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"A crise, ou o pior dela, já passou!", diz Portugal

 

O economista e professor da UFRGS, Marcelo Portugal, foi o palestrante da última edição do Economia em Pauta, ocorrido na noite do dia 26, terça-feira, no salão Juá, do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre. Numa promoção do Corecon-RS, o evento contou, ainda, com a participação da jornalista Patrícia Comunello, do Jornal do Comércio.

O evento foi aberto pelo conselheiro do Corecon-RS, economista Guilherme Stein, que agradeceu aos presentes e falou da importância do tema nesse contexto de dificuldades que o Brasil vem vivendo.

portugal“A crise, ou pelo menos o pior da crise, já passou. Se olharmos os números do primeiro e do segundo trimestres deste ano, constatamos que o fundo do poço ficou para trás”, afirma o professor Marcelo Portugal, ao iniciar sua apresentação, abordando as origens econômicas e políticas que acabaram gerando essa, que foi a pior recessão experimentada pelo Brasil ao longo de sua história. “É lógico que ainda temos muito a superar e a pergunta que fica é se conseguiremos recuperar, até 2018, um pouco do muito que perdemos nesses dois últimos anos”. Disse que foram três tipos de determinantes para o agravamento da crise, especialmente nos anos 2015 e 2016. Apontou o de caráter microeconômico, que foram as intervenções mal feitas pelo governo federal no mercado, o macroeconômico, que foram os erros feitos na política de combate à inflação e na política fiscal, além dos determinantes políticos, que foi a falta de liderança da presidente Dilma sobre a sua própria base e o Congresso como um todo, levando incertezas ao mercado e agravando o cenário econômico. Para justificar um cenário de melhora na economia, apresentou uma análise do desempenho das variáveis consideradas relevantes, como os comportamentos do PIB, do desemprego e da inflação. “A inflação vem caindo e vai ficar ainda mais baixa, o desemprego começa a recuar e o PIB começa a se recuperar, então o pior já passou. Mas vai demorar muito para recuperarmos os níveis de produção e de renda que tínhamos em 2010 e 2011”, acrescentou.

Explicou que houve crescimento acelerado da economia ao longo dos dois mandatos do presidente Lula e que no primeiro mandato da presidente Dilma o resultado foi pífio, seguido por total descontrole em seu segundo mandato. Para ele, a crise começou a ser gestada no final do governo Lula, em 2010, quando o Brasil ainda tinha uma situação fiscal razoavelmente equilibrada, com superávit primário. “A partir dali houve uma política keynesiana mal implementada, focada em gastos correntes permanentes e não em investimentos transitórios, somada a uma série de reduções fiscais inconsequentes, ao abandono do sistema de metas de inflação e o consequente reinício do controle de preços, além do excesso de intervenção cambial através de uso exagerado de swaps pelo Banco Central, que acabou gerando descontrole fiscal”. Disse que, depois de oito trimestres seguidos de queda do PIB, o país deve apresentar agora um ano de crescimento da ordem de 0,7% ou 0,8%. “No RS esse numero ainda pode ser mais alto porque a agricultura tem peso maior que no resto do país”, acrescentou.

portugal1O economista apresentou, ainda, gráficos sobre o comportamento da crise, que com cenários positivos também para a geração do emprego formal no país. Disse que de fevereiro de 2015 a fevereiro de 2016 foram fechados 1,8 milhão de empregos e que agora, no acumulado dos últimos 12 meses, segundo o Caged, houve abertura de 170 mil novas vagas formais, além de aumento do emprego também na informalidade. Também através de gráficos, demonstrou que a inflação caiu 2,5% nos últimos 12 meses e que este ano deve fechar ainda abaixo de 3% e que, embora as expectativas sejam de leve alta, não deve passar de 4%. Lembrou que, assim como a inflação caiu, os juros, que estavam em 14,25% no final do governo Dilma, despencaram para 8,25%, devendo chegar, nas próximas reuniões do Copon a 6,75% ou 6,5%, o que, segundo Portugal, é extremamente positivo para a economia. Lembrou, ainda, que a inflação deve ficar muito baixa este ano, em torno de 4%, devido ao forte caráter inercial da inflação brasileira, que atrapalha quando tem-se que puxá-la para baixo e a inércia a segura lá em cima, mas ajuda quando começa a subir porque a inércia tende a segurá-la embaixo.

“Esta é uma recessão made in Brazil”, disse, já que essa crise acontece na contra mão de um contexto internacional de crescimento da economia, como os casos dos EUA, China, Europa e tantos outros países. “O mundo está puxando a economia para cima”, completou. O fato apontado por ele como de mais difícil solução é o problema fiscal. Explicou que no final do governo Lula o superávit primário era da ordem de R$ 100 bi, passando para R$ 150 bi no primeiro governo Dilma e, depois, em ritmo de queda livre até chegar a um déficit primário de R$ 170 bi nos dias de hoje. “E para voltarmos a ter uma dívida pública pagável, precisaríamos de um esforço fiscal de cerca de 5% do PIB, o equivalente a R$ 300 bi, a ser gerado através de redução de gastos ou de aumento de impostos”, acrescentou.

Como alternativas para o enfrentamento da crise atual, o professor Marcelo Portugal elencou a necessidade de reequilíbrio das contas públicas, que passa obrigatoriamente pela aprovação da reforma da previdência, acabar com a cultura de privilégios setoriais, uma política eficiente de privatizações e concessões, uma reforma tributária mais horizontal e homogênia, além do avanço na condução da política monetária e cambial, que acaba com o monopólio do Banco Central no mercado de câmbio,

portugalpatricia2A jornalista Patrícia Comunello teceu algumas impressões sobre a crise e lembrou o professor Portugal de suas previsões feitas durante entrevista ao Jornal do Comércio ainda no ano de 2016 sobre como seria a tendência da economia neste ano. Falou das dificuldades do enfrentamento dos principais problemas em função da crise política que vem se desdobrando ao longo desses últimos meses e questionou o palestrante sobre PIB, desemprego, inflação e reformas.

Ao finalizar o Encontro, o conselheiro Guilherme Stein fez um convite para a próxima edição do Economia em Pauta, que será realizada no dia 16 de outubro próximo, e que abordará o tema “As criptomoedas e a livre geração de valor”.

No final do evento, foi servido um coquetel aos presentes, com a cortesia da Água Mineral Sarandi e Hotel Plaza São Rafael.