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Perspectivas econômicas com o novo Governo

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Marcelo Portugal
Economista, professor da UFRGS
Corecon nº 7760

 

Como é que o senhor vê as perspectivas para a economia brasileira agora com o governo Temer?

Nós demos um passo significativo em relação ao governo anterior, da presidente Dilma. O governo Dilma tinha uma visão errada do ponto de vista econômico. Estava andando na direção errada. Tinha uma política equivocada de combate à inflação, baseada em controle de preços. Tinha uma política fiscal equivocada, que estava explodindo o tamanho da dívida pública no Brasil. E nós tínhamos uma total incapacidade de articulação política que permitisse mudar tudo isso. O governo estava na direção errada e não tinha como politicamente implementar qualquer tipo de mudança.

E o que mudou, professor?

É que parece, com as declarações do ministro da fazenda do governo Temer, que agora eles se deram conta sobre o que deve ser feito, que é reajustar as contas públicas e combater a inflação. Porque não se sabe ao certo se o novo governo terá ou não respaldo do Congresso para fazer isso. Então melhorou no sentido de que pelo menos agora nós temos uma direção para andar. Resta saber se vamos conseguir andar nessa direção, porque tudo o que o governo Temer tem que fazer hoje depende de aprovação no Congresso. A Reforma da Previdência, a PEC do teto, tudo isso depende de ser aprovado pelo Congresso Nacional. Então, eu diria que sou moderadamente otimista. Sou otimista porque a gente se deu conta da origem do problema e quer corrigi-lo. Agora, temos que saber se realmente vamos conseguir corrigir.

E o otimismo da economia, vamos sentir imediatamente ou ainda vai levar algum tempo?

Acho que temos alguns indicadores de melhoria de confiança. Se oobservarmos, melhorou a confiança dos consumidores, melhorou a confiança dos empresários, a bolsa subiu muito, o dólar esta caindo, enfim, uma série de indicadores que apontam para uma maior confiança desse governo em relação ao governo anterior. Ou seja, a gente estava numa nau sem rumo e agora temos rumo. Só que, para essa expectativa se transformar em alguma coisa mais concreta, o governo tem que entregar resultados, do ponto de vista de aprovação de medidas no Congresso Nacional, em especial no que diz respeito ao ajuste das contas públicas.

A divisão da bancada governista, no dia da votação do Senado, pode ser indicativo que o governo não tinha tanta força como imaginava ter e isso pode acarretar em alguma consequência menos positiva?

Sim, podemos interpretar aquilo como um sinal de desunião. Em geral, as pessoas combinam antes de fazer as coisas. Num governo que tem uma base sólida, a base combina antes de tomar alguma atitude. Aquilo que apareceu lá no Senado, na segunda parte da votação, é que um grupo, sem combinar com o outro, tomou uma atitude favorável à nova oposição. De certa forma, é preocupante. Se isso é pontual e não vai nunca acontecer novamente, então está resolvido. Mas se isso se repetir constantemente ao longo do tempo, teremos um problema pela frente.

Como os investidores estrangeiros estão olhando para o Brasil agora?

Tem muito dinheiro fora do Brasil. Tem muita liquidez. As taxas de juros estão muito baixas, os bancos centrais estão aumentando muito a liquidez na Europa e na Inglaterra. Então existe dinheiro disponível para investimento, desde que exista um projeto viável e estabilidade política para esse projeto ser feito. Se soubermos aproveitar essa liquidez internacional para investirmos em infraestrutura, portos, aeroportos, estradadas, etc, vai ser ótimo. Agora, tem que fazer! Existem as condições para que o investimento externo venha para o Brasil. A primeira condição é que tenha liquidez a um custo baixo, e isso existe. Aí tem que ter a segunda condição, que é ter o projeto. E a necessidade do projeto, também tem. Mas tem que ter a outra parte, que é uma estabilidade política e regulatória que permita que esses recursos venham para o Brasil.