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Queda crescente, mas em ritmo menor

roberto rocha

 

Roberto Rocha

Economista, pesquisador da FEE
Corecon/RS Nº 6788

 


Como tem se comportado o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul?
No segundo trimestre deste ano, o PIB do RS teve uma redução de 3,1% em relação ao mesmo período de 2015. Pelos números que temos verificado, a queda mais brusca ocorreu no segundo semestre do ano passado. A partir daí, embora a economia continue caindo, esse processo vem ocorrendo num ritmo menor. A agropecuária diminuiu 0,8%, a indústria teve retração de 2,5% e os serviços reduziram-se em 2%. Cabe salientar que todas as grandes atividades do estado tiveram redução menor que a brasileira.

Quais foram os destaques positivos nesse resultado?
O destaque positivo foi no setor industrial, que apresentou um crescimento modesto, mas bastante significativo, da construção civil, setor considerado muito importante pela sua capacidade de geração de empregos e seu peso na estrutura econômica do estado. Da mesma forma, houve crescimento de alguns setores da indústria de transformação, principalmente os segmentos ligados aos setores exportadores, que cresceram 13,5% em volume. A atividade de celulose continua sendo a de maior crescimento, com taxa de 69,5%, explicado pela ampliação da planta da Celulose Rio-Grandense. Também o setor de calçados teve um crescimento significativo do volume exportado, de 5,7%, além do crescimento de 8,1% da metalurgia. O resultado da indústria de transformação gaúcha poderia ter tido uma queda ainda menor se não fosse a diminuição da produção de derivados de petróleo decorrente da realização de serviços de manutenção da Refinaria Alberto Pasqualini. Então, o que se vê é uma economia ainda muito débil, principalmente pela sua alta dependência da economia nacional, já que a maior parte de nossos recursos advém da venda de produtos para o resto do País, com um mercado interno nacional ainda restrito devido a reduções de renda e dificuldades de acesso ao crédito. Portanto, se a economia brasileira ainda está patinando, o RS sente dificuldades de retomar o caminho do crescimento. O que tem ocorrido de recuperação tem vindo dessa melhora da exportação, cuja base estava muito baixa.

Quais os destaques negativos?
Foram os produtos do fumo, que apresentaram retração de 24,6%, e derivados de petróleo, com queda de 19%.

Essa melhora da exportação gaúcha deve-se a volume ou câmbio?
Ao que parece, temos dois fatores. No setor de calçados, certamente esse comportamento é reflexo de um aumento de competitividade, em função da desvalorização da moeda, que ocorreu até o primeiro semestre. Neste momento já estamos num processo de valorização da moeda, mas não se sabe ainda como isso vai impactar nos próximos meses, ou se esse crescimento da exportação do calçado irá continuar. Já, no caso da celulose, esse comportamento se deve ao próprio aumento da oferta, na medida em que foi ampliada a capacidade produtiva desse segmento. A metalurgia básica também teve um bom comportamento, no que diz respeito às exportações, nesse segundo trimestre. A questão é vermos se esses fatores irão mesmo se manter nesse ritmo ao longo do ano, dado que o câmbio vem sofrendo um processo de valorização.

Qual a tendência se continuar o cenário atual?
Me parece que esforço de exportação vai se manter, embora não saibamos se ele vai continuar em função da mudança do patamar do câmbio, e isso vamos ter que esperar para verificar. A expectativa é que, pelo fato de o Rio Grande do Sul ser uma economia mais exportadora que a média do País, deve ocorrer uma queda de desempenho neste ano, embora em níveis menores que o resto do Brasil, já que a exportação puxa um pouco mais a economia gaúcha do que puxa a economia do País.

Essa desaceleração tem sido crescente ou ocorreram picos de estagnação?
A economia gaúcha está, desde o segundo trimestre de 2014, num processo de desaceleração. Os números apontam forte aumento da desaceleração no primeiro trimestre de 2015, que chega a seu ápice no segundo semestre do ano passado, quando os efeitos de todos os fatores que provocaram a desaceleração das variáveis envolvidas se acumularam. A partir deste ano, percebe-se que as quedas estão se desacelerando, ou seja, continuam caindo. Não chegamos ainda no fundo do poço, mas estamos nos dirigindo pra lá, em menor velocidade. O problema de prever uma retomada é que fatores que determinam o crescimento, que é o crescimento da renda nacional, aumento da exportação, política de gasto público e investimentos, não apresentam um cenário firme de crescimento. Existem as expectativas, que são as concessões, parcerias que o governo federal pode vir a retomar, mas ainda são muito pontuais e demorarão certo tempo para impactar as atividades.

Promessas de reaquecimento de alguns setores da economia, como o pólo naval de Rio Grande, pode trazer alívio?
Os números relativos ao Porto de Rio Grande tinham caído muito em 2014 e 2015, em função da desaceleração e do fluxo de pagamento da Petrobrás às empresas que estavam operando no local. Com essa retomada, vai depender muito da política industrial de compras da Petrobrás. Lógico que é positivo o fato de o governo ter feito novas encomendas e voltar a contratar os serviços daquela região, porque era uma crise bem aguda, em um setor que se estruturou a partir de 2008 e 2009.

Como está o Rio Grande do Sul no ranking brasileiro?
Em 2013, o Rio Grande do Sul era a quinta maior economia, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Até 2012 éramos a quarta. Em 2013, a diferença era muito pequena e em 2014 pode ser que se retome aquela posição, já que no final de novembro é que teremos os novos números nacionais. No ranking das exportações, o RS ocupa até agosto de 2016 terceira posição, atrás de São Paulo e Minas Gerais.