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Seja qual for o seu motivo, faça um mundo com mais Economia.

Ainda tem espaço para otimismo na indústria?

andre nunes de nunes

 

André Nunes de Nunes

Economista-Chefe Sistema Fiergs
Corecon-RS Nº 7567

 

 

Como o setor está vendo o cenário político e econômico nacional?
O cenário político e econômico nacional é muito delicado ainda. Se por um lado percebemos que o pior da crise econômica já passou e se tem uma perspectiva de retomada ainda que lenta da atividade, existe muita incerteza vinda do lado político e das finanças públicas. Acreditamos que isso vai continuar sendo um dos principais limitadores para um ciclo de crescimento mais intenso e mais longo, principalmente, dos investimentos.


As reformas que estão se desenhando são suficientes para o retorno da esperança do empresariado de forma que ele volte a investir?
Essas reformas são o mínimo necessário para que se possa chegar até o próximo ciclo econômico, até o próximo governo sem o país quebrar. Essa reforma da previdência não será a última. Teremos que fazer outras, simplesmente por uma questão de equilíbrio financeiro e demográfico. Para o Brasil passar para outro patamar de crescimento são necessárias muitas outras reformas além dessas. Nós precisamos melhorar muito o ambiente de negócios para criar um cenário propício para o empreendedorismo e para o investimento.


Porque o custo operacional da indústria gaúcha é maior que o de outros estados?
Infelizmente, o custo operacional da indústria no Rio Grande do Sul ainda é ligeiramente mais alto na comparação com outros estados. Aqui temos um maior custo com logística, já que a localização geográfica das empresas em relação ao centro mais dinâmico da economia nacional acaba refletindo no custo final das empresas. Há também exigências e impostos mais altos que afetam o custo de produzir aqui.


O setor tem sinalizado positivamente com relação a investimentos?
Realizamos mensalmente sondagens com os empresários da indústria gaúcha e elas nos mostram que o otimismo aumentou. Os industriais estão mais confiantes, principalmente pelas expectativas com relação à economia brasileira. Mas esse otimismo já esteve maior e isso se percebe quando se compara os números do final do ano passado em relação aos atuais. Entretanto, a intensão de investir ainda é bastante baixa. A conjuntura melhorou, mas ainda não há um ambiente para forte crescimento nos investimentos.


Diminuir o tamanho do estado ajudaria na busca da eficiência?
É difícil sabermos qual o tamanho ideal do estado. Essa discussão é polêmica entre os economistas e trata-se de uma escolha que a população faz ao longo dos anos através das urnas. Mas a questão não é puramente de ele ser maior ou menor, mas sim de ele caber dentro dos seus recursos. E, além do equilíbrio, o principal desafio é que ele dê um salto de eficiência. Isso vale para o Rio Grande do Sul e o Brasil. Hoje em dia, o sentimento das pessoas é de que o estado é mínimo. Falta estado para todos. Falta educação, falta segurança, falta saúde. Precisamos de um estado presente naquilo que as pessoas mais demandam e valorizam. Para isso, precisaremos elencar prioridades, o que significa enxugar muito as áreas de presença estatal. Esse enxugamento pode liberar recursos para áreas prioritárias, mas sabemos que só dotar essas áreas de maiores recursos não é suficiente. Precisamos criar a mentalidade da eficiência e da boa prestação de serviços.