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A Unicruz e o desenvolvimento rural

prof claudia

 

Cláudia Mera
Professora Unicruz, Coordenadora do Mestrado Profissional em Desenvolvimento Rural/Unicruz

 

Qual a proposta do curso de mestrado profissional de desenvolvimento rural?
O mestrado iniciou em 2012 aqui na Unicruz, e a ideia é que a gente traga profissionais que já estão atuando no mercado e que, aqui dentro da universidade, eles possam desenvolver pesquisas que estejam de acordo com a sua demanda de trabalho. São questões e dificuldades com que se deparam nas suas empresas e que trazem para dentro da universidade para desenvolverem suas pesquisas de dissertação e, assim, aprimorarem a prática da solução de seus problemas no dia a dia profissional.

Qual o público alvo do curso?
Ele é bastante interdisciplinar e, com o passar do tempo, veio alterando seu perfil. No início do curso, predominava a presença de agrônomos e veterinários. Depois, ele foi se abrindo e passou a ser procurado por outras áreas do conhecimento, como economia, contábeis, administração e, mesmo, direito, com a necessidade de os advogados entenderem melhor os contratos agrários, a questão ambiental e peculiaridades do mercado internacional. Temos conseguido conciliar essas necessidades do mercado de trabalho, de forma que nossos mestrandos adquiram conhecimento para levar a suas empresas, a seus clientes, as soluções encontradas na academia. A ideia do curso é essa. E também tem outros casos de pessoas que continuam trabalhando na sua empresa, mas buscam um caminho paralelo na docência do ensino superior.

Essa é uma demanda das empresas da região?
Trata-se de uma demanda principalmente do Alto Jacuí, que é a nossa região. Mas percebemos que em suas últimas edições, o curso tem sido procurado também por profissionais da área técnica de outras regiões, que se dirigem à universidade para aprimorar seus conhecimentos e levar para suas cidades o conhecimento acumulado. Atualmente, temos muitos alunos de outras regiões do estado e, mesmo, de outros estados, que vêm desenvolver seus projetos aqui na universidade para, depois, levarem seu trabalho para ser implementado em seu estado. Como exemplo, engenheiro florestal e biólogo, do estado de Rondônia, que desenvolvem trabalhos com mandioca, agricultura familiar e apicultura, para, também, desenvolver futuramente em suas regiões.

Quais são as linhas de pesquisa oferecidas pelo curso?
As linhas de pesquisa são gestão rural, produção animal e produção vegetal, trabalhadas de forma interdisciplinar na área de concentração em Desenvolvimento Rural Sustentável. A linha em gestão rural enfatiza estudos do mercado agropecuário, das possibilidades de inovação nas cadeias produtivas, estratégias para aumentar o valor agregado dos produtos, buscando contribuir com tomada de decisão dos agentes envolvidos na cadeia produtiva e nos negócios decorrentes da atividade rural. A linha de produção animal contempla o aprimoramento de técnicas e a inovação no manejo dos rebanhos, especialmente nutrição, saúde e bem-estar animal, e no melhoramento genético. Já, na linha de produção vegetal, são desenvolvidas pesquisas de produtos agrícolas tradicionais da região, sobre o cultivo de espécies alternativas, aplicação de biotecnologia e agricultura de precisão. Em todas as linhas de pesquisa priorizam-se técnicas que conciliam o uso dos recursos naturais com o aumento da produção agrícola.

O curso contempla projetos específicos da região do Alto Jacuí?
Temos uma disciplina obrigatória, que trabalha projetos de desenvolvimento do meio rural. Os alunos trazem as demandas dos seus municípios e, depois, elaboramos um diagnóstico lá no município de origem, junto com os agricultores, com o poder público, para priorizarmos os projetos que poderão ser desenvolvidos, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento da região. A partir daí, os alunos voltam para a sala de aula para trabalharem no tema e apresentarem, no final do semestre, o projeto para a comunidade, que, por sua vez, apresenta opções de recursos para financiar e colocar em prática os diferentes projetos.

É a universidade junto com o poder público e a comunidade?
É um compromisso social que a universidade tem junto às comunidades. Em Sarandi, por exemplo, que é um município distante da nossa região, atendemos demandas dos alunos daquela região, onde desenvolvemos um projeto para a construção de um espaço agrícola para os agricultores. Da mesma forma, aqui em Cruz Alta, estamos desenvolvendo um projeto de apicultura, com base em conhecimentos dos nossos docentes, discentes e da comunidade Neste caso, estamos tentando revitalizar uma associação de apicultores que está inativa há algum tempo.