Campanha de Valorizacao do economista

Economia criativa e pandemia


Judite Sanson De Bem

Economista, professora da Universidade LaSalle
Corecon-RS Nº 4574

 

O que é economia criativa?

De uma forma clara e objetiva, pode-se definir economia criativa como todo tipo de negócio, ou atividade que produza algum tipo de valor, gerado a partir da criatividade, ou seja, atividades que envolvam criação, produção e distribuição de produtos e serviços, utilizando conhecimento e criatividade.

Que setores da economia estão representados pela economia criativa?

A atividade criativa está em todo lugar, mas a sua base tem foco mais definido nos serviços e, especialmente, nas mais diversas áreas da cultura, como música, artes cênicas, artes visuais, arquitetura, publicidade, gastronomia, enfim.

Por que o Brasil é considerado um dos berços da economia criativa?

A atividade produtiva no Brasil, por definição, é uma atividade que concentra uma grande soma de bens e serviços criativos. Uma questão importante é que não podemos desconsiderar que a economia criativa trabalha também com o lado cultural de uma sociedade, e a cultura, por sua vez, pode ser tanto material quanto imaterial. Então se nós formos usar como plano de fundo o patrimônio imaterial brasileiro, como festas, produção de doces, com suas receitas, como no caso de Pelotas, são uma parte do patrimônio cultural brasileiro. Então, o Brasil é um grande gerador, por ter uma grande parcela de sua renda advindo da economia criativa. Da mesma forma, nós temos um setor musical bastante forte, temos grandes arquitetos na cena mundial, somos produtores de moda e um dos maiores exportadores mundial de calçados. A gastronomia também é um grande segmento da indústria criativa. Temos essa atividade bastante desenvolvida, assim como a questão do turismo cultural. Então, nós somos importantes, sim, na geração de emprego e renda, nestes segmentos como um todo.

Como está a situação da economia criativa no Brasil?

Antes da pandemia, estávamos com uma participação ao redor de 3 a 4% do PIB advindo destasatividades produtivas. No entanto, nós tivemos um choque, um impacto muito grande, porque muitas atividades produtivas criativas foram sacrificadas durante a pandemia. Observamos que até o mês de fevereiro de 2021, portanto quase um ano depois, estamos sem a produção de eventos, sem a produção de peças teatrais, cinema. Então, tudo parou durante um bom tempo e ainda está muito aquém daquilo que era em fevereiro de 2020. No que diz respeito ao emprego, nos diferentes segmentos, houve uma redução bastante significativa, o que se traduziu em desemprego e, portanto, na falta de poder aquisitivo dessas pessoas que dependiam dessas atividades. Houve, também, durante esse período, uma tentativa de retomada. No entanto, essa tentativa fracassou porque, infelizmente, em alguns momentos houve um recrudescimento da pandemia e, até o presente momento,estamos com grandes dificuldades. Ao final do mês de agosto ou setembro, houve a Lei Aldir Blanc, que vem distribuir aos estados, que por sua vez repassarão municípios, recursos destinados aos artistas, que fazem parte da atividade criativa. É importante ressaltar também que algumas atividades criativas foram muito mais afetadas do que outras.

Que percentual do PIB brasileiro, e do RS, é representado pelo setor?

A participação do setor não é superior a 3 ou 4% do PIB, tanto brasileiro quanto do estado do RS. E essa rubrica também se verifica nas contas públicas, inclusive. Em termos de RS, não chegava a 2% das despesas do governo estadual. O Estado é gestor de alguns equipamentos estruturais, entre eles o Teatro São Pedro e a TV Piratini e, no grosso das despesas ou dos encaminhamentos destinados à cultura, é uma das secretarias que menos recebe recursos. E, em termos federais, o problema é mais complexo porque o atual governo dissolveu o Ministério da Cultura, passando a ser uma Secretaria. Estamos, também, na iminência de uma nova legislação, com um formato diferente de financiamento para atividades culturais. Assim, essas ações também são uma forma de não firmar o interesse e demandas que se fazem por parte da sociedade.