slogan

SELO ENEF RGB 01

Crise dos combustíveis é reflexo do populismo

No imaginário popular, o governo é uma entidade à parte do cidadão, que tudo pode, que dispõe de uma fonte inesgotável de dinheiro. E essa crença encontra guarida nos governos populistas, sempre dispostos a atender aos anseios presentes dos cidadãos, sem se preocuparem com os prejuízos futuros que causarão aos próprios cidadãos.

O que ocorreu com a Petrobras é um exemplo clássico dessa afirmativa, ela que, além do populismo, foi vítima de uma corrupção desenfreada, por uma gangue multipartidária que lhe saqueou bilhões de reais.

Examinando-se seus balanços nos últimos anos, verifica-se que só em 2015 ela apresentou um prejuízo de quase
R$ 35 bilhões. Para efeito de comparação, trata-se de um valor superior à receita de todos os Estados da Federação, menos três. Sua dívida cresceu 139% em quatro anos, atingindo R$ 354 bilhões, quase cinco vezes a divida de nosso Estado e 20% maior do que a dívida do Estado de São Paulo, o mais rico do país.

A principal causa desse descalabro foi o populismo praticado nos combustíveis, que foram vendidos a preços menores do que o custo, política que muitos querem de volta.

O atual presidente da empresa alterou corretamente a política de preços, condição necessária para evitar a repetição dos altos e recorrentes déficits. No entanto, o preço do petróleo e a cotação do dólar subiram muito, e isso se refletiu nos preços internos. Seu erro foi a adoção dos reajustes diários, porque não há como transferi-los aos fretes, causando enormes prejuízos aos prestadores dos serviços.

Poderia se esperar do governo que criasse um fundo para equalizar os preços, mas isso fica impossível, quando o déficit anual da União, somando-se os juros, vai a quase meio trilhão de reais!. Para se ter a dimensão desse valor, ele corresponde a R$ 1,4 bilhão diário, o que daria para duplicar a BR 116 entre Guaíba e Pelotas, uma urgência para a qual não há recurso.

Por tudo isso, acabar com a corrupção é um imperativo e encontra apoio na população.
O mais difícil, no entanto, é acabar com o populismo, que recebe o aplauso fácil dos palanques e os votos nas urnas.

Artigo do conselheiro do Corecon-RS, economista Darcy Francisco Carvalho dos Santos, publicado na página 23 de Zero Hora, de 01/06/2018.