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O que nos espera à frente

fraquelli

 

 

Antonio Carlos Fraquelli
Economista
Corecon/RS Nº 1108

 

A situação da economia brasileira está melhorando?
Prossegue em situação extremamente delicada. Há muitas restrições em curso sem perspectivas de equacionamento no curto prazo. A solução da crise política recomeça de um marco zero. A retomada da economia implica estratégia de ação que não foi formulada ou não foi ainda divulgada. A aceleração da dívida pública e a tolerância zero ao aumento de impostos limitaram o discurso do ministro da Fazenda à aprovação da PEC 241.

Como vem se comportando o IPCA?
Desde janeiro do corrente ano, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor - Amplo (IPCA) aumentou 1,27%, a expectativa é de desaceleração dos preços face, inclusive, ao gigantesco contingente de desempregados e à brutal recessão que assola o país. Entre junho e agosto, o índice mensal mudou de patamar (0,35% a 0,52%) e agora, em setembro, a pressão dos alimentos cedeu e o IPCA ficou em 0,08%.

E qual a expectativa do comportamento dos preços nesse último trimestre?
Em dezembro de 2015, o IPCA acumulado em 12 meses encontrava-se em 10,67%. Desde então ele oscilou para 9,38% (março 2016), 7,34% (junho 2016) e, agora, para 8,47% (setembro 2016). A inflação recua com menos intensidade do que aquela que era prevista porque os salários não têm acompanhado as mesmas quedas vigentes no emprego. A inflação deve fechar o exercício em 7,35 (dezembro 2016). As autoridades monetárias têm enfatizado que perseguirão a meta de 4,5% no próximo ano.

As possibilidades de a recessão chegar ao fim realmente são concretas?
A partir do fim da interinidade do governo em Brasília e antes da divulgação do comportamento da Indústria em setembro e do setor de Serviços, havia um clima de convergência para a retomada do crescimento da economia. O próprio FMI, no World Economic Outlook, lançado no corrente mês, projeta um crescimento de 0,5% para o PIB do Brasil em 2017. Ocorre que depois de dois anos de recessão a base de comparação é extremamente frágil.

Como vem se comportando a indústria?
No mês de agosto, a queda foi abrupta. Houve um recuo de 3,8% na produção industrial.

Qual a dimensão da queda apresentada pelo setor nos últimos 12 meses?
Durante todo o exercício de 2015, o desempenho da Indústria foi sofrível. Em 2016, depois da oscilação do primeiro trimestre, o produto registrou crescimento durante cinco meses consecutivos. A constatação de que o pior poderia ter ficado para trás é matéria de jornal (Estadão, 29.08, p. B3) sobre um estudo realizado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI). É nesse pano de fundo que a queda de 3,8% em agosto deve ser visualizada pelo observador atento ao cenário econômico.

E até o final de dezembro, o que vem por aí?
Reformas. Agora, de imediato, o avanço da PEC 241. Depois, a reforma previdenciária e, um pouco mais à frente, a reforma trabalhista. É o que ouço nas entrevistas das autoridades governamentais. Contudo, até o fim do ano não haverá tempo disponível para nada além da PEC. Eu creio que é preciso monitorar a expansão do discurso e o recuo da ação.