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Cenários para o Pólo

MadailJoão Carlos Madail
Economista, conselheiro Corecon-RS
Corecon-RS Nº 3356

Como está a situação do Polo Naval de Rio Grande?
O Polo Naval de Rio Grande foi construído a partir de um projeto político do governo Lula, com o objetivo de recuperação de regiões deprimidas, como a Zona Sul do Estado. O projeto estava previsto para ser desenvolvido em, no mínimo 20 anos, o que exigiu do município investimentos em infraestrutura e serviços para atender as demandas dele advindas. No auge, o projeto chegou a empregar 23 mil pessoas, movimentando o mercado imobiliário, transporte, comércio e serviços, não só no município de Rio Grande, mas em toda a Região Sul. A situação atual é de completa decepção para quem acreditou no projeto, investiu e só acumulou prejuízos. O Polo, formado pelos estaleiros QGI, da Queirós Galvão e Iesa Óleo e Gás, e Rio Grande, da ECOVIX, já paralisados e, posteriormente o EBR, da SOG Óleo e Gás e Toyo Engineering, no município de São José do Norte, cujas construções encerram no primeiro trimestre de 2018.

Porque ocorreu esta situação?
A crise que atingiu diretamente a Petrobras no episódio da Lava-Jato foi decisiva para interrupção do projeto, que não mais recebeu os recursos previstos, promovendo um verdadeiro caos nos negócios, na vida dos trabalhadores e na economia do município de Rio Grande e demais envolvidos de forma direta ou indireta com as ações do projeto. A esperança da retomada foi descartada pelo presidente atual da Petrobras, Pedro Parente, que alegou que a empresa não poderia ser responsável por políticas públicas e que atrasos nas entregas das plataformas e a prática de preços acima dos estipulados nas encomendas, prejudicou sobremaneira a Companhia. Correntes de opinião alegam que a região não estava preparada para desenvolver projeto desta ordem e que precisaria de um prazo mais longo para formar técnicos e empresas capazes de concorrer com o mercado mundial em custos e produtividade.

Quais os impactos dessa crise na economia da região?
Os impactos são extremamente negativos. No auge da execução do projeto chegou-se a empregar 23 mil pessoas. Hoje são apenas dois mil, até o início de 2018 quando deverão ser encerradas as atividades em São José do Norte. Em 2017 a prefeitura do município de Rio Grande deixou de arrecadar entre R$ 60 e R$70 milhões em ISSQN e ICMS, o que representa 10% do orçamento de 2016. As demissões de empregados tiveram repercussão direta no comércio do município porque muita gente foi embora e, quem ficou, perdeu o poder de consumo. Para uma população de 208 mil habitantes, em que 11% dependiam do Polo Naval como fonte de sustento, o desemprego tem gerado frustrações, ausência de perspectivas e, por conseguinte, aumento do índice de criminalidade.

Quais as perspectivas de retomada para o setor?
O porto do Rio Grande é considerado o segundo porto nacional na movimentação de contêiner e o terceiro em cargas totais. Com localização geográfica privilegiada para negócios no Cone Sul, afora suas atividades normais de cargas, acumulou certa experiência na construção de plataformas marítimas e ainda mantém infraestrutura para continuar produzindo, desde que haja interesse da iniciativa privada na produção competitiva de plataformas e assemelhados. Por outro lado, a população da Região Sul aposta na instalação, no município de Rio Grande, de um complexo termelétrico, o que, de certa forma, poderá recuperar parte dos empregos perdido. É possível, por outro lado, segundo opiniões de lideranças empresariais da região, que o Polo Naval de Rio Grande possa ser reativado a partir do novo governo que se instalará no Brasil em 2018, visto que se trata de projeto político com forte apelo social.

O que está faltando para a recuperação, ao menos parcial, das atividades do Setor?
Em se tratando de atividade que envolve pesados recursos, será difícil a retomada apenas com recursos da iniciativa privada. A indústria naval em Rio Grande começou em 2005 e, em uma década, foram investidos cerca de R$ 15 bilhões na construção de estaleiros e plataformas. Partes destes recursos foram desviados pela corrupção. Neste segmento, o Brasil concorre com os asiáticos, que produzem plataformas com custos bem menores, para onde a Petrobras tem direcionado os seus pedidos. É possível, porém, manter atividades de menor porte e custo utilizando as estruturas existentes que requeiram reparos ou outras demandas. Uma parceria público-privada também pode ser uma alternativa para a recuperação da atividade no município do Rio Grande.