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Economia gaúcha: leve desaceleração, mas acima da média nacional

cieersvanessa3A conselheira do Corecon-RS e Chefe de Divisão do Departamento de Economia e Estatística (DEE), economista Vanessa Neumann Sulzbach, foi a palestrante do Café da manhã, promovido pelo Centro de Integração Empresa Escola do RS (CIEE-RS), ocorrido no dia 31 de outubro último, no Centro de Eventos CIEE-RS, em Porto Alegre. Dentro do tema principal, "A economia gaúcha no contexto nacional e internacional", apresentou uma análise sobre os cenários externo, do Brasil e do Rio Grande do Sul, para os próximos meses.

O encontro foi aberto pelo superintendente Executivo do CIEE-RS, economista Luiz Carlos Eymael, que cumprimentou os presentes e agradeceu a parceria do Corecon-RS em mais esta iniciativa. Apresentou um breve balanço sobre as atividades de assistência social realizadas pela Entidade, presente em cerca de 95% dos municípios gaúchos, ao longo das cinco décadas de existência. “Para o CIEE ampliar oportunidades significa aproximar gerações e buscar soluções para os desafios da atualidade, garantindo o desenvolvimento de profissionais qualificados para um mundo de mudanças”, afirmou.

cieerstolfoO presidente do Corecon-RS, economista Rogério Tolfo, falou da importância da parceria que vem sendo desenvolvida com o CIEE-RS, o que tem nos colocado mais próximo dos nossos futuros profissionais, que são os estudantes de ensino médio. “Isso tem nos possibilitado melhor compreender a trajetória desses estudantes, assim como seus anseios e necessidades ao longo de sua caminhada em direção ao futuro”, completou.

A fiscal do Corecon-RS, economista Inara Betat, apresentou breves comentários sobre a importância do Conselho como órgão fiscalizador e de apoio à valorização da profissão de Economista. Falou sobre as faculdades de Economia existentes no RS a “da sua importância como agente formador de conhecimento e, por consequência, fomentador das economias regionais”.

cieersvanessa2Ao iniciar sua palestra, Vanessa Sulzbach agradeceu o convite do CIEE-RS e parabenizou a Entidade pelas iniciativas voltadas às oportunidades de estágios aos estudantes, preparando-os de forma sólida para o seu futuro profissional. Iniciou sua apresentação, falando sobre a contribuição da elevada incerteza geopolítica para a moderação da atividade global. Disse que as previsões apontam para a menor taxa de crescimento desde a crise financeira de 2009 e que todas as economias, avançadas e emergentes, tendem a apresentar sinais de desaceleração, em função da prolongada incerteza geopolítica, com crescentes tensões comerciais entre os EUA e a China e, ainda, pela desaceleração das economias dos países emergentes, sobretudo da economia chinesa. “E as economias brasileira e gaúcha já começam a sentir os efeitos dessa desaceleração mundial”, afirmou, lembrando a queda de 16,2% das exportações gaúchas até setembro deste ano, agravadas, também, pela debilidade econômica da Argentina, principal parceira comercial do RS. “Não esperemos que o ambiente externo tenha capacidade de contribuir significativamente para o crescimento das economias brasileira e gaúcha, ao menos no médio prazo”, alerta. A economista lembra que o PIB brasileiro ainda se encontra abaixo do nível pré-recessão, de 2014 a 2016, e que as perspectivas, em função da lenta recuperação, devem fazer o país retomar o nível de produto que possuía antes da crise apenas no período entre 2021 a 2024.. Classificou como “preocupantes” a baixa produtividade e o baixo crescimento da renda per capita dos brasileiros e disse que o ajuste fiscal da União e dos Estados, incluindo a reforma previdenciária, são importantes para a estabilização da relação dívida/PIB no longo prazo, dando uma nova perspectiva sobre a capacidade do país de honrar seus deveres e de atrair novos recursos externos que auxiliam a retomada dos investimentos no País. Falou da importância da reforma tributária, do aumento da eficiência do gasto público, em especial na educação, e da abertura econômica como condição de buscar o aumento da produtividade. “Lógico que, em todo este contexto conjuntural, a estabilidade dos preços e a redução da Selic tendem a contribuir para um ambiente macroeconômico mais salutar para a retomada dos investimentos e do crescimento econômico”, completou.

cieersvanessa1A conselheira do Corecon-RS afirmou que, embora o nível da atividade econômica do RS ainda se encontre abaixo do período pré-recessão, a economia gaúcha tem se destacado ao longo de 2019, com um crescimento acima da média nacional. E a justificativa foi o aumento da produção agrícola, concentrada nos primeiros meses do ano, assim como a indústria de transformação, que foi o setor que apresentou maior crescimento do ano, motivada pelo setor metalomecânico, através das vendas de carrocerias de caminhões e de veículos automotores leves. Lembrou que o comércio do RS, com uma expansão de 3,3% no acumulado até agosto, ficou bem próximo dos 3,5% registrados pelo setor em nível nacional. Disse que as exportações do RS apresentaram uma queda de 16,2%, até o mês de setembro deste ano, como reflexo do recrudescimento dos fluxos dos comércios mundiais. Explicou que a agropecuária tem sido o setor mais prejudicado, com uma queda de 21,3% dos embarques para a China, seguido pelos segmentos de Veículos automotores e Máquina e equipamentos, que também sofreram quedas expressivas nas vendas, especialmente para a Argentina. No total, os embarques gaúchos para o país vizinho sofreram queda de 41% entre janeiro e setembro de 2019. Afirmou, também, que a recuperação do emprego no RS tem sido lenta e gradual, que a massa de salários tem apresentado alta desde o terceiro trimestre de 2018, na comparação com o mesmo período do ano anterior, e que a geração líquida de empregos permanece estagnada nos mesmos patamares de 2018.

cieerstodos1Ao finalizar sua apresentação, Vanessa Sulzbach disse que os dados mais recentes da atividade econômica gaúcha têm apontado para um quadro de leve desaceleração no segundo semestre, mas que é esperado um crescimento acima do nacional no fechamento do ano. Lembrou que a contribuição da agropecuária se dá preponderantemente no primeiro e segundo trimestres do ano e que os dados da produção industrial apontam para uma redução do ritmo de crescimento no ano. “Para os próximos meses, espera-se uma desaceleração do ritmo de crescimento da economia gaúcha, que não deve afetar a posição de avanço acima do ritmo nacional durante este ano”, concluiu.

Também participaram do Café da Manhã o conselheiro do Corecon-RS, economista Aristóteles Galvão, o ex-presidente, economista Clovis Meurer, e o ex-conselheiro Vladimir da Costa Alves.

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