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Educação Financeira em projeto social


Mariliane Caramão

Economista, educadora financeira,
especialista em psicologia econômica,
criadora do Repen$e Kids

Corecon-RS Nº 8698


 

De que modo a educação financeira pode contribuir com projetos voltados a jovens?

Os jovens que ingressam no mercado de trabalho são presas fáceis no complexo mundo financeiro. Ao mesmo tempo que são estimulados a consumir, eles sentem o crédito como parte integrante da renda. Se não há orientação financeira, se deixam levar pela urgência da posse, por pressões sociais, e acabam endividados. Num Brasil de muitos desafios e sutilezas econômicas, iniciar a vida profissional despreparado para lidar com dinheiro custa caro.

Qual o nível de educação financeira dos jovens no Brasil?

Um estudo do Serasa Experian mostrou que jovens de 18 a 25 anos ocupam o segundo lugar no ranking dos inadimplentes no Brasil, representando mais de nove milhões de pessoas. No mesmo sentido, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, 2018) mostra – no quesito letramento financeiro – que, além de ocupar uma posição no final do ranking, o Brasil apresenta uma disparidade em relação ao conhecimento, que chega a 98 pontos. Os estudantes de classes econômicas mais elevadas são mais expostos a conversas que envolvem o trato com dinheiro, possuem mais confiança e interesse pelo assunto, enquanto os estudantes com menor renda recebem poucas instruções. Nesse contexto, é um diferencial à sustentabilidade financeira ser apresentado ao mundo econômico antes de ingressar no mercado de trabalho, principalmente para os jovens de famílias com rendas menores ou situação de vulnerabilidade.


Você participa de projeto social voltado à educação financeira de jovens, o que te motivou?


Eu já estava alinhada com o voluntariado. Mas esse é um exemplo de demanda social que saltou aos olhos durante a pandemia e senti que seria uma oportunidade de contribuir de forma mais eficiente. Hoje, não é aceitável que alguém tenha frustrada sua possibilidade de sonhar em função do lugar onde ela nasceu ou qualquer outra condição. Por isso, empenhar algum esforço para reduzir as disparidades sociais acaba sendo um desejo comum e me coloquei à disposição do Instituto Ascendendo Mentes, em Porto Alegre.


Onde está localizada a ONG e como atua?


O Instituto está localizado no bairro Glória, em Porto Alegre. É um espaço de socialização focado em desenvolver potencialidades para que os jovens ocupem seus espaços no mercado de trabalho. Está fundamentada em quatro pilares: educação socioemocional, educação profissional, educação socioeconômica e sinergia com mercado de trabalho. Além da geração de renda, via formação profissional, entendem que a preparação socioeconômica seja um elo para estabilizar a condição financeira. E é aí que entra a minha atuação. Ainda que as necessidades imediatas sejam supridas através da doação de cestas básicas às famílias envolvidas, o objetivo é estimular a independência e o empoderamento dos jovens.


Que tipo de trabalho estás desenvolvendo lá?


Como citei, a educação financeira entra no pilar socioeconômico como um meio de superar a fragilidade econômica. O programa segue uma estrutura baseada em atividades que exploram o conhecimento financeiro básico associado com tópicos comportamentais. Vai desde conceituar o que é uma compra à vista e a prazo, passando por ferramentas para montar o orçamento pessoal e formar reserva até relacionar o impacto de fatores econômicos no dia-a-dia. Além disso, sabemos que o comportamento econômico individual é resultado do que se pensa e sente em relação aos recursos envolvidos. Então, para encurtar o caminho entre conhecimento e aplicação, são estimulados recursos psicológicos para tomar decisões mais conscientes e autônomas. O participante treina como diferenciar necessidade e desejo, reconhecer armadilhas que estimulam gastos excessivos e analisar o próprio comportamento de consumo.


Qual o objetivo do programa e qual a duração?


O objetivo é dar condições para que os jovens possam ir mais preparados para a vida financeira, sabendo lidar com as situações comuns de quem ingressa no mercado de trabalho. A formação tem duração de quatro meses e, ao longo de 2022, atenderá 60 jovens entre 15 e 17 anos.


Qual é o grande desafio para os jovens?


O desafio está em atrasar recompensas. Para eles, isso se traduz em identificar e tolerar situações que o estimulam a comprar o que não precisa ou gastar dinheiro que não têm em benefício de poupar para comprar um bem pagando à vista, fazer uma viagem, um curso ou ajudar a família.


Tens percebido avanços nesse processo?


O voluntário também encontra desafios num projeto social. Posso citar três: reconhecer as carências na educação geral e criar estratégias para superá-las; necessidade constante de enquadrar o conteúdo (ele precisa ser aplicável ao contexto); por último, a necessidade de priorizar confiança e empatia, entendendo o ambiente ao qual cada um está inserido interfere nas suas decisões. Os alunos estão sendo muito rápidos em assimilar do papel das emoções associadas ao consumo e a maioria já incorporou a ideia de parar para pensar. Também estão evoluindo nas conversas. Elas já ultrapassam o campo das necessidades básicas e até alguns sonhos já foram compartilhados. Enxergo, nesses pequenos sinais, a capacidade de reformular a cultura econômica familiar, e isso me anima muito. Esse retorno, dentro do meu propósito, é muito gratificante.


Quem tiver interesse em contatar com o Instituto, como deve proceder?


O Instituto Ascendendo Mentes recebe doações para a manutenção dos seus projetos e quem desejar contribuir acessar o site: https://www.ascendendomentes.org.br/doapoa e as vagas para novos voluntários também segue abertas: https://www.ascendendomentes.org.br/contato