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Economia do Vale do Rio Pardo já mostra retomada de crescimento

fabiana post

 

Fabiana Post
Economista
Corecon-RS Nº 7497

 

 

A economia do Vale do Rio Pardo já começa a demonstrar algum tipo de retomada de crescimento?
O saldo de contratações e demissões no Vale do Rio Pardo, após dois anos de fechamento negativo, apresentou melhora em 2017, onde 747 novos postos foram criados. O primeiro trimestre de 2018 também apresentou saldo positivo, puxado em grande parte pela indústria, especialmente a do fumo, setor motor da economia do Vale do Rio Pardo. Das 9.552 admissões neste trimestre, na região, 4.012 estão na indústria do fumo e couro, distribuídos nos municípios de Santa Cruz do Sul, com 2.327, Venâncio Aries, com 1.623 e Vera Cruz, com 62 admissões. Neste cenário, a ocupação de maior expressividade é a função de auxiliar de processamento de fumo, onde estão 50% das contratações. Essas vagas são na sua maioria por tempo determinado, variando o tempo de duração de acordo com a função e o andamento da safra.

A economia da região apresentou outros destaques positivos?
Sim. Outro destaque é para a indústria calçadista, que tem mantido saldo positivo entre contratações e demissões desde 2015, apresentando crescimento progressivo do setor, abrindo 324 novas vagas em 2015, 423 em 2016, 565 em 2017 e no primeiro trimestre de 2018, 117 novos postos foram criados.

Que município se destacou no número de contratações de mão-de-obra?
Candelária é o município do Vale do Rio Pardo que apresentou o maior saldo positivo em 2017, com a abertura de 425 novos postos e, é ainda o único município da região que nos últimos cinco anos, não apresentou saldo negativo. No município foram registrados de 2014 a 2018, 947 novos postos de trabalho, tendo como força motriz o setor calçadista.

Quais setores têm se destacado positivamente?
Além da indústria calçadista, também a indústria de metalurgia, após o fechamento de 695 postos de trabalho em 2015, tem apresentado recuperação desde 2016, com as contratações superando as demissões. O mesmo acontece com a indústria mecânica, que teve um período mais longo de declínio e cujo saldo de contratações/demissões passa a ser positiva em 2017 e 2018. O setor da construção civil, por sua vez, que nos últimos 4 anos, fechou 738 vagas, sendo que destas, 561 se deram em Santa Cruz do Sul, município que entre os anos de 2014 e 2017, fechou 1.003 postos de trabalho, inicia uma retomada de crescimento, bastante tímida ainda, mas com saldo positivo de 36 vagas neste primeiro trimestre, considerando as contratações e demissões do setor, realizadas pelos municípios que compõe o Vale do Rio Pardo.

E como tem se comportado o setor de serviços?
O comercio varejista não tem apresentado resultados positivos, sendo o saldo dos primeiros três meses de 2018, negativo em 106 vagas, diferentemente do ano anterior, que apresentou uma recuperação e o numero de contratações superou as demissões, fechando o ano com saldo positivo de 117. Diferentemente do setor varejista, o atacadista, apresentou um incremento no número de contratações, com 410 ante 160 demissões, resultando em um saldo positivo de 250 vagas.

E no acumulado dos últimos anos, como está a economia da região?
Considerando o saldo acumulado para os municípios do Vale do Rio Pardo, entre 2014 a 2017 o número de demissões supera o de contratações. Apesar de, em 2014, terem sido gerados 2.102 novos postos, os anos de 2015 e 2016, mostram uma desaceleração da economia e do nível de emprego, com o fechamento de 3.059 postos de trabalho na região. Somente em Santa Cruz do Sul, nestes dois anos, foram eliminadas 2.159 vagas. Em 2017, esse cenário apresentou-se um pouco mais otimista, com as contratações superando as demissões. No entanto, esse incremento na criação de vagas, ainda é insuficiente para alcançarmos o mesmo patamar de 2014.