e gráficos, clique aqui

Artigo de autoria do economista Darcy Francisco Carvalho dos Santos, especialista em finanças públicas e conselheiro do Corecon-RS, publicado no site financars.com.br  em 5 de dezembro de 2022. 

 

Impactos da Bolsa de Valores na vida das pessoas

Bolsa de Valores é uma instituição que permite a negociação de ações de empresas, além de outros títulos de dívida e derivativos. Em outras palavras, a Bolsa reúne empresas num local virtual onde os investidores encontram as “ações” que desejam adquirir. Isso ocorre na mais perfeita transparência e segurança para quem investe.

É importante que se compreenda que os impactos da Bolsa de Valores influenciam diretamente no desenvolvimento econômico do País e das pessoas. O dinheiro que circula nos investimentos resulta em recursos para que as empresas possam expandir as suas atividades empresariais, seja na aquisição de máquinas, equipamentos, novas construções, abrindo novas filiais, ou seja, contribuindo para a geração de empregos em diversos setores, no aumento da produção e, consequentemente, incentivando o desenvolvimento da economia.

A Bolsa tem sido uma das alternativas para a aplicação de recursos por parte das pessoas nas empresas. Pessoas comuns que dispõem de algumas reservas financeiras podem aplicar e gerar rendas extras para projetos de médio ou longo prazos ou uma forma de previdência privada. Esta instituição tem regras que exigem que as empresas com ações na instituição obedeçam a aspectos sociais, ambientais e de governança, o que atraem não só os investidores, mas a população em geral, atenta a este quesito de transparência no ambiente das organizações, que significa maior respeito ao ambiente e as pessoas. O certo é que, quanto mais desenvolvido o mercado financeiro e a Bolsa de Valores, maiores serão as possibilidades de empregos, salários e a qualidade de vida da população.

O mecanismo de funcionamento da Bolsa se baseia na lei da oferta e da procura. Quando um estrangeiro ingressa no Brasil ele troca seus dólares por reais. Isto faz com que a cotação da moeda estrangeira caia, pois haverá mais dólares disponíveis no mercado. Ele poderá comprar ações na Bolsa com os reais disponíveis, o que provocará a suba das ações. O contrário disso também é verdadeiro, o que explica as oscilações no valor do dólar ou das ações.

Em qualquer ambiente de negócios, a segurança política, jurídica e fiscal é determinante para quem investe. No caso da Bolsa, fatores recentes têm impactado no seu comportamento, como, por exemplo, declarações de lideranças com influência direta na economia do País. O que se viu nos últimos dias foi a reação negativa do mercado às declarações do atual presidente eleito, ao afirmar que o seu governo aumentará gastos públicos. O mercado reagiu imediatamente à declaração. O dólar valorizou, os juros futuros dispararam e o Ibovespa – principal indicador da Bolsa de Valores – caiu assustadoramente. O Ibovespa fechou o dia com uma queda de mais de 3,7%, na casa dos 109.350 pontos (cada ponto equivale a R$ 1, ou seja, se o índice estivesse em cem mil pontos, isso representaria um portfólio de R$ 100 mil de ações negociadas), patamar que não atingia desde 30 de setembro, antes do primeiro turno das eleições presidenciais.

Como os brasileiros têm se interessado cada vez mais por formas alternativas de fazer o dinheiro render, além da tradicional caderneta de poupança que costuma ter rendimento considerado mais baixo, é bom entender o que é a Bolsa de Valores e buscar informações sobre as ferramentas disponíveis no mercado que podem contribuir no processo de investir.

Não há dúvida que a economia influencia a vida de todos, seja você um investidor ou não. Todas as movimentações que ocorrem no contexto econômico têm suas consequências. Investimentos financeiros têm seus riscos, mesmo aqueles conservadores como poupança e títulos públicos, o importante é estar atento aos acontecimentos que envolvem a economia como um todo, ou acontecimentos pontuais provocados por pessoas influentes na política e na economia do País ou mesmo nas turbulências do mercado financeiro mundial.​

 

Artigo de autoria do conselheiro do Corecon-RS e diretor da Associação Comercial de Pelotas (ACP), economista João Carlos Medeiros Madail, publicado no Diário Popular de Pelotas, edição do dia 01/12/22.

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