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Recursos do FGTS e impactos no comércio


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Victor de Fraga Sant'Ana
Corecon-RS n° 8287
Conselheiro do Corecon-RS, Economista da CDL Porto Alegre

 

Qual o montante de recursos oriundos das contas inativas do FGTS que estará sendo liberado para o Rio Grande do Sul e o Brasil?
Segundo a Caixa Econômica Federal, R$ 43,6 bilhões de contas inativas estarão disponíveis para serem sacados este ano, a partir do mês de março. Desse montante, a Caixa estima que R$ 30 bilhões serão sacados de fato. Não há dados oficiais sobre o somatório de contas no estado ou na capital.

Que tipo de expectativa essa medida está levando ao comércio?
Na situação de recessão em que o país se encontra, esses bilhões de reais que devem entrar na economia nacional serão importantes para a recuperação de famílias que hoje estão com dívidas decorrentes do desemprego. Este foi o maior motivo para a geração de inadimplência no ano passado no país, segundo dados da Boa Vista Serviços (BVS/SCPC). Com essa injeção de recursos, uma boa parte deve ser utilizado para consumo direto, mesmo após a quitação de dívidas em atraso.

Isso pode trazer impactos positivos em termos de contratação de mão de obra no setor?
É difícil precisar o impacto dessa medida no nível de emprego, dado a situação na qual o país se encontra. Como a liberação das contas inativas não será uma medida recorrente, a influência dela sobre o mercado deverá ser de curto ou médio prazo e sem influências diretas sobre o mercado de trabalho. Porém, essa medida pode fazer com que a recuperação da economia ocorra mais rapidamente, o que aceleraria também a recuperação do nível de emprego.

Esses resultados são transitórios ou podem mudar positivamente a realidade de dificuldades por que vem passando o setor?
Em parte, a liberação dos inativos do FGTS deve ser vista como um ato com efeitos transitórios, já que corresponde a uma quantidade limitada de renda sendo liberado apenas este ano. No entanto, nos aproximamos de um momento de recuperação da economia, que pode ser adiantado por essa medida do governo.

Quais as expectativas do comércio em relação a mudanças mais estruturais que vêm sendo adotadas pela área econômica do governo Temer?
Mudanças estruturais que facilitem a relação do varejista com seus funcionários e os consumidores são sempre bem vindas. No final do ano passado, foi permitido que o comércio cobre valores diferentes de acordo com o meio de pagamento escolhido pelo cliente. Essa mudança é muito positiva, já que meios de pagamento diferentes geram custos diferentes aos lojistas. Com essa permissão, ganham o lojista e o consumidor, por poderem realizar as transações comerciais com o preço melhor para ambos.

 

Foto: Karen Horn