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SELO ENEF

2018: Recuperação cíclica

 



Patrícia Palermo
Economista-Chefe da Fecomércio-RS
Corecon-RS Nº 6589




Quais as perspectivas para a economia em 2018?

As perspectivas para a economia brasileira em 2018 são positivas. Nossa expectativa é de um crescimento de 2,8% para o PIB do país, com inflação sob controle e juros reais reduzidos. O ambiente externo continua favorável a países emergentes, como é o caso do Brasil, o que contribui para manter o câmbio estável. O cenário eleitoral, por mais incerto que se apresente, deverá apresentar pouco potencial para reverter o processo de recuperação da atividade econômica no ano. O imbróglio não resolvido das contas da previdência vai cobrar seu preço, ainda que a fatura só venha em 2019.

Pode-se afirmar que o pior já passou e a retomada está garantida?

Os números mostram que a recessão passou, mas a recuperação é um tanto frágil. Estamos vivenciando uma retomada cíclica. Para que ela se consolide e que tenhamos taxas de crescimento altas no longo prazo é fundamental que haja uma agenda de reformas que promova o ajuste fiscal, a justiça distributiva, o aumento da eficiência, enfim, a melhoria do ambiente de negócios.

Considerando os cenários, que setores deverão se destacar nessa retomada?

O ano de 2018 deverá favorecer a atividade produtiva em geral. Na agropecuária, é provável que tenhamos um resultado baixo, mas não porque esperamos que haja quebras de safra, mas porque a base de comparação é muito alta, o que dificulta uma performance alta, dado que o ano de 2017 foi extraordinário. A indústria, em especial a indústria de transformação, está vivendo um processo de recuperação bastante interessante. Ao longo de todo ano de 2017, o setor apresentou crescimento na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Além de a recuperação interna favorecer o consumo interno, o cenário externo também favoreceu as exportações, em especial de alguns ramos da indústria. Nos serviços, o cenário é favorável ao varejo, uma vez que se acredita que o consumo das famílias deverá ser a força motriz do crescimento em 2018. A recuperação, ainda que marginal, do mercado de trabalho teve impacto positivo na confiança dos indivíduos, retomando o consumo. A inflação sob controle diminuiu a pressão sobre o orçamento das famílias e os juros mais baixos vêm contribuindo para a retomada do acesso ao crédito das pessoas físicas.

Como estão as expectativas do empresariado? Ainda persiste algum temor para o investimento?

As expectativas dos empresários melhoraram nos últimos tempos. Se, por um lado não temos um otimismo disseminado, por outro lado, podemos afirmar que no último ano o pessimismo se reduziu sensivelmente. Entre os empresários do comércio gaúcho, por exemplo, desde setembro de 2017, registramos indicadores levemente acima da neutralidade no indicador que mede a confiança dos empresários do comércio. Na indústria do RS, o indicador de confiança não alcançava patamares tão altos desde meados de 2010. A melhora da confiança, em outros momentos, certamente seria um fator relevante para o aumento do investimento, entretanto a incerteza ligada à consolidação da recuperação econômica e a grande capacidade ociosa da economia ainda adia investimentos. Por mais que durante 2017 tenhamos observado uma escalada do investimento (crescimento marginal nos últimos 3 trimestres), em especial em máquinas e equipamentos, em grande parte isso se dá em virtude da necessidade de se evitar a obsolescência tecnológica e não para aumentar a capacidade produtiva. O ano de 2017 foi o quarto ano consecutivo de queda do investimento brasileiro, algo muito ruim para um país que precisa, e muito, aumentar sua produtividade. Em 2018, espera-se um aumento significativo do investimento, mas a base deprimida deverá ter alto grau de relevância nas variações que vierem a ser registradas.

Até que ponto este ano eleitoral pode ser um entrave para a economia?

O cenário eleitoral deve repercutir no ritmo de crescimento em 2018, devido à natural volatilidade de uma eleição repleta de incertezas, mas que dificilmente deverá reverter a retomada e trazer o país novamente à recessão em 2018. Como o consumo será a mola propulsora do crescimento e ele é menos suscetível a tensões eleitorais, isso acaba promovendo uma certa “tranquilidade” à economia no ano corrente, isto é, de certa forma temos um crescimento contratado para 2018. Basicamente as nossas escolhas para o executivo e para o legislativo também mostrarão seus impactos especialmente em 2019. Tomara que façamos boas escolhas! Nosso futuro agradece.