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"A sensação é de que o investidor estrangeiro acredita muito mais no nosso mercado do que nós mesmos"


“Perspectiva do mercado financeiro brasileiro: Comprar ou vender?” foi o tema da edição de maio do Economia em Pauta, que aconteceu no último dia 16, na PUCRS. O palestrante foi o presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais – Seccional Sul (Apimec-Sul), economista José Junior de Oliveira. O evento, promovido em parceria com a Escola de Negócios da Universidade, foi realizado no auditório do 9º do Prédio 50 e reuniu professores, profissionais liberais e, especialmente, alunos do Curso de Ciências Econômicas. O presidente do Corecon-RS, economista Rogério Tolfo, abriu o encontro, apresentando o palestrante e falando da importância do mercado de capitais para a economia e como mercado de trabalho para os economistas.

José Junior de Oliveira iniciou sua apresentação explicando a função da Apimec na qualificação e certificação dos profissionais que atuam na área de investimentos e no mercado de capitais. Falou sobre a importância dos mercados financeiros e de capitais para a economia do país e apresentou breve histórico da Bolsa de Valores no Brasil. 

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Disse que a grande movimentação da bolsa se deu a partir do final dos anos 90 e início dos anos 2000, com a criação do chamado Novo Mercado, que reúne empresas que se comprometiam voluntariamente com um conjunto de regras societárias, chamadas de boas práticas de governança corporativa, e que inovou através da emissão de ações ordinárias. 

Citou como exemplo de sucesso o caso das lojas Renner, no Rio Grande do Sul, como uma das pioneiras do sistema “Corporation”, em que o controle capital é diluído no mercado entre os acionistas da empresa. Lembrou que o mercado de capitais brasileiro conta com a participação ativa dos investidores estrangeiros, que são responsáveis por mais de 50% dos negócios na bolsa. “Isso chega a demonstrar que os investidores estrangeiros acreditam mais no nosso mercado do que nós mesmos”, disse, explicando que “a pessoa física brasileira não tem a cultura de aplicar recursos em renda variável, onde se ganha mais, mas com um risco maior”. Acrescentou que, em 2001 se negociava em bolsa R$ 500 milhões por dia enquanto hoje o volume diário médio passa de R$ 10 bilhões. Entretanto, o volume negociado ainda é muito concentrado em algumas empresas, já que cerca de 20 ações representam aproximadamente 60% do volume negociado. “O mercado de capitais é pouco utilizado para financiar os investimentos de empresas no Brasil”. Expicou que o financiamento das empresas através do mercado de capitais representava cerca de 3,2%, em média, nos últimos 5 anos e de 1% nos primeiros 3 meses de 2018, em relação do saldo de crédito do sistema financeiro para pessoas jurídicas, "o que demonstra que esse mercado tem muito espaço para ser utilizado no financiamento do setor produtivo". Ressaltou que, para o investidor que busca melhores retornos de seus investimentos e diversificação, investir na bolsa é bastante atrativo. Porém, como o juro nos últimos anos no Brasil esteve elevado, o investidor preferiu aplicar em renda fixa, sem correr os riscos do mercado. "Mas, à medida em que a taxa Selic se reduz, há uma tendência natural dos recursos serem direcionados para ativos com melhores retornos e com maior apetite pelo risco”, afirmou.

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Falando sobre os cenários e perspectivas do mercado de capitais, o presidente da Apimec-Sul disse que o grande problema da economia brasileira encontra-se nas contas públicas, cujo déficit primário vem sendo recorrente desde 2014 e se agravou em 2016, atingindo 2,5% do PIB, o equivalente a R$ 156 bilhões, e, em 2017, chegou a 1,7% do PIB, R$ 110 bilhões. Com isso, o endividamento bruto do setor público passou de 57,2% do PIB em 2014 para 74% do PIB em 2017. “Esse é um problema que terá que ser resolvido urgentemente, de forma a equilibrar as contas públicas e controlar o crescimento da dívida, ou seja, colocar o país nos trilhos", alertou, lembrando que isso proporcionaria a retomada dos investimentos necessários ao país, levando mais confiança ao mercado e melhorando a expectativa dos investidores. “Só que não vejo perspectivas de que isso ocorra no curto prazo”, complementa. Disse, também, que a alta taxa de desemprego, que se encontra em 13% da PEA, também é um indicador que pode melhorar na medida em que a economia retome uma trajetória de crescimento, o que, acredita, ainda leva um certo tempo. “De qualquer forma, a notícia boa é que a economia está retomando uma trajetória de crescimento, mesmo que de forma muito lenta”, afirmou, referindo-se a resultados positivos, como a estabilidade do Risco Brasil, o controle da inflação e a queda da taxa de juros. Disse que a desvalorização do real frente à moeda norte-americana tem origem mais em problemas externos que internamente, principalmente pelo fato do Federal Reserve, Banco Central Norte-Americano, estar elevando gradativamente a taxa de juros daquele país, fazendo com que muitos investidores retirem recursos de países emergentes para alocar em títulos do Tesouro Americano, que são de menor isco. Também citou como causa o litígio comercial entre a EUA e China e a saída dos EUA do acordo nuclear com o Iran. Lembrou, ainda, que outro fator que vem impactando no câmbio é a atual crise argentina, que enfrenta problemas para rolar sua dívida, baixas reservas cambiais e uma séria crise nas finanças públicas. Elogiou a equipe econômica do governo Temer e disse que, apesar de o Banco Central ter tido problema de comunicação com o mercado na última reunião do COPOM, "não invalida o trabalho responsável que vem sendo feito". Lembrou a tendência brasileira de conquistar um Banco Central independente, com indicação do seu presidente em anos intercalados com a eleição do novo governante, reduzindo a possibilidade de interferência política na autoridade monetária, melhora a confiança, a estabilidade e a credibilidade na condução da política econômica.

Além do presidente Rogério Tolfo, estiveram presentes o conselheiro do Corecon-RS, economista Aristóteles Galvão, e o coordenador do Curso de Ciências Econômicas da PUCRS, economista Gustavo Inacio de Moraes.

Acesse a apresentação do presidente da Apimec-Sul