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SELO ENEF RGB 01

Seja qual for o seu motivo, faça um mundo com mais Economia.

Expectativa e ansiedade movem a economia da Região Sul do RS

 

 

João Carlos Medeiros Madail
Corecon RS Nº 3356
Economista, conselheiro Corecon-RS


Qual o cenário econômico atual da Região Sul do RS?

Embora tenha sido a primeira região gaúcha a ser colonizada no estado, já viviam por aqui tribos indígenas, que presenciaram a chegada de militares que já haviam servido ao país, enviados pela Coroa portuguesa, para tomarem posse de grandes extensões de terras na forma de sesmarias, com a finalidade de assegurar as fronteiras brasileiras. Desde esse período, formou-se uma estrutura fundiária de extensões que até o presente não passou por mudanças expressivas. Em consequência, a matriz produtiva da região, baseada na monocultura agrícola e na pecuária extensiva, carece da diversificação para torna-la dinâmica e atrativa para novos negócios. Vários movimentos da sociedade organizada da região estão em andamento, visando à sua recuperação econômica. Entre eles a “Aliança Pelotas-Rio Grande”; o “Programa Líder Sul”, promovido pelo Sebrae; a “Azonasul”, Associação dos Municípios da Região Sul do RS e Corede Sul, Conselho Regional de Desenvolvimento da Região Sul do RS. Todos com projetos em andamento sinalizando a revitalização da região.

Quais os resultados dessas políticas implementadas pelo governo federal para o desenvolvimento dos polos navais na região? 

Esta política de recuperação da indústria naval brasileira, implementada em 2002, durante a gestão do presidente Lula, no município do Rio Grande, trouxe, num primeiro momento, grande alento para a economia de toda a região. Vários segmentos foram beneficiados, com destaque para os da construção civil e infraestrutura, onde os empregos diretos foram multiplicados por três. Outros segmentos, como o da alimentação e saúde, registraram acúmulo de demandas, atendidos por empresas e hospitais dos municípios vizinhos. Ao todo, foram mais de 20 mil empregos gerados, o que atraiu mão-de-obra de vários estados. Novas empresas foram criadas enquanto outras foram deslocadas para o município. Com a finalidade de buscar maior qualificação da mão de obra local, cursos específicos foram implantados nas escolas da região, como de soldadores, eletricistas, segurança do trabalho, sem contar o aumento da procura pelos cursos superiores de engenharia mecânica e elétrica nas universidades de toda a região. Só que, pouco tempo depois, toda esta euforia sucumbiu com a crise política-financeira instalada no governo federal, que culminou com a paralisação das obras no polo naval, assim como outras, em todo o território nacional. 

Como está a situação econômica neste momento?

No momento apenas duas empresas continuam operando. Uma em Rio Grande e outra em São José do Norte, responsáveis por uma geração total de cerca de dois mil empregos diretos. Evidentemente, são de extrema importância para o contexto da região, mas como ainda reina o desencanto com o fracasso anterior, não se tem a garantia da continuidade destes empreendimentos no médio e longo prazo.

Quais as expectativas futuras para a região?

A economia da região, mesmo inserida no cenário nacional de recessão, tem mostrado sinais de crescimento, se aproveitando do bom momento da soja, do arroz, das frutas e da pecuária de corte, principais produtos agrícolas da região, mantendo o PIB na média de estado e na 17ª posição entre os 28 Coredes do Rio Grande do Sul. 

Quais os diferenciais apresentados pela região para a atração de negócios e empreendimentos? 

A região é muito rica nos seus aspectos naturais, com fontes quase que inesgotáveis de água doce, solos férteis, concentração na produção de energias limpas, como os atuais parques eólicos. Da mesma forma, possui redes de ensino fundamental, médio e técnico de qualidade, uma expressiva concentração de universidades públicas e privadas, centro nacional de pesquisa da Embrapa Clima Temperado, sem contar o inquestionável potencial para o turismo. A presença do Porto Marítimo do Rio Grande é o grande diferencial para o escoamento da produção nacional e gaúcha para os mercados do Mercosul e resto do mundo. 

Quais os principais entraves para o pleno desenvolvimento da Região?

Por se tratar de uma vasta região, onde os municípios se encontram distantes uns dos outros, carece de infraestrutura de estradas com qualidade que os aproximem e, também, do porto do Rio Grande e da capital do Estado. Nesse sentido, a conclusão da duplicação da BR116, que liga a região à Capital, paralisada depois de significativos avanços, tem registrado prejuízos econômicos, já que 70% da produção gaúcha exportável circulam por ela. Outro grande problema tem sido os riscos inevitáveis de acidentes fatais registrados quase que diariamente ao longo da rodovia.

A região sul do estado pode voltar a ter uma economia pujante?

Pode sim e existem atrativos para tal, sendo o porto do Rio Grande um deles. No momento a economia do estado está concentrada na Grande Porto Alegre e na Região da Serra. A Região Sul do RS é a grande alternativa para a desconcentração da economia gaúcha, principalmente pela proximidade dos países do Mercosul, com os quais o Brasil tem intensas transações comerciais. A Região Sul do RS é uma das mais belas e ricas do estado, mas carece de oportunidades de negócios que estimulem a manutenção dos talentos nela gerados com o compromisso do desenvolvimento espacial. Dentro dessa meta, pode-se citar como objetivos a redução da concentração urbana do eixo Pelotas-Rio Grande e o desenvolvimento da consciência da fragilidade ambiental da faixa litorânea que a cerca e dos demais recursos naturais que a enriquecem sobremaneira.