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Investimentos na base e as aspirações futuras

 

Paulo Ricardo Ricco Uranga
Economista, Menção Honrosa Prêmio Corecon-RS 2019,
Categoria Dissertações de Mestrado
Corecon-RS Nº 7597

 

Qual a proposta do trabalho “Aspirações Educacionais e Profissionais: um Estudo Sobre a Adaptação de Preferências”, Menção Honrosa do “Prêmio Corecon-RS 2019”, categoria Dissertações de Mestrado?

O trabalho procurou identificar quais os condicionantes das aspirações educacionais e profissionais dos alunos de escolas privadas e estaduais de Porto Alegre. Também verificou como esses condicionantes se comportam quando dividimos a amostra grupos determinados por diferentes características como a etapa de ensino dos alunos, o tipo de unidade administrativa, se privada ou estadual, e diferenças socioeconômicas.

Qual o universo pesquisado?

Eu e alguns amigos, que se dispuseram a me ajudar, percorremos 32 escolas, 19 estaduais e 13 privadas, aplicando 3.723 questionários em alunos do nono ano do Ensino Fundamental e segundo ano do Ensino Médio. Após a tabulação, a amostra resultou em 3.714 questionários validados de jovens entre 13 e 20 anos. Uma preocupação foi tentar garantir a representatividade das escolas conforme o nível de Desenvolvimento Humano das regiões das escolas. Então calculamos a amostra proporcionalmente ao número de matrículas nas séries anteriores no ano de 2018, para cada nível de desenvolvimento (Baixo, Médio, Alto e Muito Alto).

O que foi determinante para a definição do nível de aspiração dos estudantes?

Características de nascença, como ser mulher e branco aumentam a chance de aspirar mais, e a diferença é mais acentuada em grupos com maiores privações. A trajetória escolar também se mostrou importante, para aspirar mais foi importante ter iniciado os estudos na Educação Infantil e não reprovar. A família também assume papel importante nos sonhos dos alunos, pois a escolaridade dos pais, os pais que possuem profissões mais reconhecidas e o incentivo ao hábito da leitura aumentaram as chances dos alunos aspirarem além. Outra variável importante para moldar o desejo por mais educação e profissões mais destacadas foi a maior autoeficácia acadêmica percebida. A autoeficácia é a crença que as pessoas têm sobre as suas capacidades para enfrentarem os eventos que afetam a sua vida. Já, a autoeficácia acadêmica é a crença dos alunos na capacidade de realizarem as atividades escolares.

Quais as principais conclusões do teu estudo?

Incentivar as aspirações dos jovens pode ser um instrumento para retirar os indivíduos da armadilha da pobreza. Por outro lado, os sonhos desses jovens podem ser condicionados pelo status socioeconômico de suas famílias. Particularmente para os mais pobres, as preferências podem sofrer um processo de adaptação, em que passam a optar por algo mais modesto do que poderiam se não estivessem em uma situação de privação. Uma evidência das preferências adaptativas encontrada nesse estudo foi que, para os mais pobres, a estabilidade emocional e a maior socialização diminuem as aspirações pela educação superior, provavelmente por levarem a decisões que pareçam mais realistas a esses indivíduos, próximas ao ambiente em que vivem. Para ultrapassar essas barreiras deve se investir nos mais pobres, como em políticas de transferência de renda e aumento da escolaridade dos pais, e em políticas educacionais que incentivem o início da escolarização na Educação Infantil, diminua a repetência e práticas pedagógicas que privilegiem o aumento do senso de eficácia acadêmica dos alunos, da sua vontade por ingressar no Ensino Superior e e da importância de estudar para ingressar no mercado de trabalho.