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“O grande desafio é transformar volume da safra em riqueza”, afirma Antonio da Luz

leo e antonio Impactos da supersafra nas economias do Brasil e do Rio Grande do Sul foi o tema do Economia em Pauta, ocorrido na noite do dia 12 de abril, quarta-feira, no Hotel Plaza São Rafael, que teve como palestrantes o Economista-Chefe do Sistema Farsul, Antono da Luz, e o jornalista Âncora do programa Campo e Lavoura, da RBS TV, Léo Saballa Jr.

O encontro foi aberto pelo presidente do Corecon-RS, economista Clovis Meurer, que agradeceu a presença dos palestrantes e ressaltou a importância do assunto, especialmente pelo impacto que a supersafra prevista para este ano trará à economia brasileira e, especialmente, à gaúcha.

leo fechado2Leo Saballa Jr iniciou sua apresentação informando que está trabalhando na RBS há 12 anos e que já atuou em praticamente todo o tipo de cobertura jornalística. Passou dois anos em Brasília, trabalhando diretamente com o política, foi para a TV Com e apresenta o programa Campo e Lavoura, da RBS TV há pouco mais de um ano. Afirmou aos presentes que apresentaria duas importantes reportagens, veiculadas recentemente em seu programa, que enfocam de forma muito clara os impactos positivos nos números da agricultura, que já, em 2016, se começava a sentir no campo.

 

 

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Uma delas, que cita o exemplo da cidade de Cruz Alta, no noroeste gaúcho, que aborda a forma como o agronegócio movimenta a economia através da contratação de mão de obra. Explica que o município terminou 2016 com o maior saldo positivo na geração de empregos e que entre demitidos e contratados, teve saldo de 1085 novas vagas ocupadas, sendo 88% deste total, no agronegócio. A outra matéria mostra o reflexo do emprego, que se estende também ao comércio de máquinas e implementos agrícolas. Explicou que o IBGE já estimava a safra de 2017 como a maior dos últimos 14 anos e que a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores também já previa um incremento de 13% nas vendas de máquinas e, portanto, um fôlego para o segmento que havia sofrido queda de 5% em 2016. “Neste momento, o agricultor já começava, inclusive, a buscar linhas de créditos nos bancos, visando à aquisição de uma máquina mais moderna e maior para o trabalho de sua lavoura”. Ficamos felizes quando conseguimos apresentar um jornal que não fale apenas de coisas ruins”, complementou, ao referir-se à série de reportagens veiculadas com a intenção de destravar as obras de duplicação da BR 116, ligando Porto Alegre ao porto de Rio Grande, “que têm causado tantos prejuízos à economia do Rio Grande do Sul e do País”.

leo e antonioO economista Antonio da Luz iniciou sua apresentação falando sobre a importância da agropecuária para a economista do Rio Grande do Sul. Através de gráficos, demonstrou que nos anos 2005 e 2012, quando ocorreram quedas no PIB agropecuário do estado, em função de secas, também ocorreu queda do PIB gaúcho como um todo, e que, nos anos de recuperação de safra, o RS experimento crescimento do PIB global. Explicou que isso decorre da importância da agropecuária na composição do PIB global do estado, com a distribuição dos ganhos da safra pelos diferentes setores da economia, como a indústria metal mecânica e o próprio setor serviços, através do comércio de produtos voltados à agricultura.

Disse que a previsão de faturamento desta safra é de R$ 39 bilhões, sendo que o equivalente a cerca de R$ 24,5 bilhões deverão ser absorvidos por setores que embora não pertençam à agricultura, tem no setor importante fonte de grande demanda. Lembrou que, após uma análise da distribuição dos números pelas diferentes cadeias produtivas e a aplicação de uma projeção da taxa de crescimento do setor, chegou-se a uma expectativa de um PIB do agronegócio de R$ 153,1 bilhões a partir desta safra, o equivalente a 40,95% do PIB gaúcho, “o que demonstra, sem dúvida, uma força econômica extremamente significativa e bastante entrelaçada”. Apresentou uma comparação do saldo de empregos gerados pelos municípios gaúchos ligados à agricultura, detentores de PIB agropecuário maior ou igual da 30% do PIB total, e os demais, entre os anos de 2013 e 2016, onde se constata que, mesmo nos períodos de maior crise do setor, embora tenham reduzido oferta de postos de trabalho, esses municípios continuaram contratando, ao contrário dos outros, que apenas destruíram vagas de emprego”.

antonio de pe 1O economista da Farsul apresentou dados sobre projeções do consumo mundial de grãos, como arroz, milho, soja e trigo, além do consumo de carne bovina e leite, que estimam importante aumento de demanda, especialmente nos países asiáticos. Explicou que até 1997 o Brasil era importador de alimentos, e que, agora, por uma questão de demanda, de oferta e de geração maior da economia, precisa colocar sua produção excedente no mercado internacional. “Os desafios e oportunidades ocorrem no sentido de que consigamos transformar todo esse volume em riqueza. Produzir volume é o resultado da produção e produzir riqueza depende do faturamento, do consumo intermediário”, destacou. Apresentou dados sobre a projeção das safras brasileira e gaúcha entre os anos de 2015 e 2026 e falou da necessidade de superar os principais gargalos no escoamento da safra, o que demonstrou, comparando os níveis de produtividade e os custos operacionais da produção brasileira com a dos EUA e países da América Latina. ”Quanto mais agricultura, mais indústria e serviços teremos”, disse, reconhecendo que há uma grande janela de oportunidades para os próximos 10 anos, embora não veja qualquer movimento sério de melhoria da infraestrutura para atender a essa demanda. “Precisamos reduzir muito nossos custos de produção e, em primeiro lugar, buscar alternativas de transporte que passem pelo uso de nossas hidrovias”, alertou.

antonio fechado1Antonio da Luz encerrou sua participação falando sobre a importância do setor agrícola como meio de atuação do economista. Para ele, o produtor rural é um grande gerador de emprego de alta performance, e o produtor gaúcho e, em especial o brasileiro, é, por natureza, um maximizador de produção, já que acredita que, assim, está diminuindo o custo médio e aumentando a sua renda. “E o papel do economista é, através de seu conhecimento técnico, mostrar que, nessa relação, o mais importante é maximizar o lucro”.

No final do evento, foi servido um coquetel aos presentes, com a cortesia da Água Mineral Sarandi, Vinícola Laurentia e Hotel Plaza São Rafael.

 

 

auditorio1Além do presidente Clovis Meurer, estiveram presentes ao evento o vice-presidente Rogério Tolfo, os conselheiros Aristóteles Galvão, Bruno Breyer Caldas, Guilherme Stein e Jorge Melo, os ex-presidentes Antonio Carlos Brites Jaques, Ário Zimmermann e Lauro Renck, o ex-vice-presidente Carlos Abel e o ex-conselheiro Vladimir da Costa Alves.