slogan

SELO ENEF RGB 01

Seja qual for o seu motivo, faça um mundo com mais Economia.

Brasil, à espera da retomada

ivo

 

Ivo Chermont
Economista-Chefe Grupo Quantitas
Corecon-SP Nº 34965

 


Quais são as expectativas para a economia em 2017?
Achamos que o Brasil deverá ter um crescimento de 0,2% no ano como um todo, na média de 2017 contra a média de 2016, com a economia melhorando ao longo do segundo semestre.

Essa melhora deverá ser puxada por que setores?
Pelos setores mais sensíveis a taxas de juros, principalmente a partir do quarto trimestre, quando tiver mais impacto sobre a atividade econômica. Não podemos esquecer que a economia brasileira sai de um uma base muito baixa, quando contraiu quase 4% por dois anos seguidos e, neste contexto, alguns setores que sofreram mais começam a reverter um pouco as expectativas. O setor agropecuário certamente apresentará resultados muito fortes, a despeito de todos os problemas recentes que tivemos, como o da carne. O setor certamente será muito dinâmico, assim como acho, também, que a indústria começa a se recuperar, por efeito base, já que as questões financeiras melhoraram um pouco, somada ao processo de estoques, que já chegaram a um patamar em que precisam ser recuperados.

Qual o impacto desse escândalo da carne na economia brasileira?
Sinceramente, acho que o impacto para a economia agregada será relativamente pequeno. Para o setor, seguramente será importante porque você começa a aumentar as desconfianças externas. Como dano de imagem, é evidente. E isso pode levar a uma queda de preço da carne brasileira no exterior, já que, durante o processo de negociação, o processo de barganha aumenta para o lado do comprador. Então, o setor pode sofrer um pouco, eventualmente com algum fechamento de fábrica. Mas a economia agregada, em si, terá um impacto pequeno.

Nesse contexto de pequena melhora da economia, como fica o emprego?
O emprego é sempre o último, tanto a piorar como a melhorar. Não podemos esquecer que a taxa de desemprego é construída por dois índices: as pessoas que estão procurando emprego e as que estão fora da força de trabalho e voltam para o mercado, à procura de emprego. É que, na medida em que o processo econômico vai melhorando, as pessoas que se encontravam fora da força de trabalho, ou seja, que, em função do desalento, desistiram da procura de emprego, recomeçam a procurar, incorporando, com isso, uma massa de pessoas às que já estavam procurando emprego antes. Isso faz com que a taxa de desemprego aumente, mesmo num momento em que a economia está melhorando. Então, é absolutamente natural que a taxa de desemprego demore sempre a ceder e é necessário que a economia melhore ainda mais para absorver todas essas pessoas. Acreditamos que o desemprego ainda continue subindo até chegar a algo como 13,5% ou 14% até meados do ano, estabilizando-se por alguns meses, em função dessas pessoas que estão voltando para a força de trabalho, e começando a ceder a partir do quarto trimestre. E é claro eu, quanto mais a taxa de desemprego começa a melhorar, mais pessoas voltam a procurar, especialmente os jovens que anualmente passam a ser incorporados pelo mercado de trabalho.

E o efeito Trump na economia brasileira?
Confesso que já estive mais preocupado. O Trump veio com uma campanha bem agressiva, que sugeria que nossa moeda poderia sofrer, protecionismo, excesso de estímulo numa economia que já vem andando bem, o que poderia levar a uma elevação mais rápida das taxas de juros e uma consequente desvalorização da nossa moeda, enfim. Mas penso que a realidade falou mais alto e as instituições nos EUA funcionaram. Trump tentou a política de imigração, a justiça barrou. Tentou os projetos de banir o programa de saúde de Obama e os próprios republicanos ainda estão discutindo sem chegar a grandes conclusões. A reforma tributária que ele pretendia fazer, os republicanos também estão discutindo. Então, as instituições norte-americanas colocaram um cerco. E quando falamos, no Brasil, em termos instituições fortes é por causa disso. Não ficar refém ou dependente da cabeça de uma pessoa. Hoje estou um pouco menos preocupado e acho que o Trump tem muito problemas para se preocupar e, certamente, o Brasil não é um deles, até porque a relação da balança comercial dos EUA com o Brasil é de superávit.