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A força da agropecuária no RS

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Rodrigo Feix
Economista, pesquisador da FEE
Corecon/RS Nº 7851

 

Qual a importância da agropecuária para a economia gaúcha?
A agropecuária contribui com aproximadamente 10% do valor adicionado bruto do Rio Grande do Sul. Nossa dependência em relação a esse setor é muito superior à brasileira, que é de 5%. Em termos regionais, a agropecuária é fundamental para a dinâmica econômica de muitos municípios. Em 147 municípios gaúchos, a agropecuária é a principal atividade econômica, superando a indústria e os serviços. Essa importância majorada da agropecuária ocorre com maior frequência entre os municípios com menos de cinco mil habitantes. A agropecuária também se interliga com setores fornecedores de insumos, máquinas e implementos, assistência técnica e financiamento (segmento "antes da porteira") e com setores responsáveis pelo processamento e pela distribuição da produção agropecuária (segmento "depois da porteira"). Em larga medida, o desempenho do conjunto dessas atividades, conhecidas por agronegócio, determina a dinâmica econômica gaúcha. Mais de 30% do valor da produção da indústria de transformação do estado pode ser atribuído às atividades características do agronegócio.

Quais os principais segmentos da agropecuária do RS?
Na composição do valor bruto da produção agropecuária do RS, destacam-se as culturas agrícolas da soja, do arroz, do milho e do fumo. Os principais produtos da pecuária são frango, bovinos, leite e suínos. Se considerados em conjunto, os 10 principais produtos agropecuários contribuem com mais de 90% do VBP do setor no Estado.

Qual a composição atual da agricultura familiar na agropecuária do RS?
Em razão da não atualização do Censo Agropecuário pelo IBGE, realizado pela última vez em 2006, há uma carência de informações recentes sobre a agricultura familiar. Contudo, os agricultores familiares continuam contribuindo com a maior parcela da produção de fumo, leite, aves e suínos. Segundo o Censo Agropecuário, o pessoal ocupado na agricultura familiar se aproximava de um milhão. Refletindo o processo histórico de ocupação do território gaúcho e a atual estrutura fundiária, os agricultores familiares gaúchos estão concentrados nas mesorregiões Noroeste e Centro-Oriental. As microrregiões com maior número de estabelecimentos familiares são as de Santa Cruz do Sul, Frederico Westphalen, Lajeado-Estrela, Pelotas e Três Passos.

O que representa o cooperativismo na estrutura da agropecuária do RS?
A cooperação é um traço característico da atividade agropecuária, principalmente entre os pequenos agricultores. Uma parcela expressiva dos agricultores gaúchos está organizada em cooperativas. Segundo a OCERGS, em 2015 havia 132 cooperativas agropecuárias no Estado, que contavam com mais de 327 mil associados e empregavam 33,3 mil pessoas. As cooperativas agropecuárias são compostas por produtores rurais, familiares e não familiares, cujos meios de produção pertencem aos próprios associados, os quais se unem para auferir ganhos na operação em conjunto de suas atividades. Essas cooperativas exercem diversas atividades, que vão desde a aquisição e comercialização de insumos, até a originação, industrialização e comercialização de produtos agroindustriais. Segundo a OCERGS, as cooperativas agropecuárias receberam aproximadamente 45% do leite e da soja produzidos no RS.

Como está a indústria de máquinas e implementos agrícolas?
Após ter alcançado o maior nível histórico em 2013, os investimentos dos agricultores brasileiros em bens de capital foi gravemente reduzido e isso afetou a indústria de máquinas e implementos agrícolas. A deterioração das condições de crédito, a elevação dos custos de produção e a maior incerteza quanto à receita futura da atividade, como oscilações no câmbio e nos preços externos, contribuíram para criar um ambiente menos favorável à expansão da frota agrícola. O endividamento dos produtores, principalmente daqueles que investiram nos anos anteriores, e o conturbado quadro econômico e político no País são outros motivos comumente referidos para explicar a queda nas compras de máquinas e implementos no período recente. No Rio Grande do Sul, os efeitos da menor disposição ao investimento pelos agricultores brasileiros são percebidos no desempenho da indústria de máquinas e equipamentos. Depois de recuar 4,8% em 2014, a produção física apresentou queda ainda maior em 2015, equivalente a 26,3%. Desde agosto de 2014, o setor de fabricação de tratores, máquinas e equipamentos agropecuários registra saldo negativo de empregos no Estado. No acumulado desses 23 meses, foram perdidos 8.135 empregos com carteira assinada, o que equivale a uma queda de 26,6% no contingente de trabalhadores. Em se tratando de projeções de curto prazo para essa indústria, há sinais de ligeira melhoria nas condições de mercado. Os produtores agropecuários brasileiros iniciaram o ano com mais disposição em investir. Essa melhoria recente deve-se principalmente a uma combinação entre os bons preços das commodities agrícolas e a percepção de recuperação da economia brasileira. Uma visão mais positiva a respeito das condições gerais do País impulsionou o avanço nos índices de confiança, tanto dos produtores agropecuários quanto das indústrias dos segmentos “antes” e “depois” da porteira.