Campanha de Valorizacao do economista

O consumo de vinho sob a ótica de um Economista


 

Mauro Salvo
Doutor em Economia, Analista do Bacen,
Ex-Vice-Presidente Corecon-RS
Corecon-RS Nº 5630

 

 

De onde vem seu interesse pelo mercado de vinhos?

Frequentemente me perguntam o motivo que levou um economista a se interessar por vinhos. Costumo dizer que foi o mesmo que levou um adolescente a se interessar pelas ciências econômicas: a curiosidade e a inquietude diante de um assunto tão “misterioso” quanto fascinante. No caso do vinho, também havia a desconfiança, a dúvida de como poderia caber tanta informação, história, ciência, trabalho e paixão dentro de uma taça? Assim como quando decidi entender mais sobre economia, o mesmo se deu em relação ao mundo de Baco: no meu cérebro pairava uma dúvida sobre o que faria sentido e o que, de fato, era enganação nas falas dos especialistas.

E como surgiu a ideia do e-book?

A ideia de fazer esta pesquisa nasceu quando, ao perguntar aos agentes que atuam no setor vitivinicultor sobre o comportamento padrão do consumidor de vinho, recebia respostas pouco conclusivas. Faltavam dados robustos sobre diversas questões vitais para a análise econômica da atividade. Os vendedores, sejam eles lojistas ou produtores, conhecem os números de suas vendas, mas na maioria das vezes não sabem por qual motivo as pessoas demandam seus produtos. Esta lacuna de conhecimento pode não inviabilizar seus negócios, mas é pouco provável que otimize o retorno sobre o capital investido. Por isso o objetivo do questionário aplicado ao consumidor de vinhos no Brasil (e aos não consumidores) foi entender por que ele age de determinada maneira e quais condições seriam necessárias para mudar seu padrão de consumo. Sucintamente, a pesquisa visa delimitar as possibilidades para expansão da oferta e quais ações fomentadoras de vendas poderiam ser adotadas. Sem conhecer os números, muitas ações se tornam um “tiro no escuro”.

Quais as principais conclusões dessa pesquisa?

Sou suspeito porque acho que todas as informações do livro são muito úteis. Todavia, para ser mais específico, eu ressaltaria: as respostas que possibilitam medir a elasticidade-preço e a elasticidade-renda da demanda por vinho; os resultados referentes às preferências por gênero; e os resultados que relacionam as faixas de renda com as faixas de preços. Quanto às elasticidades, observa-se que os consumidores se mostraram pouco propensos a aumentos no consumo, seja por redução de preços, seja por aumento em suas rendas. No que tange à preferência por gênero, o resultado destrói o mito de que mulheres preferem espumantes quando mostra que cerca de 70% delas optam por vinhos tintos. Por fim, quando se confronta faixas de renda com faixas de preços, verifica-se que mesmo entre consumidores de renda alta parece haver um teto para o preço de uma garrafa de vinho, ou seja, não é uma relação proporcionalmente linear.

Qual o impacto da pandemia no mercado de vinhos no Brasil?

No que se refere a mudanças de consumo durante a pandemia, embora muitos tenham aumentado o consumo, uma boa parcela reduziu e outra manteve a demanda inalterada. A pesquisa mostrou que 42,1% aumentaram o consumo, 37,1% mantiveram a demanda inalterada, 15,5% diminuíram a compra e 5,2% pararam de consumir. No geral, durante a pandemia, o consumo de vinhos no Brasil cresceu muito. A expectativa é saber se continuará crescendo ou diminuirá, ou, ainda, para qual patamar irá no pós-pandemia.

Como os produtores brasileiros buscam atender a essa demanda?

Na realidade, a demanda por vinhos no Brasil supera em muito a capacidade de nossa oferta. A produção brasileira tem crescido, tanto nas regiões tradicionais como em novas regiões produtoras. Os produtores nacionais têm investido em novas tecnologias, seja nos vinhedos, seja na elaboração na adega. Novas castas têm sido plantadas, assim como vem surgindo novos terroirs. Mais produtores têm investido nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, bem como novos estilos de vinho vêm sendo lançados e testados no mercado brasileiro. Ações de marketing e “enoeducativas” também vêm ajudando no aumento do interesse dos consumidores. O desafio dos stakeholders do mercado é descomplicar o consumo do vinho, mostrando que o vinho pode ser “normalizado”, ou seja, pode ser consumido para comemorar um evento importante na vida das pessoas, mas, também, pode e deve ser consumido hedonisticamente no nosso cotidiano.

Quem tiver interesse em conhecer o seu trabalho, como pode fazer?

Pode fazer o download, clicando no buscador da Amazon o título do e-book, “Visitando o que pensa O CONSUMIDOR DE VINHO NO BRASIL: um olhar pela lente de um economista traduzido em estatísticas e gráficos”, https://www.amazon.com.br/dp/B09887CLV2 Haverá um custo de R$ 15,00, e a Editora é a Cinco Continentes, 1ª edição (28 junho 2021). Mais informações sobre o mercado de vinho podem ser encontradas no perfil do instagram @economista_na_adega