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Controle de gastos e o pós-crise

victor

 

Victor de Fraga Sant'Ana

Corecon-RS n°8287
Economista CDL Porto Alegre, Conselheiro Corecon-RS


Quais os principais riscos que as pessoas correm, neste período do ano, de assumirem endividamentos?
O maior risco é que agora, no início do novo ano, ocorre uma série de despesas que podem surpreender as pessoas num momento mais fragilizado, em função da crise. Aqueles que estiverem com as despesas sob controle vão conseguir passar por este momento de forma bem mais traquila. Quem soube se planejar e utilizar o seu 13º salário, por exemplo, certamente estará numa situação mais confortável.

Essa situação mais complicada deve-se aos gastos com presentes de Natal, de férias?
Tudo na verdade. Depende de onde a pessoa gastou o seu dinheiro. Pode ter sido numa compra de Natal um pouco maior, num gasto de férias mal planejado. O importante para a saúde financeira é o planejamento. É saber quanto e como gastar, e quanto guardar para eventuais gastos de emergência.

E agora tem os gastos com material escolar?
Sim. Agora tem os gastos com material escolar, matrículas, IPVA, IPTU, entre outros, que acabam pesando para a classe média como um todo. Todos esses gastos devem estar mais ou menos previstos no orçamento. O consumidor que conseguiu se planejar para as férias e, também, para esse período, que, através de planejamento fez com que esses gastos coubessem no seu orçamento, não vai ter problema.

Como está o nível de inadimplência das pessoas?
Tivemos, a partir do final do ano passado, uma melhora nos níveis de inadimplência em nível de Brasil. É que, de 2014 a 2016, o País enfrentou a pior crise econômica da sua história recente. Foi uma crise não só muito profunda, mas muito intensa. E mais ainda, foi muito intensa para o consumidor, já que houve aumento da taxa de desemprego e diminuiu a renda do trabalhador, acarretando numa queda vertiginosa da confiança do consumidor, algo que, desde a série histórica original da Fundação Getúlio Vargas (FGV) ainda não havia registrado comportamento semelhante. Também, nesse período de crise, o crédito havia ficado muito complicado. Agora a situação é diferente. Percebemos um novo cenário da economia para este ano.

Um cenário mais otimista?
Embora estejamos vivendo uma crise política, está ocorrendo um descolamento do cenário político com o cenário econômico. O ano de 2017 deve fechar com um índice de crescimento do PIB de cerca de 1%, o que é significativo se considerarmos essa violenta crise que passamos nos últimos dois anos. Da mesma forma, temos uma expectativa para 2018 de crescimento do PIB em torno de 2,7%. Lógico que ainda vivemos um cenário de incerteza relativa, decorrente do ano eleitoral. E vai demorar mais alguns meses até que haja uma definição mais clara desse cenário.

E, nesse contexto de incertezas, quais as expectativas em relação ao consumo para o início deste ano?
Estamos vivendo um cenário bem mais otimista para a economia, mas o consumidor tende a ser um pouco mais tímido, mais controlado, com relação aos gastos, e ainda está longe do que se poderia chamar de euforia do consumo. Mas lógico que, com a retomada da confiança no cenário politico, com a economia entrando nos eixos, o consumidor deve certamente retornar ao patamar de consumo do período anterior ao da crise.

O crédito e os juros deverão ser facilitadores nesse processo de recuperação?
Para o consumidor que tem dinheiro guardado e que tem interesse de comprar um bem de maior valor agregado, como um imóvel, por exemplo, e estou falando do ponto de vista de Porto Alegre, é um bom negócio em função dos juros mais baixos, já que a taxa de Selic, que já está baixa, ainda deve cair um pouco mais.

Até que ponto economia e política conseguirão manter-se descoladas uma da outra, nesse período de recuperação?
Nós já estamos vivendo um cenário de descolamento da economia e da política nesse processo de recuperação. Basta olharmos o comportamento e a credibilidade da equipe econômica do governo em relação ao núcleo do próprio governo. Então, existe um descolamento. Claro que toda ação política mais radical que possa a vir a ocorrer, trará algum tipo de impacto na economia. Isso pode acontecer. Quanto mais incerteza tivermos com relação ao que acontecerá no período eleitoral, logicamente acarretará em eventuais impactos à economia. Vimos isso nos fatos do dia 24 de janeiro último, quando ocorreram impactos no mercado e na economia em função de uma determinada ação política. Então, estamos ainda sujeitos a essas oscilações, até porque no Brasil, neste cenário político, fica muito complicado fazer previsões na economia.