slogan

SELO ENEF

A persistência inflacionária no Brasil entre 1999 e 2016

eduarda mendonca

Eduarda Fernandes Lustosa de Mendonça

Economista, 2º Lugar “Prêmio Corecon-RS 2018”,
Categoria Dissertações de Mestrado
Corecon-RS Nº 8660

 

Sobre o que trata o trabalho “Análise da persistência inflacionária no Brasil (1999-2016)”, 2º Lugar “Prêmio Corecon-RS 2018”, Categoria Dissertações de Mestrado?
O meu trabalho discute a persistência inflacionária do Brasil entre 1999 e 2016. O conceito de persistência pode ser entendido como uma resiliência da inflação, no sentido de que, na ocorrência de qualquer choque, ela não se estabiliza rapidamente, pois tem uma tendência a elevação. Em termos estatísticos, podemos dizer que é uma característica de memória longa na série.

Qual o objetivo do estudo?
O objetivo do estudo foi analisar a persistência da inflação brasileira após 1999, de forma a investigar as suas possíveis causas, seus mecanismos, e estimar o seu grau. Parto da hipótese de que ela ainda possui um grau significativo mesmo após a implantação do regime de metas.

Quais as conclusões?
O grau de persistência inflacionária ainda é significativo, sendo mensurado em 0,29%. Isso significa que a inflação tem uma memória longa no Brasil, isto é, ainda é influenciada por valores do passado distante. Mediante choques que a elevem, ela não cairá rapidamente no mês seguinte, em função de seu grau de resiliência que a faz resistir às políticas de contenção.

Quais causas de inflação poderiam estar sendo desconsideradas?
No Brasil, assim como em muitos outros países, o Banco Central é responsável pela contenção inflacionária através da política monetária. A política monetária, por sua vez, utiliza-se primordialmente da taxa de juros para cumprir essa função, baseando-se na Regra de Taylor. Essa estrutura não conseguiu neutralizar o grau de persistência inflacionária desde 1999. Dessa forma, suscita-se a possibilidade da resiliência da inflação ser advinda de causas que não são atacadas através da taxa de juros. A literatura que levanta essa hipótese é vasta. No entanto, para fins do meu estudo, optei por usar as contribuições estruturalistas e keynesianas. Estas ressaltam o papel de subtipos de inflação de custos, tais como a taxa de produtividade/rendimentos decrescentes, a taxa de salários e lucros, os impostos regressivos, o coeficiente de importações e o repasse cambial assimétrico. Esses elementos evidentemente recebem atenção dos policy-makers, mas não no que tange as suas influências sobre a taxa de inflação. O regime de metas, embora cumpra seu papel no controle do nível de inflação, não se propõe a levar esses elementos em consideração, dificultando a neutralização da persistência.

Se fossem considerados, a situação inflacionária do Brasil seria distinta?
É difícil determinar como seria na prática a dinâmica da inflação no Brasil caso esses elementos fossem levados em consideração para as políticas anti-inflacionárias. No entanto, em termos de teoria econômica, podemos dizer que sim, haveriam diferenças significativas. O combate à inflação é importante para processos de desenvolvimento econômico. Nesse sentido, não podemos negligenciar quaisquer fatores de pressão sobre os preços. Considero este assunto promissor e, por isso, pretendo continuar pesquisando o tema para tentar responder melhor essas questões.