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Associação Comercial e a voz de Porto Alegre

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Paulo Afonso Pereira
Economista, presidente da Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA)
Corecon/RS Nº 3059

Qual o grande desafio da ACPA após o desmembramento da administração compartilhada com a Federasul?
Nosso grande desafio é tornarmo-nos "a voz de Porto Alegre", em defesa dos segmentos que representamos, comércio, serviço e também da sociedade como um todo. Na verdade, é uma retomada da vocação da ACPA, que foi muito influente nos primórdios de Porto Alegre. A Associação foi fundada em 1858,no mesmo ano em que foram inaugurados o Theatro São Pedro e o Banco da Província, sendo, portanto, uma entidade que atravessa o seu terceiro século. Já fez muito pelo comércio e pelo desenvolvimento e, agora, volta a fazer, volta a ter protagonismo.

Como buscar a autonomia institucional perdida pela ACPA nas últimas décadas?
Esse processo foi muito bem conduzido, tanto pela ACPA quanto pela Federasul. Diria que atualmente as divisões de espaço estão muito bem definidas e entendidas por ambas as partes. A tendência é a cooperação mútua. A Federasul é uma entidade que congrega as Associações Comerciais do estado e a Associação Comercial de Porto Alegre agrupa como associadas as empresas, portanto, atividades distintas, mas cada uma trabalhando o associativismo em suas áreas de competência. O protagonismo da ACPA, que esteve, por mais de 80 anos, sem presidente exclusivo, está sendo retomado. Teremos um olhar atento para Porto Alegre e para todas as questões que impactam o bom funcionamento do comércio e serviços.

Como vem se comportando as vendas do comércio na cidade de Porto Alegre?
Como em todo o Brasil, o varejo e serviços de Porto Alegre enfrentam uma equação perversa, criada pelo governo, que atinge a todos que vivem do trabalho. O governo aumenta a taxa básica de juros para captar dinheiro e pagar seu déficit que não para nunca de crescer e não cria estímulos para o crédito, porque teme o aumento do consumo e, consequentemente, a inflação. Só que nossa inflação é de custos e não de consumo. O governo aumenta a energia, o combustível, que afeta toda a produção e a logística brasileira porque embute impostos nos preços básicos. E tudo porque gasta mais do que arrecada. Mordomias que não acabam mais em Brasília, supersalários, corrupção. Assim, fica difícil investir em infraestrutura. O varejo é a ponta da cadeia, sofre as consequências do fraco desempenho da indústria e de uma política que só beneficia quem vive de renda. O dinheiro sumiu do bolso dos consumidores e o estado não consegue criar uma política de retomada do crescimento através de crédito, juros baixos e a consequente redução do desemprego.

De que forma, a crise por que vem passando o RS, como segurança pública e parcelamento dos salários dos servidores, vem afetando o crescimento do setor?
Qualquer recurso que é retirado de circulação afeta o comércio, principalmente os salários dos funcionários públicos. Porto Alegre é uma cidade em que boa parte das indústrias aqui instaladas se transferiram para o Região Metropolitana ainda no século passado. No momento em que o governador Sartori, por absoluta incapacidade de honrar os pagamentos, parcela os salários dos funcionários públicos em seis vezes, ele trava todas as transações que ocorrem entre essas pessoas e seus fornecedores de qualquer tipo. Para esta situação ficar mais justa para cerca de 300 mil pessoas atingidas pelo parcelamento, o governador deveria solicitar que todos os envolvidos também parcelassem os pagamentos para os funcionários públicos. Ou seja, que o pagamento do aluguel, supermercado, escolas, etc, fossem feitos em seis vezes. Só que isso não é possível. Já, a falta de segurança, que no seu extremo enluta muitas famílias gaúchas vítimas de homicídios e latrocínios, tira a tranquilidade das pessoas e afeta o desenvolvimento. Quantas pessoas deixam de sair de casa, não só de noite, mas também de dia, por medo de assalto e agressão? Com isso as atividades comerciais e de serviços perdem, têm prejuízo.

Qual o principal entrave sentido pelo nosso lojista ao crescimento econômico?
Nesse momento de crise, de recessão, o desemprego, os juros altos, a falta de crédito, a insegurança, a informalidade, a incerteza política, enfim, um conjunto enorme de fatores emperra o crescimento. A ACPA está atenta, e fará o que estiver ao seu alcance para minimizar os efeitos negativos desta conjuntura ao comércio de Porto Alegre. O comércio digital também está impactando o lojista tradicional. Pretendemos prepará-lo através da capacitação e eventos para este novo cenário.

Como o setor vem acompanhando as propostas de aumento de impostos?
Com grande preocupação, pois a sociedade não tem mais capacidade de arcar com aumento de impostos. Não há margem para isso. O governo precisa buscar outras alternativas para equilibrar suas contas, diminuir drasticamente suas despesas. O governo federal renegociou as dívidas dos estados, mas com a crise as arrecadações despencaram. A saída adotada por qualquer empresa privada seria reduzir as despesas, mas os governos falam em aumentar os impostos. Não dá mais, a sociedade não aceita aumento de imposto. A saída no estado é reduzir o número de secretarias e privatizar empresas públicas que hoje são consideradas inoperantes, deficitárias ou ultrapassadas. O modelo de administração pública está superado, falido. Não dá os resultados esperados porque paga seus salários e as contas dos governos. Somente uma profunda reforma em todos os níveis permitirá a retomada do crescimento e da boa administração. É preciso ter a coragem de mudar. É preciso ter força para mudar. Ser agente de mudanças na esfera pública é muito difícil, mas não impossível. Basta querer.