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O RS e a situação populacional

thiago andreisThiago Felker Andreis

Economista, pesquisador da FEE
Corecon-RS Nº 7626

 

 

Qual o objetivo do trabalho Estimativas Populacionais, lançado recentemente pela FEE?
O objetivo primordial da elaboração das estimativas populacionais pela FEE é conhecer os principais fenômenos ligados à demografia de nosso estado. Esse trabalho permite conhecer com grande exatidão a evolução populacional de cada um dos 497 municípios que compõem nosso estado, com segmentação de sexo e grupos etários por município, região ou Coredes. Esse tipo de informação, com o grau de detalhamento que desenvolvemos, é uma ferramenta muito útil para a elaboração de políticas públicas, seja em plano municipal, estadual ou mesmo nacional.

Qual a periodicidade?
Trata-se de um trabalho anual, publicado desde 2001, composto atualmente pelos pesquisadores estatísticos Pedro Zuanazzi e a Mariana Bartels.

Vocês detectaram alguma alteração significativa em relação aos outros anos ou o comportamento populacional vem se mantendo?
Existem dois pontos que merecem destaque. Em primeiro lugar, percebemos que existe a manutenção de uma tendência de a população do estado crescer cada vez menos. Em 2016, a taxa geométrica de crescimento anual foi de apenas 0,3%, a menor da série histórica. Para se ter uma ideia da diminuição, em 2002 o crescimento foi de 0,9%. Por outro lado, entre 2012 e 2016, houve um aumento de 5,1% na população de crianças de 0 a 4 anos, contrapondo-se ao decréscimo que havia nesta e nas outras faixas etárias de crianças menores de 14 anos nos anos anteriores. De um modo geral, o percentual de crianças na população gaúcha vem se reduzindo, mas nesse período mencionado houve um inesperado aumento da taxa de natalidade, o que não compromete a conclusão de que o RS tem, proporcionalmente, cada ano menos crianças.

De que forma se apresenta hoje a pirâmide etária do RS? A população está envelhecendo?
É muito claro o processo de envelhecimento da população gaúcha. A pirâmide etária do RS para o ano de 2016 pouco se parece com a de 2001. A base de nossa pirâmide é menor do que a porção intermediária, ou seja, tecnicamente já perdeu a forma piramidal. Além disso, pode-se observar um expressivo aumento no topo da pirâmide, especialmente na metade correspondente às mulheres. Em 2001 havia no estado um total de 138.910 octogenários. Em 2016 esse número passou para 248.969 pessoas. Pode-se concluir que o número de idosos vem aumentando no RS, mas é especialmente importante o aumento dos chamados súper idosos, que são aqueles com idade igual ou superior a 80 anos.

A que se deve a expectativa de vida do homem gaúcho ser tão inferior a da mulher?
Existem dois fatores que afetam diretamente a expectativa de vida dos homens gaúchos. Em primeiro lugar, temos a questão da violência. O homem está mais sujeito a morte violenta do que a mulher. E isso não inclui apenas as mortes resultantes diretamente de crimes, mas também as mortes acidentais, como no trânsito ou no trabalho, por exemplo. Alguns setores mais propensos a acidentes fatais, como a construção pesada, por exemplo, possuem uma predominância masculina na mão-de-obra. O segundo ponto é a questão do cuidado médico e do cuidado com a saúde. Ainda existe a questão cultural do homem não cuidar de sua saúde, o que afeta sua expectativa de vida.

Com relação aos movimentos migratórios internos, que municípios vêm ganhando e perdendo mais população?
O que se observa é que historicamente os municípios do oeste do estado, bem como os do norte, perdem população para os municípios da serra e do leste. Os pequenos municípios agrícolas acabam perdendo seus jovens para municípios maiores, onde se concentram as melhores oportunidades de estudo e trabalho. Nos municípios muito pequenos acabam restando os mais idosos.

E os municípios do litoral norte, por que vêm, há muitos anos, apresentando crescimento populacional?
De fato, o Corede Litoral é o que apresentou, entre 2001 e 2016, a maior variação positiva populacional. Cresceu 32,91% no período. Os municípios do litoral possuem um perfil que atrai bastante as pessoas que se aposentaram. São municípios bastante tranquilos na maior parte do ano, com uma topografia favorável, próximos à região metropolitana e propícios à pratica de atividades ao ar livre. Além disso, muitas famílias mantêm casas de veraneio no litoral, que acabam se tornando uma opção de moradia mais acessível.