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SELO ENEF

Por que avaliar uma empresa?

André Mombach Weber
Economista, Delegado Regional do Corecon-RS em Caxias do Sul,
Diretor da Controle Assessoria, Projetos e Gestão de Ativos Ltda

Corecon-RS Nº 5727

 

O que é o valuation?

O valuation é o cerne do negócio de fusões e aquisições. Uma compra de um negócio sem o valuation torna-se perigosa para ambas as partes porque ela deixa de atingir o objetivo principal, que é a definição do preço através de um estudo de mercado, da empresa, observando uma situação que deixa confortável tanto o comprador como o vendedor. Por isso que o valuation é importante. Nunca se deve vender ou comprar um negócio sem fazer uma avaliação.

Como é o trabalho de avaliação?

A gente trabalha especialmente em geração de valor. Explicamos ao empresário que o valuation não é só um simples documento que vai gerar um valor final. Ele pode ser tratado como um planejamento de médio e longo prazos porque dentro daquele planejamento, elaborado para construir o valor de um negócio, se atingirão as expectativas que foram programadas e, consequentemente, se conseguirá gerar valor. Então, ali está incorporado um planejamento, tanto de receita quanto de despesas, o que é bastante importante.

Como é aceitação por parte do empresariado?

Esse é um detalhe que não poucas vezes passa despercebido pelo empresário, que acaba não dando a devida importância para um trabalho desse nível.

Em termos mundiais, a importância do valuation já foi bem compreendida?

Sim, quando se fala em um mercado mais dinâmico e mais maduro, não se tem dúvidas disso. Os empresários de lá sempre vão trabalhar de forma muito clara e objetiva, dentro desse propósito. Nós, aqui no Brasil, ainda temos que assimilar e entender melhor a necessidade de geração de valor porque isso, na realidade, é o que mais importa. A empresa existe para isso, mas é sua administração é que vai buscar e nortear esse caminho.

Como estão as oportunidades de trabalho para economistas nesse mercado?

O Economista, devidamente registrado no Conselho de Classe, neste caso o Corecon, e que atua de forma séria e dentro de suas prerrogativas técnicas a tempo, sofre uma espécie de “invasão” de atuação na área. Enfim, o mercado talvez contribua com isso via uma cultura que não privilegia a capacitação técnica, mas tão somente a oportunidade. A contratação de profissionais credenciados traz segurança para quem necessita de serviços técnicos, em qualquer área que seja. E, no caso de Valuation, vê-se algumas distorções desde de uso da metodologia aplicável, de premissas e até de análise econômico-financeira, sendo entregues, o que, a meu ver, pode criar ideias desvalorizantes e que coloca em jogo até mesmo a reputação profissional para todos os envolvidos. Enfim, a concorrência existe, mas não necessariamente precisa ser desleal, visto que há um custo embutido, desde a capacitação técnica, atualização de conhecimentos até a regularização profissional, para que bons profissionais que buscam ou queiram atuar neste mercado possam competir com igualdade de condições e que em alguns casos isso não existe e, aí, acaba entrando a questão de oportunidade.

Quando uma empresa é considerada dentro do perfil ideal de valorização do mercado?

As empresas devem avaliar, até para se situarem dentro de uma posição de vanguarda, uma posição satisfatória de saúde financeira. E o valuation até nisso equilibra porque o empresário vai ter condições de avaliar se ele pode ou não tomar posição de venda ou de compra. Por exemplo, uma empresa que até pode não ser bem resolvida financeiramente, mas a operação de avaliação, atrvés de uma análise bem feita, pode gerar lucro. Não tem, em todo esse processo, uma forma mágica. Apenas análise.