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A importância do planejamento na crise

Alexandre Reis
Economista, professor universitário,
ex-conselheiro Corecon-RS
Corecon-RS Nº 7273



Qual a melhor forma de planejar o orçamento das famílias neste momento de crise por que estamos passando?

O momento requer muita tranquilidade e racionalidade. Eu diria que depende muito de cada caso, já que cada família ou empresa tem um padrão de gastos e de receita. Sendo assim, é, de fato, o momento que todos devem fazer o planejamento, mas respeitando suas concepções, seus gastos e a sua realidade. De fato, aqueles que não realizarem o seu planejamento orçamentário terão mais dificuldade nas suas tomadas de decisões, seja por consumo ou por investimento. Outra dica importante é o planejamento, que exige avaliação constante do processo, até porque a economia é muito dinâmica.

O fato de a crise não ter uma data para terminar pode alterar a forma de planejar o orçamento?

Sim, certamente. O fato é que teremos que ter muito mais ações de curto prazo para tentar minimizar os efeitos da crise no presente, de cada família e empresa. Se você conseguir se organizar, principalmente, no curto prazo, com toda certeza o seu futuro será um pouco mais agradável. No entanto, essa crise será longa, principalmente aqui no Brasil, infelizmente. Então, ser pragmático agora é o cerne da questão. Pense na sua organização de curto prazo.

Que cuidados as famílias devem ter na hora de tomar decisões financeiras?

Eu diria que as famílias deveriam ter sempre esse cuidado com o seu orçamento e com as suas finanças pessoais. No entanto, em função de toda a realidade social e cultural, muitas famílias negligenciaram essa ação. Agora, como estamos em crise e em isolamento social, esses cuidados se afloraram muito mais do que antes. Vejo isso com bons “olhos”. Mas ressalto algumas dicas essenciais, como organizar as receitas de toda a família, que auxilie na ajuda dos gastos, listar as despesas, separar as despesas em parâmetros de prioridades, tentar, se for possível, separar uma poupança. Feito isso, aí sim, tomar as decisões com base nesta organização e avaliação que se fez.

O que deve ser priorizado na hora do consumo?

Sem dúvida, nesta hora de Pandemia, os gastos prioritários devem ser alimentícios e de saúde. Os gastos com itens de limpeza também estão sendo os preferidos. Os consumos supérfluos e outros bens de consumo duráveis devem ser adiados. Mas isso, evidentemente, depende muito da cada situação familiar. Às vezes, por exemplo, é necessário realizar o consumo de um bem durável. Mas, o importante é perceber se isso realmente é necessário e se terá utilidade para você.

Qual a melhor forma de planejar o orçamento das empresas?

As empresas, diferentemente das famílias, possuem o hábito de organização orçamentária, até porque é exigido por parte do fisco e para a sua organização interna. No entanto, em muitas empresas se observa que essa organização é realizada de forma equivocada, principalmente no caso das pequenas e médias empresas. Ou seja, existe muita mistura de gastos pessoais com aqueles que são empresariais. E sugiro, para este caso, a procura de um expert sobre o tema. Um consultor que, de fato, auxilie e busque as soluções adequadas para a total organização empresarial. O cerne disso, na atualidade, é planejamento financeiro eficiente. É bom lembrar que há muito oportunista no mercado e isso atrapalha o planejamento empresarial. “Achismos” não deve estar incorporado no ambiente da gestão empresarial. Sendo assim, você deve alinhar os processos no sentido de atender uma boa gestão e um adequado planejamento orçamento racional.

Quais os maiores cuidados o empresário deve ter neste momento para manter a saúde de sua empresa?

Eu diria que o alinhamento entre uma boa gestão e a racionalidade orçamentária. A tomada de decisão também é importante. Os conhecimentos dos riscos empresariais, o conhecimento econômico e social são fundamentais para o sucesso empresarial. Vejo muito precariedade neste quesito. De fato, o verdadeiro empresário deve se apropriar dos conceitos de finanças, estratégias, políticas econômicas, etc, seja qual o tamanho de seu negócio. Sempre oriento que o empresário, constantemente, terá que responder às questões básicas da economia - o que, como, de que forma, e para quem - produzir. Trata-se de uma questão central para o sucesso do seu negócio. Não só pensar na sua saúde pessoal, que, aliás, sabe-se que é importantíssimo. Mas pensar também na saúde empresarial, que envolve todo esse conhecimento. Aliás, como sugestão de leitura adicional, indico o livro “A Economia da Estratégia”, de Besanko e outros, editado pela Bookman. É uma obra que retrata a teoria econômica de forma prática, com vários cases de sucesso para o empresário que quiser aplicar estratégias competitivas em sua empresa, assim como para as pessoas em geral, já que tem boas dicas de gestão individual. Mas, sempre lembrando que, na dúvida, o melhor mesmo é contratar um Economista.