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Um cenário positivo, mas cheio de riscos

ep julho 2017Cenário econômico e Mercado de Capitais em época de crise foi o tema da última edição do Economia em Pauta, na noite do dia 11, no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, que teve como palestrantes os economistas José Junior de Oliveira (Analista de Mercado de Capitais, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais/Apimec-Sul) e João Souza Fernandes (Quantitas Asset Management).

O encontro foi aberto pelo vice-presidente do Corecon-RS, economista Rogério Tolfo, que falou da importância do tema neste momento de instabilidade política e de incertezas na economia brasileira.

João Fernandes apresentou um breve perfil da sua empresa, a Quantitas, e, através de gráficos, apresentou uma abordagem sobre os cenários e perspectivas da economia brasileira. “Vou trazer um cenário otimista, com bastante cuidado, levando em conta uma série de riscos que existem hoje, mas que na sua base é um cenário bom, muito melhor do que se tinha há poucos anos atrás”, disse. Falou sobre a importância da queda dos juros para a retomada da confiança e a recuperação da economia e citou uma série de fatores que precisam acontecer para atingir esse objetivo, como ajuste fiscal e reformas que garantam o aumento da produtividade na economia. Disse que o país, que possui as mais altas taxas de juros reais do mundo, vem tendo, pela primeira vez desde o ano 2000, a capacidade de reduzir a taxa de juros, de forma sustentável, a um patamar significativamente baixo.

O economista apresentou, ainda, uma análise sobre a deterioração das contas públicas nos últimos anos, que acabou gerando um déficit enorme e levou ao aumento da dívida que chegou a 72% do PIB, a deterioração dos preços de ativos financeiros, descontrole cambial, aumento da inflação, redução do crescimento e aumento do desemprego. Ressaltou, ainda, a baixa produtividade do país, agravada por problemas de logística, excesso de burocracia e de educação básica. “Essa frente tem que ser atacada e se não for atacada continuaremos a conviver com um país de juros altos e de baixa competitividade, sem confiança e com dificuldades para retomar o crescimento”, afirmou. Elogiou a PEC dos gastos aprovada no final do ano passado para impedir que as despesas públicas continuassem crescendo, criticou os créditos subsidiados proferidos pelo BNDES e falou da importância da reforma da previdência. “Com ajuste fiscal e redução da taxa de juros, o país retoma a confiança e a economia cresce. E é o que a equipe econômica do governo está tentando fazer”, disse.

João Fernandes abordou também a política monetária e as projeções de inflação. Afirmou que o Banco Central vê em eventual mudança na política econômica e do ajuste fiscal os principais riscos para a continuidade do comportamento atual da inflação. Disse que, se dentro de seis meses, a postura da política econômica estiver firme, e o risco político estiver amenizado, o Banco Central vai continuar derrubando a taxa de juros para baixo dos 8% ao ano. “Nunca, nos últimos 100 anos deste país, tivemos uma recessão tão intensa. É uma situação grave, mas a nossa expectativa é que está se revertendo”, acrescentou, ressaltando que se houver queda de juros esperada e ajuste fiscal, o PIB deverá crescer ao redor de 0,8% neste ano, mediar um crescimento de 1,8% no ano seguinte e migrar para um crescimento potencial de longo prazo, em torno de 2,5% ao ano. “O importante é alcançar um crescimento potencial de 2,5% a 3% e passar a fazer reformas responsáveis, que sustentem esse comportamento”, finalizou.

O economista falou ainda da política monetária e das projeções de inflação. Afirmou que o Banco Central vê em eventual mudança na política econômica e do ajuste fiscal os principais riscos para a continuidade do comportamento atual da inflação. Disse que, se dentro de seis meses a situação tiver mudado, a postura da política econômica estiver firme, o risco político estiver amenizado, o Banco Central vai continuar derrubando a taxa de juros para baixo dos 8%. “Nunca, nos últimos 100 anos deste país, tivemos uma recessão tão intensa. É uma situação grave, mas a nossa expectativa é que está se revertendo”, acrescentou, ressaltando que se houver queda de juros esperada e ajuste fiscal, o PIB deverá crescer ao redor de 0,8% neste ano, mediar um crescimento de 1,8% no ano seguinte e migrar para um crescimento potencial de longo prazo, em torno de 2,5% ao ano. “O importante é alcançar um crescimento potencial de 2,5% a 3% e passar a fazer reformas responsáveis, que sustentem esse comportamento”, finalizou.

O presidente da Apimec-Sul, economista José Junior de Oliveira, apresentou uma análise sobre a importância do mercado de capitais na estrutura do crescimento econômico do Brasil. Falou sobre o tamanho do mercado, suas funções e de que forma o setor pode financiar o processo de crescimento econômico do país. Disse que, no Brasil, o mercado de capitais poderia ser melhor utilizado para auxiliar no processo de financiamento de recursos para o setor produtivo. Explicou que a principal função dos mercados financeiros é transferir recursos daqueles que possuem fundos e não fazem uso produtivo deles para os que necessitam de recursos para realizarem seus investimentos. Ressaltou que países que têm sistemas financeiros mais desenvolvidos conseguem ter crescimento econômico melhor, já que o dinheiro é direcionado para a área produtiva e não para outros fins, como, por exemplo, financiamento de dívida do governo. Apresentou, ainda, breve histórico sobre a Bolsa de Valores no Brasil que passou por diversas transformações, especialmente a partir do ano 2000, quando os negócios eram centralizados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), transformando-se mais tarde na BM&FBovespa e, recentemente, na B3, Bolsa Brasil Balcão, e falou sobre governança corporativa e outras inovações do Novo Mercado. Destacou que atualmente 339 empresas negociam na Bolsa brasileira e que, aproximadamente 60% do volume de recursos negociados na bolsa está concentrado em torno de 20 empresas. Para ele, o mercado de capitais tem um espaço de crescimento muito grande no participar do processo de financiamento produtivo, já que tem participação, em 2017, de 0,3% do volume de créditos livres em relação ao PIB frente aos 48% ocupados pelo total de crédito da economia. Apresentou, ainda, gráficos comparativos sobre a relação dos preços de commodities no mercado internacional e empresas brasileiras, como a Vale e Petrobrás, além de uma análise sobre o comportamento dos preços das ações na Bolsa brasileira nos últimos anos.

José Junior de Oliveira falou, ainda, sobre as perspectivas do mercado de capitais. Disse que a elevada liquidez nos mercados mundiais faz com que os investidores, apesar dos riscos, busquem maiores investimentos em mercados emergentes, entre eles o Brasil. E que, mesmo com os riscos, oriundos da instabilidade política, ainda veem no Brasil uma boa opção de investimentos. “Eles olham a crise brasileira como um processo natural, que pode ser superado”, explicou.

O presidente do Corecon-RS, economista Clovis Meurer, fechou a edição do Economia em Pauta, lembrando que esta edição do evento marcava a data do 64º aniversário do Corecon e convidou os presentes para o grande Encontro de Economia que acontecerá no dia 19 de agosto, nas dependências da Faculdade IMED, em Porto Alegre, oportunidade em que economistas de renome se encontrarão para debater a conjuntura econômica, além de temas ligados à inovação, tecnologia e empreendedorismo.

No final do evento foi servido um coquetel aos presentes, com a cortesia da Água Mineral Sarandi e Hotel Plaza São Rafael.
Também estiveram presentes a esta edição do Economia em Pauta os conselheiros do Corecon-RS Aristóteles Galvão, Bruno Breyer Caldas, e o ex-presidente Lauro Renck.