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2018, onde economia e eleições se encontram

Lucas Aronne Schifino

 

 

Lucas Aronne Schifino

Economista, Conselheiro eleito Corecon-RS

Qual o cenário econômico é esperado para 2018, ano de eleições no Brasil?
O cenário básico é de recuperação cíclica da economia. No entanto, ele estará sujeito às intempéries, em decorrência de uma corrida eleitoral que, hoje, ainda é cercada por grandes incertezas. Faltando cerca de 10 meses para as eleições, a concentração de intenções de votos nos três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas é mais de 20 pontos percentuais inferior à concentração de intenções que os três principais candidatos tinham na mesma época na última corrida presidencial.

Pode-se esperar um ano sem avanços econômicos para o País?
O grande avanço que poderíamos ter está na reforma da previdência, da qual depende o equilíbrio das contas públicas federais. Anos eleitorais são péssimos para se fazer esse tipo de reforma, pois dependem da aprovação do Congresso Nacional, que já estará com outro foco. É muito difícil formar uma maioria qualificada com a fragmentação que existe no parlamento brasileiro. Especialmente, quando as eleições se aproximam e o poder de coalizão de um governo impopular, com poucas chances de reeleição, vai vencendo seu prazo. Se acontecer, será um grande feito. Fora isso, passar um ano inteiro convivendo com juros e inflação baixas e algum crescimento da economia, depois do que vimos nos últimos anos, também não pode deixar de ser considerado um avanço.

Até que ponto a economia conseguirá se desprender dos fatos políticos esperados para o próximo ano?
Hoje, o conjunto geral de condicionantes da recuperação pela qual está passando a economia brasileira é formado por inflação e câmbio bem comportados, além de juros baixos. Esse quadro é altamente sensível a incertezas políticas. Então, a economia só conseguirá se desprender dos fatos políticos, caso os indicativos dos grupos políticos que sairão vencedores nas eleições - e falo de grupos pois as eleições para o Congresso Nacional também serão fundamentais - não apontem para uma ruptura nesse conjunto de condicionantes.

Que tipo de impacto poderá ocorrer na economia, levando-se em conta tendências ideológicas de candidatos que estiverem liderando as pesquisas?
Os condicionantes que mencionei anates dependem, fundamentalmente, do equilíbrio fiscal no longo prazo. Este, por sua vez, passa por uma mudança nas regras da previdência, que é, de longe, a maior conta do orçamento do governo e estruturalmente deficitária. Portanto, caso haja a iminência de vitória de grupos com tendências ideológicas que ameacem esse equilíbrio fiscal de longo prazo, o bom comportamento de inflação, câmbio e juros não se sustenta, o que prejudica o desempenho da economia.

Que segmentos da economia estarão mais vulneráveis a essas expectativas?
Em um cenário extremo, de elevação mais brusca de juros, todos os segmentos serão prejudicados. Alguma exceção para segmentos exportadores, que se beneficiam diretamente do câmbio depreciado. No caso de um cenário "meio-termo", em que haja riscos para o equilíbrio fiscal de longo prazo, porém com pouco impacto sobre câmbio, inflação e juros, já no ano que vem, acredito que os segmentos mais ligados ao consumo, como varejo, uma parte grande dos serviços e uma parte da indústria, sejam menos vulneráveis. Já, os segmentos ligados ao investimento, como a indústria mais pesada, sofrerão um pouco mais. O consumo tem um caráter mais de curto prazo. Depende menos das perspectivas para um futuro mais longínquo, caso os condicionantes básicos, como crédito e emprego, continuem se recuperando no curto prazo.