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Equilíbrio e Corecon-RS encerram I Maratona de Economia da UFRGS

Encerrou, na noite de terça-feira, dia 20, a I Maratona de Economia da Universidade, numa promoção conjunta do Corecon-RS e a Empresa Júnior Equilíbrio, da UFRGS. O evento, que aconteceu nos dias 19 e 20 de novembro, no auditório da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, reuniu economistas, oriundos do setor público e do setor privado, para apresentaram a estudantes de economia, administração, entre outros cursos, temas de conjuntura, além de depoimentos sobre o mercado de trabalho e a caminhada profissional.


O evento foi aberto, na noite de segunda-feira, pelo estudante de Economia da Universidade, presidente da Equilíbrio, Thales Gregolin, que deu boas vindas ao público participante e falou dos objetivos do Encontro, que é “proporcionar experiências de profissionais de economia sobre sua trajetória profissional”. 


“Trajetória de uma Economista: da rampa do Niemeyer à Lomba do Pinheiro” foi o tema escolhido pela Diretora da Justiça, da Secretaria do Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e dos Direitos Humanos do Estado do RS, economista Ana Severo, que apresentou um relato de sua trajetória estudantil, iniciada em Brasília, no início dos anos 80, logo depois de, inclinada a cursar arquitetura, descobriu sua paixão pela economia. Explicou que o Brasil saía de um período de milagre econômico para entrar, anos depois, no segundo choque do petróleo, pela maxidesvalorização do cruzeiro, dívida externa e pela instabilidade econômica do cenário internacional. Vivendo no Depois de frustração com estágio no setor público, experimentou o sonho de empreendedora de turismo, tolhido logo em seguida pelo Plano Collor, instituído em março de 1990. Retornou a Porto Alegre, onde iniciou, no ano seguinte, o mestrado em Administração pelo PPGA da UFRGS, época em que foi aprovada em concurso público para a Secretaria da Fazenda do RS, abrindo, então, os horizontes para sua trajetória no setor público, com grande foco para a área de gestão e planejamento. Foi secretária adjunta de Planejamento e Gestão e chefe adjunta da Casa Civil do governo Yeda Crusius, retornando, mais tarde para a Sefaz. Convidada para assumir o cargo de Diretora de Justiça, durante o governo Sartori, atuou na elaboração de políticas de prevenção à violência e letalidade juvenil, onde constatou espaço importante para atuação de economistas, estatísticos e cientistas sociais, em função da carência de dados e da falta de avaliação de impactos dessas políticas. Ao finalizar a apresentação, lembrou o surgimento de novos campos para atuação do profissional de Economia, como economia do crime, economia feminista, economia do cuidado, meio ambiente, ciência de dados, entre outros. Parafraseando Michael Porter, diz que “Acertei em procurar meu diferencial. Quando agir localmente, pense global. Quando seu agir for global, pense o impacto local. O trabalho tem que fazer sentido”, disse.

clovis“O lucro é muito bom”, afirmou o Sócio e Diretor Superintendente da Companhia de Participações (CRP) e ex-presidente do Corecon-RS, economista Clóvis Meurer, ao iniciar seu depoimento. Falando sobre “Economia e empreendedorismo”, o economista elogiou a presença do setor público como instrumento de regulação da economia, mas ressaltou a importância do empreendedorismo como forma de fortalecer e desenvolver a estrutura econômica do país. Explicou a atuação da CRP Companhia de Participações, que procura fazer investimentos em empresas de qualquer porte, desde que já tenham um produto desenvolvido, geralmente promovidas por jovens ligados à área de tecnologia e inovação. Disse que a participação do economista nesse contexto é fundamental para a realização dos cálculos e prospecções do volume de lucro que determinado investimento vai gerar ao longo de um determinado período de tempo. Ressaltou a importância do conhecimento gerado a partir dos cursos de economia, com o uso da microeconomia, através do cálculo de projeções, projetos e taxas de retorno, é fundamental para a escolha da dimensão do retorno do investimento. “Saibam inglês, matemática e estatística, saber perguntar e projetar o cenário para o futuro, fundamentais para a compreensão dessa realidade. Aprendam a perguntar e a projetar cenários para o futuro. Sejam estudantes, mas procurem ser empreendedores, seja no setor privado, ou, mesmo, no setor público”, complementou.

portugalNa noite seguinte, o economista Marcelo Portugal, professor de Graduação e Pós-Graduação em Economia e em Administração da UFRGS, abordou a unificação monetária no Mercosul. Iniciou sua apresentação, dizendo que nos países do Mercosul claramente não estão presentes as condições necessárias para a adoção de uma moeda única, por não existir sincronia de ciclos econômicos entre eles. Lembrou que, em áreas de livre comércio não existem obstáculos comerciais entre seus membros, mas as regras comerciais entre eles e países de fora da área são comuns. “Não somos nem mesmo uma área de livre comércio”, afirmou. Elencou uma série de condições consideradas necessárias para que uma determinada área geográfica tenha uma moeda única e alertou que a moeda única pode ser um problema, já que o câmbio, que pode ser bom para um país, pode não ser para outro, dependendo das características de sua economia. “Um país pode estar em recessão e com inflação baixa, recomendando uma redução na taxa de juros, enquanto um outro país membro da união pode estar com a economia superaquecida e elevada inflação, requerendo uma elevação de juros”, disse. Disse que a idéia básica para a unificação é que as economias dos países membros sejam realmente integradas, com livre mobilidade do trabalho e do capital, flexibilidade de preços, livre fluxo de bens, sincronização do ciclo de negócios e com sistema fiscal integrado. Apresentou uma análise histórica sobre as experiências da União Europeia que, a seu ver, não passava de um projeto político e também não reunia as condições necessárias para a unificação monetária e citou exemplos de crises na Grécia e Itália.
 

portugalAo abordar o tema “Ciência de Dados para o Economista”, o Avaliador de Empresas e Marcas e sócio-fundador da Macadar Avaliações, economista Jaime Macadar, explicou que a Ciência de Dados alia a informática a outras áreas interdisciplinares, como estatística, economia, engenharia e outros subcampos da computação. “Existe há 30 anos, mas ganhou destaque com a expansão e a conectividade dos sistemas de informação”, ressaltou. Apresentou uma análise sobre a função, oportunidades criadas pela Ciência de Dados, assim como suas inúmeras aplicações no mundo contemporâneo, como detecção de fraudes, carros automatizados, sistemas de monitoramento, detecção e prevenção de epidemias, combate ao crime e ao terrorismo, entre outras.


O uso de Econometria no mercado de trabalho foi o último tema da noite, apresentado pelo gerente de Análise Econômica do Banco Cooperativo Sicredi, economista Pedro Lutz Ramos. Falou sobre os métodos quantitativos que vêm sendo utilizados, de forma crescente, pelas empresas, e a eficiência da Econometria como ferramenta de análises mais robustas, colaborando de forma efetiva nas tomadas de decisões. Ressaltou a importância do conhecimento de programação para a Ciência de Dados e disse que as empresas estão, cada vez mais, acumulando uma série de informações sobre seus clientes, suas operações, seus fornecedores e seus colaboradores, principalmente pela queda dos custos computacionais e pela disponibilidade de softwares livres, como R, Gretl e o Octave, que vêm ganhando espaço relevante e adquirindo cada vez mais confiabilidade. Discorreu sobre as aplicações de diferentes modelos de análise utilizados pelo mercado e, especialmente, sobre o método quantitativo utilizado em instituições financeiras ou, mesmo, o Machine learning, para estudos mais abrangentes. Ao concluir sua apresentação, falou da importância do economista no contexto da Ciência de Dados, especialmente pela sua acumulação teórica e conhecimento de econometria. “Falta, apenas, o economista sinalizar a vontade de trabalhar com ciência de dados e aprimorar-se na programação em diferentes linguagens”, completou.