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Um ponto de mutação?


No começo da década de oitenta, há 40 anos atrás, havia uma sensação de insegurança no mundo, com a possibilidade de uma guerra em larga escala e sucessivas crises de oferta ocasionadas pelo preço do petróleo. Essas sensações contaminaram a produção cultural e o cotidiano de uma geração inteira. Nesse contexto reações como o fortalecimento do movimento ecologista e um processo de abertura política nos países comunistas culminando no fim da guerra fria, inverteram as perspectivas no final da década.

É do começo dos anos 80 também o livro “O ponto de mutação”, de Fritjof Capra, onde o autor, um físico austríaco, constata que em diversas áreas o final do século XX demarcaria uma transição em várias áreas do conhecimento e em processos sociais relevantes.
A crise deflagrada pela pandemia do covid-19 empobrece o mundo momentaneamente, com empresas, rendas e empregos perdidos. Ademais, cria incertezas sobre as condições sanitárias que demorarão tempos para serem dissipadas. Logo, como firma Capra em seu livro: “Na medida em que o meio ambiente muda, o cérebro amolda-se em resposta a essas mudanças”.

Ao grande, ou bem posicionado, a aposta será a da concentração de mercado e de produtos mais enxutos e adaptáveis. Ao pequeno, a estratégia de guerrilha será a ordem do dia: movimentações rápidas, adaptabilidade e o aproveitamento de oportunidades sabidamente passageiras, com produtos desenhados para a particularidade de cada um dos clientes. Ademais, novos setores se abrem na esteira da queda de outros setores, exigindo a repaginação das marcas e do posicionamento dos empreendedores. O grande será pequeno e o pequeno se tornará grande.

Aqueles que entendem que soluções do século XX serão respostas adequadas para a crise da pandemia, em todas as atividades, no máximo poderão obter respostas de curto prazo e, muito provavelmente, apenas tornem mais complicados o médio e longo prazo. Certamente, o ponto de mutação apresenta-se e todos os movimentos que eram processuais tornaram-se abruptos.


Artigo de autoria do economista e professor da PUCRS Gustavo Inácio de Moraes, publicado na edição do dia 09 de junho de 2020, do Jornal do Comércio.