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SELO ENEF RGB 01

Seja qual for o seu motivo, faça um mundo com mais Economia.

Maximizar lucro e não apenas produção

antonio da luz

 

Antonio da Luz
Economista-Chefe Sistema Farsul
Corecon-RS Nº 7549

 

Quais as perspectivas para a próxima safra de grãos?
Devemos ter uma safra recorde neste ano, já que temos uma previsão de faturamento de R$ 39 bilhões. E, melhor ainda, junto com essa maior safra deverá acontecer também a maior demanda por fertilizantes, máquinas, por químicos, agroquímicos, fármacos, pessoas, etc. Acontece é que uma supersafra não é feita só de grãos. Ela é feita por dezenas de segmentos econômicos e por milhões de gaúchos que se envolvem no processo produtivo, e que, por emprestarem seu trabalho à agricultura, acabam sendo também co-responsáveis por um resultado de volume como esse que teremos agora. Por isso que a agricultura é tão importante. Ela é altamente entrelaçada com outros setores, o que faz com que uma supersafra também seja um importante eixo de crescimento e de desenvolvimento econômico para o estado e para o País. Dessa previsão de faturamento, cerca de R$ 24,5 bilhões deverão ser absorvidos por esses setores indiretos. Após uma análise da distribuição dos números pelas diferentes cadeias produtivas e a aplicação de uma projeção da taxa de crescimento do setor, chegou-se a uma expectativa de um PIB do agronegócio de R$ 153,1 bilhões a partir desta safra, o equivalente a 40,95% do PIB gaúcho, o que demonstra, sem dúvida, uma força econômica extremamente significativa e bastante entrelaçada.

E como essa produção excedente será recebida no mercado internacional?
Temos uma expectativa para os próximos 10 anos de manutenção do crescimento muito forte na demanda mundial por alimentos, sobretudo na Ásia. Estamos falando, portanto, em aumentar a demanda para o mercado internacional e, consequentemente, a nossa capacidade de produzir para o mundo inteiro. O mercado mundial está se ampliando e, portanto, nós teremos excelentes oportunidades nessa próxima década. Nesse período, nós deveremos ter uma safra de 9,3 milhões de toneladas a mais do que temos hoje aqui no Rio Grande do Sul, e 68,5 milhões de toneladas no Brasil.

O Brasil está preparado para colocar esse produto lá fora?
Lógico que, para colocar esses produtos de forma competitiva no mercado internacional, os desafios ainda são muito grandes. Precisamos ter logística e infraestrutura. Precisamos ter modais que funcionem de maneira eficiente e uma logística que seja mais barata se quisermos competir no mercado global nos próximos anos. Em outras palavras, temos uma grande oportunidade, mas também, grandes desafios. Se não vencermos os desafios, teremos perdido uma janela de crescimento econômico pelo simples fato de não termos nos organizado para ela. E isso passa por uma mudança até meio revolucionária se pensarmos na forma como tratamos infraestrutura em nosso País e aqui no Rio Grande do Sul, em especial.

Que forma de mudanças?
Já temos hidrovias, basta apenas utilizá-las. E um dos grandes desafios é termos equipamentos adequados a nossas hidrovias, que são um dos nossos grandes gargalos. O principal deles é a questão legal. Por incrível que pareça, quem quiser utilizar uma hidrovia terá que enfrentar uma série de empecilhos do ponto de vista ambiental e legal, que outros países não têm. Temos tanta água em nosso país, com rios navegáveis que não são utilizados em função de uma série de restrições. Poderíamos transportar milhões de toneladas, com muito menos impacto ambiental e com custos infinitamente mais baixos. As pessoas sabem disso, mas não conseguem executar por conta das dificuldades que enfrentam no campo ambiental, legal e comercial.

Tem espaço para a atividade de economista na agricultura?
Não temos que crescer em produção, temos que crescer em produtividade, em lucro, e esse é o papel do economista no setor agropecuário. Todo esse crescimento do agronegócio tem que ser visto pelos economistas como uma oportunidade. O produtor é um grande maximizador de produção e não um maiximizador de lucro. E essa visão que ele tem de maximizar a produção e não o lucro se deve à ausência dos economistas para orientá-lo. Essa é a nossa arte, o nosso conhecimento. E por esse conhecimento e pelo treinamento que tivemos ao longo do tempo, sabemos que o caminho de maximizar o lucro não é o mesmo caminho de maximizar a produção. O produtor rural é um grande gerador de emprego de alta performance. O salário de um operador de máquinas voltadas à agricultura, por exemplo, é muito alto e, da mesma forma, o que ele paga para um agrônomo é muito dinheiro. Ele só não paga para um economista maiximizar sua lucratividade porque o economista não está lá no campo oferecendo o seu trabalho. Vejo os cursos de economia formarem burocratas, pessoas que se graduam em cidades do interior e vão trabalhar em grandes centros, nos bancos, no mercado financeiro, ao invés de atuarem no agronegócio, que é um setor que remunera muito bem e que é tão importante para a nossa economia.