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SELO ENEF

Setor imobiliário em busca de recuperação das perdas


Lucineli Martins

Economista, Supervisora de Economia e Estatística no
Sindicato da Habitação do RS (Sistema Secovi-RS)
Corecon-RS Nº 7942



Como vem se comportando o mercado de locação de imóveis em Porto Alegre?


Há 10 anos, o tempo médio para locação de um imóvel em Porto Alegre girava em torno de 3 meses. Em 2018, esse tempo médio passou para 13 meses. Muito desse aumento foi ocasionado por uma maior quantidade de imóveis disponíveis para locação. Nesse intervalo de tempo, houve um aumento nos anúncios de 220% na capital gaúcha. Já em 2019, percebeu-se uma melhora nas transações com a finalidade de locação, mas, como geralmente no início do ano há o fator sazonal, ocasionado pelos novos estudantes que chegam à capital, acredita-se que esse impulso venha a perder fôlego ao longo do ano, fazendo com que o cenário não tenha crescimento tão discrepante em relação a 2018.

O setor perdeu muito com a crise econômica dos últimos anos?

Sim. Houve uma perda considerável nas locações. Com o cenário desfavorável, muitos devolveram seus imóveis locados, tanto residenciais quanto comerciais. Estes últimos, motivados principalmente pelo fechamento de negócios.

O que falta para o setor se recuperar dessas perdas?

No nosso entendimento é a recuperação da economia. A quantidade de desempregados existente no país é muito grande, o que, acaba impactando na diminuição da renda das famílias e num menor poder de consumir serviços imobiliários.

Quanto tempo vai levar para o setor se recuperar?

O tempo está na razão direta da recuperação econômica. A economia é um “gigante”, que se move a passos lentos e, por isso, é difícil um prognóstico. Porém, com a confiança voltando e com os investimentos aumentando, é bem possível que o quadro se mostre com uma melhora substancial em 2023.

Quais as expectativas do setor para este ano?

Não obstante o desejo de que a economia se alavanque, o que se observa é que o setor imobiliário prossegue num padrão de negócios praticamente igual ao do ano passado.

O mercado de compra e venda segue a mesma tendência de dificuldades da locação?

Sim, ambas as variáveis estão subordinadas à economia em geral. O mercado de compra e venda é sustentado por três pilares: financiamento, emprego e renda. O ponto positivo para o setor é que, com os cortes na Selic nos últimos anos, as taxas de juros dos financiamentos tiveram redução. Assim, o crédito ficou mais barato. Também há o fato de que, como o imóvel é um investimento de longo prazo, as pessoas têm de estar confiantes na economia e nos seus empregos para realizarem tal financiamento.

O governo tem adotado medidas que venham beneficiar o setor de compra e venda?

Percebe-se que há uma preocupação do governo em estimular a área imobiliária. Entretanto, por razões que não nos cabe comentar, ora liberam verbas para financiamentos, ora as restringem. O fato de não haver uma diretriz permanente traz certa insegurança ao mercado imobiliário.

Como o governo vem fazendo isso?

As medidas tomadas ocorrem através da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. No caso dos imóveis, financiamentos imobiliários carecem de recursos e, quando ficam disponíveis, ou não, interferem na dinâmica dos negócios.

Como estão os lançamentos programados pelas construtoras?

Os lançamentos se reduziram ao longo dos últimos anos e pode-se dizer que, atualmente, as iniciativas são mais marcantes no setor de baixa renda, via programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), e nos investimentos do topo da pirâmide, ou seja, nas construções de alto padrão.