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Seja qual for o seu motivo, faça um mundo com mais Economia.

Em compasso de espera

pedro
 
Pedro Cezar Dutra Fonseca
Economista, professor da UFRGS, ex-presidente Corecon-RS
Corecon-RS Nº 3263

 

 
Como o senhor está vendo o cenário econômico brasileiro nesse período pré-eleitoral?
Não vejo sinais de que haja uma retomada consistente do crescimento. O que acontece é que a economia se estabilizou em patamares baixos. Ocorreu uma recessão, o PIB caiu nos últimos três anos e agora se estabilizou. O que acontece é que, às vezes, por um ou dois meses surgem sinais de melhora em alguns setores, mas logo em seguida percebe-se que eles caem. E isso não é uma retomada consistente. Porque uma retomada consistente tem que ser continuada. Para acontecer uma retomada consistente, ela tem que acontecer de forma continuada e, também, atingir a maioria dos setores da economia. O que vem acontecendo é que, às vezes, os números de alguns setores sobem enquanto outros setores estão caindo. Então isso não é uma retomada de crescimento.

 

E a questão do emprego nesse cenário?
A questão envolvendo os números do emprego então, nem se fala. E é exatamente aí que a situação é mais dramática. Até porque essa lei que flexibilizou o emprego também não ajuda no aparecimento de contratações formais, com carteira assinada. Há uma tendência à informalidade do emprego, o que aguça ainda mais o problema, ficando mais difícil de se verificar eventual retomada do crescimento. Ou seja, a economia não vem apresentando sinais positivos nem na produção e muito menos no emprego. O menos pior de olhar é que pelo menos a recessão não esta se aprofundando como vinha acontecendo até 2017.

 

Então não há perspectiva de melhora em horizonte próximo?
Pelo menos até a eleição não vejo como a economia sair dessa situação. Existe um compasso de espera, tanto do capital estrangeiro como das empresas nacionais, dado o grau de incerteza que está tendo na economia. E, principalmente, por essa ser uma eleição atípica, em que não existe um candidato favorito. Com a possibilidade de que o ex-presidente Lula não irá ocorrer, os demais candidatos não aparecem, diferentemente das outras eleições, quando há seis meses do processo já tínhamos dois ou três candidatos que se sobressaíssem em relação aos demais e com possibilidades concretas de despontarem mais à frente. Algo interessante é que aqueles candidatos que possuem mais tempo de televisão, que seriam do PSDB, do PMDB e do PT, não têm candidatos visíveis.

 

Esses fatores colaboram para o aumento do grau de incertezas?
Esses fatores aumentam o grau de incertezas. Então, não vejo forma de a economia brasileira deslanchar antes da eleição e, mesmo, depois dela, de chegarmos a um quadro de recuperação econômica para o pais.

 

Existe algum quadro de influência externa que possa, senão amenizar, trazer impactos positivos para a economia?
A economia internacional hoje não é quem está puxando a crise brasileira, como aconteceu em 2008, 2009 e 2010, quando a economia mundial estava em refluxo e a economia brasileira sentia esse impacto. Ao contrário, vários países dão sinais de recuperação de suas economistas e mesmo com os EUA acontece isso.

 

Mas a crise dos EUA com a China não pode abrir espaço para ampliação dos mercados brasileiros?
Pode sim, tanto por um lado como pelo outro. Ou seja, tanto a China como os EUA são os principais parceiros comerciais do Brasil. Nessa questão do aço, os EUA querem atingir a China e acabam atingindo a economia brasileira. O Brasil é um grande exportador de commodities para a China, mas os EUA são um parceiro comercial importante porque adquirem do Brasil muitos produtos com grande valor agregado. Então, a importância de o Brasil se manter razoavelmente neutro nessa disputa. Eu me preocuparia muito mais é com a comunidade europeia, cuja onda protecionista está em ascensão, contra diversos produtos, como o frango, carnes, soja, entre outros, na ânsia de proteger produtos locais, que concorrem com os nossos.