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RS e a crise financeira

adalmir

 

Adalmir Antonio Marquetti
Economista, professor da PUCRS
Corecon nº 4390

Como o senhor está vendo a situação da crise financeira do Estado do RS?
As finanças do Estado do Rio Grande do Sul estão em crise. Mas há dois aspectos que precisam ser ressaltados. Um, conjuntural, na medida em que a economia brasileira entra em crise, provocando uma queda da arrecadação, e, também, há uma questão estrutural, que tem a ver com a dívida do Estado, com os gastos em previdência, precatórios, e, ainda, a própria questão dos benefícios fiscais que foram concedidos. Esse “caldo” tem feito com que esses déficits e as dificuldades pelas quais o governo tem passado.

E como sair dessa crise?
O primeiro aspecto a ser considerado para amenizar a situação é a economia retomar o crescimento econômico. Só que isso está fora da alçada do governo do Estado, na medida em que a política fiscal e a política monetária são determinadas pela governo federal. Esse é o principal aspecto porque, seja o tipo de reforma que for feita, se a economia brasileira e a economia gaúcha não voltarem a crescer, as finanças estaduais não irão se recuperar. Essa é a questão conjuntural, mais de curto prazo. O grande problema são as questões que envolvem os problemas estruturais do Estado.

O pacote encaminhado pelo governo do Estado à Assembleia pode resolver o problema?
No meu entendimento, o pacote proposto pelo governo do Estado não dialoga com as questões que estão postas, especialmente no que diz respeito às crises estruturais. Muitas das medidas do pacote possuem um caráter ideológico sobre o papel do estado na economia. Também é importante citar que existem questões que passam por uma negociação nacional e que não envolvem apenas os temas locais, como, por exemplo, os subsídios da guerra fiscal. Essa é uma questão nacional, que requer uma renegociação com os outros estados e com o próprio ente federado.

Quais os impactos da chegada de Donald Trump ao governo dos EUA nas economias brasileira e gaúcha?
Muito provavelmente teremos o fim do período do dólar fraco. Isso traz impactos para a economia brasileira e para a economia gaúcha. Então, devo ocorrer uma queda dos preços das commodities no mercado internacional. Por outro lado, o dólar forte significa também que o real estará mais desvalorizado, trazendo efeitos importantes sobre a competitividade de nossa indústria, que deve ser beneficiada. Mas, também temos que ver como isso vai influenciar as nossas relações com a China e os efeitos sobre a indústria chinesa. Eu diria que é um momento de muitas incertezas, é muito difícil de prever o que vai acontecer no futuro.

A China pode ser uma alternativa importante para o Brasil e Rio Grande do Sul?
A China importa as nossas commodities. Temos reduzidas opções para exportar produtos manufaturados para a China, mas podemos fazer isso para países da África, para os nossos vizinhos, e, dependendo das circunstâncias, para a Europa. Como as exportações de produtos industriais chineses para os Estados Unidos serão afetadas por um dólar mais valorizado e pela política comercial sob a administração Trump ainda são desconhecidas.

Até que ponto a nossa indústria, em função da desvalorização do real, está preparada para isso?
Eu acredito que a nossa indústria esteja preparada para, dentro de um câmbio adequado, competir. A questão de termos um ICMS nacional, unificado, ajudaria nossa indústria a competir com a importação de produtos industriais. Temos estados que dão isenção fiscal para importação de produtos chineses. Esse é um elemento importante para aumentarmos a competitividade do nosso setor produtivo e que ajudaria a resolver a crise fiscal do Estado.