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Evidências do movimento conjunto dos preços das commodities

 

 

 

Priscila Linck
Economista, 1º Lugar “Prêmio Corecon-RS” de Monografias/2017
Corecon-RS Nº 8527

 


Qual a proposta do trabalho “A Dinâmica de movimento conjunto dos índices de preços das commodities: Uma aplicação Econométrica”, 1º Lugar no “Prêmio Corecon-RS 2017”, categoria Monografias?

O trabalho buscou identificar a existência de um movimento conjunto dos índices de preços de diferentes grupos de commodities, como energia, metais, matéria prima agrícola e alimentos e bebidas. Partindo de uma crítica à proposta de Fernando Ribeiro (2009), amparado pela teoria tradicional, que propõe que a diversificação das exportações, indiferente do produto, ainda que dentro do grupo de commodities, libertaria o país da vulnerabilidade externa e da susceptibilidade a problemas de restrição de balanço de pagamentos. Para identificar a existência de co-movimento entre os índices de preços supracitados, foram utilizados os Modelos de Mudança de Regimes Markovianos e os Modelos Vetoriais de Correção de Erros (VAR/VEC).

Por que defendes a tese da diversificação das exportações?


Nos últimos anos o tema tem sido abordado com grande frequência, em função do aumento da participação de bens primários na pauta de exportações brasileira e da dualidade das linhas de pensamento quanto aos efeitos dessa concentração para o desenvolvimento econômico. Em 1997, os produtos não classificados como indústria de transformação (NCIT) representavam 17% da pauta de exportações do Brasil. Vinte anos depois, em 2017, a participação passou para 38%. Neste último ano, os bens de baixa intensidade tecnológica, como alimentos, bebidas, couro, representaram 26% das exportações. Já os bens de média-baixa, média-alta e alta intensidade tecnológica, juntos, correspondem a 36% da pauta de exportações. Nesse contexto, surgiu a proposta de Fernando Ribeiro (2009), além de outros autores, de que a diversificação da pauta exportadora, indiferente do tipo de produto, é capaz de quebrar o pressuposto de restrição de balanço de pagamentos abordado na escola estruturalista.

Com base nessas linhas de pensamento, o que buscaste com o trabalho?

Justamente em função dessa contradição, busquei, através de uma análise empírica, comprovar se a diversificação apenas no segmento de commodities seria suficiente, visto que, se há um movimento padrão entre todos os preços de diferentes commodities, a diversificação no segmento não é suficiente para livrar o Brasil da vulnerabilidade externa e problemas de balanço de pagamentos, refreando o desenvolvimento econômico e justificando a necessidade de diversificação ampla das exportações.

Quais as constatações obtidas através de modelos de mudanças de regimes markovianos e dos modelos vetoriais de correção de erros?

Os modelos de mudança de regimes markovianos possibilitaram visualizar que existe a permanência de diferentes índices de preços em regimes coincidentes em semelhante período, ou seja, os níveis de preços altos e baixos são análogos no tempo entre diferentes commodities. Além disso, os modelos permitiram a percepção de que o comportamento dos preços dos alimentos e bebidas e matéria prima agrícola apresentam maior proximidade entre si, assim como energia e metais. Ambos os modelos vetoriais de correção de erros constataram a existência de cointegração entre as séries, resultado que corrobora a existência de comportamento análogo dos preços das commodities. Por fim, os resultados de impulso-resposta indicam que, de mesmo modo, dado um choque generalizado nos índices de preços das commodities, ambas apresentam a mesma resposta de expansão no curto prazo, e efeito final a níveis de preços mais elevados em relação ao período anterior ao choque.

De uma forma geral, a que conclusões chegaste?

Os resultados empíricos, através dos Modelos de Mudança de Regimes Markovianos e dos Modelos Vetoriais de Correção de Erros (VAR/VEC) comprovaram a existência de comovimento entre os preços das commodities, demonstrando quebras comuns nas séries, além de uma relação estável no longo prazo, o que invalida a hipótese de redução da fragilidade frente aos choques externos e à volatilidade de preços pela diversificação entre commodities, dado que os diferentes preços se comportam de forma análoga, como um único produto em períodos de preços baixos ou elevados, não surtindo resultado diversificar as exportações dentro do segmento. Tal conclusão abre a discussão para a questão do tipo de especialização produtiva da região, abordada no presente trabalho pela teoria estruturalista de Raúl Prebisch, Anthony Philip Thirlwall e Nicholas Kaldor.