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SELO ENEF

Confiança do empresariado e greve dos caminhoneiros

ricardoRicardo Filgueras Nogueira
Economista, Assessor Econômico da Fiergs
Corecon-RS Nº 6232

Qual o impacto da greve dos caminhoneiros na economia do Rio Grande do Sul?
No curto prazo, paralisação da produção e das vendas, inclusive exportações, com a falta de matérias primas e componentes e a impossibilidade de escoamento. O principal efeito, porém, é o aumento da incerteza quanto aos rumos da economia, que já vinha em patamar elevado e crescendo em função da indefinição do quadro eleitoral. A maior incerteza terá um impacto adicional negativo na atividade nos próximos meses, principalmente, nos investimentos e, consequentemente, no emprego. As expectativas de mercado consolidadas pelo Boletim Focus do Banco Central já sinalizam desaceleração do PIB nacional. Há quatro semanas o mercado projetava um crescimento de 2,7% para 2018, previsão esta que caiu para 2,18% no dia 01/06/2018. No RS, o cenário não deve ser diferente.

E para indústria gaúcha, há alguma estimativa de perdas?
Somente nos próximos meses teremos um levantamento mais preciso dos prejuízos. Na Fiergs, fizemos uma estimativa das perdas de faturamento do setor durante os três ou quatro primeiros dias da greve, que chegou a um montante de R$ 1,6 bilhão. Segmentos de bens perecíveis, como alimentos, bebidas, laticínios, são os que mais sofreram. A indústria deixou de produzir e faturar naqueles dias, mas deve recuperar parte disso nos próximos meses. No entanto, o maior impacto ficou por conta do setor de serviços, já que grande parte do que não foi prestado naquele momento, foi literalmente perdido.

Esse valor representa o que deixou de ser injetado na economia nesses primeiros dias de greve?
Sim. Mas há outras perdas. Para as indústrias exportadoras, por exemplo, há também multas pelo atraso na entrega dos produtos. Há ainda os custos que muitas indústrias terão para a retomada das suas atividades, tais como aquecimento de caldeiras e fornos, limpeza e manutenção de máquinas que não poderiam parar. Por fim, grande parte do custo do acordo do governo para por fim à greve foi para a indústria, com maior carga tributária.

E como fica a expectativa do empresariado? A maior incerteza tem um impacto tão definitivo assim?
Um ambiente de incerteza dificulta o planejamento das empresas, com impacto direto na confiança do empresário. Nesse sentido, a maior consequência, tanto em termos de Rio Grande do Sul como em Brasil, é a redução da confiança do empresário, que já vinha em trajetória de queda mesmo antes da greve dos caminhoneiros, em função do desempenho econômico abaixo do esperado e da indefinição eleitoral. Nesse cenário, investimentos e contratações tendem a ser adiados ou até mesmo suspensos. Penso que até as eleições a economia deve apresentar uma desaceleração adicional.

O que vocês esperam da próxima edição da pesquisa de confiança do empresariado, que será divulgada em breve?
A Pesquisa, produzida pela Fiergs, deverá ser divulgada na metade deste mês de junho, quando conseguiremos ter uma leitura mais clara do impacto na confiança do industrial gaúcho. Evidentemente que, em face de todo esse cenário bem complicado, pode se esperar uma queda significativa.