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SELO ENEF

Jornalismo de Economia e a arte das fontes


Giane Heidrich Guerra

Jornalista de Economia do Ano/Corecon-RS 2019
Colunista Multimídia de Economia Rádio Gaúcha, GaúchaZH,
Zero Hora, RBS TV, Rádio 102.3

 

O que é necessário para trabalhar com o jornalismo econômico?

Acho importante não ter pavor de números. Mesmo que ainda não saiba lidar com eles, é importante estar disposto a aprender. Entender os discursos também é importante. Há vários lados na notícia, assim como em qualquer outra Editoria. Praticamente nenhum assunto é unânime.

Como elaboras tuas pautas diárias?

Elaboro minhas pautas como se fosse um quebra-cabeças porque trabalho em espaços variados, de audiências bem diferentes. O que fecha o noticiário da rádio dificilmente é o que gera mais audiência na internet. E eu quero os dois, e ainda falar de educação financeira, de estratégias, de negócios. Essa vontade de produzir para todos os públicos me deixa um tanto zureta. Mas o resultado e alcance são incríveis e muito compensadores.

Como fazes a checagem das informações, já que tens que priorizar a precisão e rapidez da notícia?

Eu faço a checagem das informações com minhas fontes, que me abastecem em outros momentos e que costumam passar pautas que procedem. Há uma troca essencial na relação. Recebo tentas pautas e provocações diárias, que vou selecionando aquelas que serão minhas apostas. Raramente uso fontes para análise apenas. Em geral, estão relacionadas à pauta. Mas, quando há análise, costumo usar fontes que, em outras momentos, me passaram boas informações. Em tempo, fora minhas fontes TOP 5, os leitores e ouvintes são de onde vêm, em geral, as melhores pautas.

Até que ponto o viés político da fonte pode influenciar na construção da notícia de economia?

Meu viés político é fugir totalmente do partidarismo. Tanto que sou xingada de ser dos dois lados. Ou mais lados, quando há. E, tudo bem. Não deixa de ser um sinal de que estamos no caminho certo. Hoje, por exemplo, noticiei várias coisas. Entre elas, dois empreendimentos. Um, de empresário ligado à esquerda, e outro, ligado à direta. E tomei elogio e chumbo dos dois lados. É do jogo. E quem não sabe brincar que não desça para o play.

O que consideras uma excelente fonte?

Minhas fontes mais legais são aquelas que me passam fatos. Me contam coisas. As melhores contam coisas que sequer dizem respeito a elas, mas que estão de olho no que pode me interessar. Claro que elas, muitas vezes, têm seus interesses. Como eu disse antes, é do jogo, e tudo bem. Sendo informação verídica e não plantada, ótimo. As fontes mais bacanas ainda deixam claro o interesse e, aí, acaba ficando realmente mais transparente a relação. Essas moram no meu coração!

Que tempo sobra do teu dia quando se exerce simultaneamente uma atividade de repórter, colunista e comentarista de economia de um grande grupo de Comunicação?

Tempo, tempo... Eu adoro “reportear”. Então, não deixa de ser um prazer trabalhar bastante. Sou casada com um colunista também, o Jocimar Farina, que fala de infraestrutura. As coisas se misturam e, de forma saudável. Nos ajudamos bastante. Trocamos pautas, fontes, percepções, nos ajudamos nas apurações. Descobri a gravidez da primeira filha, Atena, enquanto voltava de uma indústria que fui conhecer. A gravidez do Gael foi descoberta no banheiro da rádio após eu ter aberto o programa Chamada Geral. Durante a semana, eu realmente me dedico bastante às apurações. No final de semana, eu tento ficar pouco no celular, vou para lugares próximos da natureza. Ainda praticamos dança, meditamos, fazemos musculação e cozinho a alimentação da família. Quero voltar a ler mais livros. Com jeitinho, organização e uma boa rede de apoio, que tenho com meu marido e meus pais, tenho conseguido fazer tudo. Recentemente, o Daniel Giussani começou a trabalhar na coluna comigo e tem sido minha salvação, junto com outros colegas em quem me apoio diariamente.