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Prejuízos do coronavírus ao turismo de Gramado e Canela

 



Carlos Alberto da Rosa Abel
Economista, ex-vice-presidente do Corecon-RS, Consultor de Empresas
Corecon/RS nº 3159

Qual o perfil do PIB das regiões de Gramado e Canela?

O perfil do PIB dos municípios é baseado no turismo e lazer, que são os setores que mais arrecadam e as atividades que mais empregam na região. Cerca de seis mil pessoas trabalham na hotelaria e gastronomia, sendo que a cadeia produtiva do turismo emprega ainda mais de 500 funcionários em parques, museus e agências de turismo. Gramado conta hoje com cerca de 200 hotéis/pousadas, e Canela, outros 65. Juntas, possuem mais de 25 mil leitos, com uma média de ocupação da rede hoteleira superior a 75%, no último trimestre de 2019.

Qual o impacto da crise causada pelo coronavírus na região?

O impacto é preocupante porque com os hotéis, museus, parques de entretenimento e temáticos fechados deixam de arrecadar mais de R$ 100 milhões por mês, com sérios impactos à sua economia, assim como, também, à economia do Estado.

O que está funcionando atualmente nas duas cidades?

Cada município tem os seus decretos específicos. Está havendo uma boa sinergia entre as associações e sindicatos, que representam os empresários, e as prefeituras. As lojas e o comércio estão funcionando com os devidos cuidados de distanciamento e higienização. Mas alguns empresários preferem ainda não abrirem seus estabelecimentos para aguardarem um melhor momento.

Quais as expectativas dos empresários locais?

A prefeitura de Canela lançou um “Plano Estratégico para Retomada da Economia Pós-Coronavírus”, elaborado pela Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, com participação também do trade, em que apresenta um cronograma integrado para a retomada das atividades até o final do ano. Tudo está sendo feito com muita cautela e planejamento. Não adianta abrir de imediato os estabelecimentos de maior público, como a hotelaria, museus e parques, se não existem clientes. Acredito que a abertura deva ser gradual, com deliberações de espaços respeitando a área física de cada empreendimento, determinando, desta forma, o número de visitantes. É preciso que a situação se normalize um pouco mais para dar tranquilidade e segurança aos turistas.

Os empresários e a classe política têm encontrado alguma solução para amenizar essas perdas?

É muito importante que exista um bom entendimento entre as partes. Em Gramado, alguns impostos municipais foram prorrogados para adequar melhor o fluxo de caixa dessas empresas. Outro fator interessante é que algumas empresas estão concedendo férias coletivas aos seus funcionários, para, dentro do possível, conseguirem manter os empregos, já que existe uma boa qualificação destes profissionais.

Eventos nacional e internacionalmente conhecidos, como Natal Luz, em Gramado, e Sonho de Natal, em Canela, que já estavam em fase de preparação, poderão recuperar essas perdas?

A grande expectativa ficará para o Natal Luz, em Gramado. O evento será ampliado para 101 dias e está programado para acontecer de 22 de outubro a 30 de janeiro do próximo ano. A trigésima quarta e última edição ocorrida, registrou, no período, 2,3 milhões de visitantes, com 216 mil de ingressos vendidos em todos os shows, sendo arrecadados R$ 33 milhões pela Gramadotur, organizadora do evento. Em Canela, estão programados para o segundo semestre mais de 400 atrações artísticas, com destaque para o Sonho de Natal, que acontecerá de 10 de outubro a 31 de janeiro de 2021. As duas cidades aguardam pela ampla recuperação da economia, em função destes dois principais atrativos. Conhecendo bem o empresariado de Gramado e Canela, tenho certeza, que sairão dessa crise momentânea mais fortes e unidos.