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A racionalidade na tomada de decisão

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Ingrid Rafaele Rodrigues Leiria
Corecon-RS Nº 8383
Economista, 1º Lugar “Prêmio Corecon-RS 2016” Monografias ou Trabalhos de Conclusão de Curso

 


Sobre o que trata o trabalho “A racionalidade na tomada de decisão: um experimento para avaliar o efeito de cenários econômicos da decisão dos eleitores em uma eleição presidencial”?
O trabalho busca, através do método experimental, analisar o impacto dos cenários econômicos nas decisões de voto dos eleitores em uma eleição presidencial. A pesquisa procurou explorar os pressupostos políticos e econômicos da racionalidade na tomada de decisão, fundamentando não apenas as contribuições das Ciências Econômicas, mas também das Ciências Políticas, referentes ao processo de votação e as principais variáveis presentes no processo decisório dos agentes. A pesquisa obteve a participação de 446 alunos da Escola de Gestão e Negócios da Unisinos e contou com três procedimentos distintos, sendo o “procedimento 1” sem comunicação, o “procedimento 2” com comunicação apenas entre participantes, e o “procedimento 3” com total comunicação entre os participantes e candidatos. Também foram previamente elaborados os cenários econômicos e os discursos dos candidatos, a fim de realizar todos os procedimentos de forma padronizada.

Por que a escolha deste tema?
Devido a minha curiosidade em buscar entender de maneira mais detalhada a Economia Comportamental e o Método Experimental, sendo que ambos os assuntos tem ganhado força na área econômica a partir da segunda metade do século XX, ocasionando o Nobel de Economia para Daniel Kahneman em 2002. Meu interesse surgiu devido a constantes questionamentos que possuía e ainda possuo sob a Teoria Econômica Tradicional, pois acredito que há outras alternativas que possam explicar de maneira mensurável e clara o comportamento dos agentes tomadores de decisão. Como tinha por objetivo desenvolver um projeto diferenciado, que saísse do laboratório e tivesse alguma interação com os agentes, após algumas discussões referente a Economia Comportamental e ao Método Experimental, eu e Prof. Dr. Tiago Wickstrom Alves chegamos ao desenho do experimento desta pesquisa.

Qual o impacto dos cenários econômicos nas decisões de voto dos eleitores em uma eleição presidencial?
O cenário que foi apresentado aos participantes continha indicadores econômicos, como taxa de câmbio, inflação, crescimento da dívida pública com relação ao PIB, taxa básica de juros, crescimento do PIB e taxa de desemprego. A ideia era que, a partir dos cenários apresentados, os participantes pudessem distinguir de forma racional qual a melhor política a ser aplicada para a economia daquele país. A partir dos resultados, foi possível testar a hipótese de tendência à aversão à perda, que especifica que as pessoas são mais suscetíveis a perdas que aos ganhos. No caso do experimento, a perda se daria pela escolha da proposta 2, tida como a pessimista, pois a mesma enfatizava que o cenário não era favorável, necessitaria de ajustes de curto prazo e que os benefícios desta política só seriam sentidos no médio e longo prazo. Portanto, era de se esperar que os eleitores refutassem essa proposta. No entanto, ela obteve a maior concentração de votos, sendo possível verificar que em sua maioria, os alunos utilizaram do modelo racional de tomada de decisão para sua escolha.

Por que o homem e a mulher possuem análises distintas ao formarem sua decisão no momento do voto?
A identificação de gênero não era um dos objetivos da pesquisa. Devido a isso, não saberia dizer qual a análise realizada entre gêneros votantes ao formarem sua decisão. É algo que poderia ser realizado em uma pesquisa futura. No entanto, com relação ao gênero dos candidatos, um dado que identificamos foi a diferença na aceitação das propostas vindas de candidatos do gênero masculino e do gênero feminino. De acordo com uma análise preliminar dos dados, as propostas tidas como positivas eram melhor aceitas quando defendidas pelo gênero feminino.

Qual a constatação do trabalho?
Através da participação dos 446 alunos, identificamos a presença de shortcuts na tomada de decisão quando utilizamos o procedimento que não permitia comunicação entre os participantes. E quando permitíamos a comunicação entre os participantes, identificamos que a decisão em grupo poderia levar a decisões menos embasadas, ou seja, irracionais. Isto ocorre, já que pode haver falhas em avaliar o risco de uma alternativa selecionada, podendo ainda restringir o pensamento crítico dos membros do grupo, de uma maneira que as opções mais fáceis sejam as preferíveis. Já, quando utilizamos a comunicação entre candidatos e eleitores, identificamos um maior nível de racionalidade nas decisões. Os participantes são instigados a serem mais críticos na medida em que aumenta o nível de informações disponíveis para a tomada de decisão. Também analisamos o comportamento das turmas na pesquisa, quando houve a oportunidade de questionamento aos candidatos, através doprocedimento 3, em que nem todas as turmas questionaram. Tendo em vista que na Teoria das Decisões Racionais é sustentado que os tomadores de decisão sempre buscarão por informações relevantes antes de decidirem por algo, ou seja, a possibilidade de questionamento do grupo em um experimento, sendo a mesma não utilizada, indica que os agentes nem sempre buscam compreender melhor o assunto ou sanar dúvidas antes de uma tomada de decisão.