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“O setor tem exposição diária ao risco e à concorrência”, diz Antonio da Luz

““Perspectivas para a economia e o agronegócio brasileiro" foi o tema da primeira edição do ano do Economia em Pauta, que aconteceu na noite do dia 2 de abril, no Auditório da Faculdade de Desenvolvimento do RS (Fadergs), no Centro Histórico de Porto Alegre. Numa promoção do Corecon-RS, com o apoio da Fadergs. O participaram o Economista-Chefe do Sistema Farsul e Economista do Ano em 2017, Antonio da Luz, e o jornalista do Correio do Povo e um dos premiados com as melhores reportagens de economia em 2017, jornalista Danton Júnior.

O encontro foi aberto pela coordenadora do Curso de Ciências Econômicas da Fadergs, professora e economista Cláudia Katherine Rodrigues, que agradeceu a parceria do Conselho e a presença dos palestrantes. Informou que se trata de uma grande oportunidade de entender melhor a forma como o agronegócio gaúcho e brasileiro estão inseridos no processo econômico internacional.

antonio2O economista Antonio da Luz iniciou sua apresentação com um gráfico da evolução da produção de grãos no Brasil nos últimos 18 anos. Apresentou uma análise comparativa sobre a estrutura da produção e comercialização dos principais grãos, como milho, soja e trigo, e das carnes bovina, suína e de frango produzidas no país. Levou em conta a variação média de indicadores como rendimento, PIB per capita, consumo das famílias e população com o consumo doméstico de cada grão, assim como essa relação com os maiores compradores desses produtos no mercado mundial e lembrou que os dados de consumo e variáveis macroeconômicas foram relacionados a partir de relações logarítimicas do tipo log-log. “Se a economia vai bem, o consumo aumenta; se a economia vai mal, o consumo diminui”, afirmou, mostrando gráficos sobre o desempenho da economia brasileira nos últimos trimestre, com foco no PIB, rendimento médio real dos assalariados, consumo das famílias, crescimento populacional, saldo entre admissões e demissões, e, ainda, sobre a economia brasileira no contexto mundial. Lembrou que, desde abril de 2014, o Brasil experimentou uma queda de 13% do rendimento médio e que o consumo interno irá aumentar no momento em que houver crescimento da demanda interna. “O rendimento médio é um fenômeno que tem enorme relação com todos os produtos agrícolas que compõem a nossa produção”, explicou, lembrando que, quando a oferta é maior que o crescimento da demanda, o caminho natural passa a ser a exportação. “De qualquer forma, o agronegócio acaba trazendo um pouco do crescimento econômico mundial para dentro da nossa economia”, avaliou.
         

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Falou, ainda, de outros indicadores que impactam sobre o consumo, como rendimento médio, crescimento populacional e desemprego. Explicou que ao comparar os números de admissão e demissão dos últimos 12 meses, o país ainda tem um déficit de 123 mil postos de trabalho e que esta deverá ser a última variável a se recuperar desses anos de crise. “Hoje, saímos do fundo do poço, mas continuamos dentro dele”, diz, lembrando que, de 2013 a 2016 o mundo cresceu 49%, o Brasil cresceu 26%. “Ou seja, estamos ficando para trás e empobrecendo em relação ao mundo”. Afirmou que o Brasil vinha crescendo em um ritmo semelhante ao crescimento mundial, mas que as crises dos anos 2000, 2015 e 2016 acabaram provocando uma defasagem de 7,19% do seu PIB e que, “se o país crescer 1% a mais do que veio crescendo entre os anos de 1996 e 2014 poderá recuperar nos próximos anos poderá recuperar esse espaço perdido nos próximo cinco ou seis anos, dependendo de mudanças em sua burocracia tributária interna”.

antonio3Ao concluir, Antonio da Luz afirmou que os produtores brasileiros realizaram pesados investimentos em tecnologia nos últimos 10 anos, o que elevou o perfil produtivo de competitividade da agricultura nacional para níveis superiores aos mundiais, patamar alcançado especialmente pela ausência de intervenção do Estado no setor. Lembrou que ao longo de 2017, enquanto a produção cresceu em torno de 14%, os preços no mercado interno caíram cerca de 25%, gerando queda no lucro do produtor. Citou como exemplo um pão comprado em uma padaria, onde apenas 14% do produto tem influência do preço do trigo, sendo que os 86% restantes tem relação com despesas de aluguel, energia elétrica e tantos outros fatores. “O produtor brasileiro é submetido diariamente à concorrência de todos os países do mundo. O setor não tem proteção ao comércio e tem exposição diária risco e à concorrência”, concluiu, lembrando que “o Brasil precisa de reformas, em especial a da Previdência e a Tributária”.

dantonO jornalista do Correio do Povo Danton Júnior lembrou que o trabalho do profissional de imprensa que cobre o setor agropecuário tem sido cada vez mais pautado pelo consumo. “Antigamente, a editoria de Rural era mais voltada para o ambiente rural, mesmo. Mas hoje em dia não é mais assim”, complementou, ressaltando que o consumidor atual demanda muita informação, querendo saber informações sobre a origem do seu alimento, questões ambientais, boas práticas de alimentação, entre outras. Lembrou que o campo foi apontado como o grande responsável pelo crescimento do PIB em 2017, com crescimento de 1% que, embora pequeno, ocorreu após dois anos de retração da economia. Disse que a grande preocupação do campo agora não é mais apenas com os preços, mas com a rentabilidade, custos de produção e margem de lucro, “especialmente em culturas como o arroz, leite, milho e trigo, alimentos que estão no dia a dia, na mesa do brasileiro”. Explicou que, em função da baixa rentabilidade, agricultores vêm desistindo de algumas atividades, não se cansando de dizer que “a agricultura vai bem mas o agricultor vai mal”, referindo-se especialmente aos custos da produção que vem reduzindo suas margens de lucro.

danton1Danton Júnior disse, ainda, que o Brasil teve uma inflação em 2017 abaixo do piso da meta, que era de 3 pontos percentuais, e que foi bastante comemorada pelo governo federal, que reconhece como causa a produção agrícola e a excelente safra colhida, que ajudou a reduzir os preços dos alimentos no ano passado. “E como fica essa relação, onde o produtor reclama da rentabilidade e o país comemora a queda dos preços?”, questionou, ressaltando a importância de minimizar esse descompasso.

Estiveram presentes a mais esta edição do Economia em Pauta, o presidente do Corecon-RS, economista Rogério Tolfo, os conselheiros Aristóteles Galvão e Darcy Francisco Carvalho dos Santos, além dos ex-conselheiros Carlos Alberto Abel e Vladimir da Costa Alves. 

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