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Banrisul, a certeza do dever cumprido

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Luiz Gonzaga Veras Mota
Economista, presidente do Banrisul (2015/2019), presidente da Associação dos Bancos do Estado do RS
Corecon-RS Nº 3575

 

O que significa para o corpo de funcionários do Banrisul ter um presidente de carreira a frente da Instituição?
O Banrisul possui um quadro técnico de longos anos e muito bem qualificado. O Banco é um emprego de carreira fechada, em que o funcionário, na sua grande maioria, entra no início de sua trajetória profissional e fica até se aposentar. Temos economistas, contadores, administradores, advogados, enfim, profissionais de todas as formações, muitos desses que, pela sua capacidade, acabam chegando, ao longo de sua trajetória profissional, ao nível de gestores ou de governança corporativa. Para o quadro, isso é muito importante. E eu, particularmente, tive a sorte de ser premiado nessa missão, ao ser, pela primeira vez na história de nosso banco, como funcionário de carreira, escolhido para a função de presidente. Vinha atuando também como vice-presidente do Conselho de Administração do Banco, assumindo ainda há oito meses, a função de presidente do Conselho, em substituição ao então secretário da Fazenda, Luiz Antônio Bins. É, portanto, a primeira vez na história, que um funcionário concentrou tanto poder hierárquico no Banco.

E como foi essa experiência?
Procurei desempenhar com melhor governança possível, porque é um cargo público e um cargo de peso para o Estado do RS, já que o Banrisul é uma das maiores empresas gaúchas e, também, pela relevância da atividade econômica, porque é um banco, e banco, por natureza, é uma atividade muito complexa. Tanto do ponto de vista de risco, como de relacionamento com o cliente, de responsabilidade com a sociedade. Afinal de contas, a sociedade gaúcha tem grande parcela de suas economias na confiança do Banrisul, o que é compreensível já que trata-se de uma instituição respeitável e que possui todos os fundamentos para que a sociedade confie ali seus recursos e, em contrapartida, seja bem compensada por isso. E isso requer também, da parte do gestor, do administrador, uma hiper-responsabilidade com aquilo que é seu dever de ofício, que é fazer a gestão do banco. Então, vimos procurando a contento de fazer essa entrega em todos os campos para o mercado, para os funcionários, para os acionistas, e para a sociedade de uma forma geral, a entrega de um banco renomado, um banco transformado, um banco muito mais jovem do que a gente encontrou.

Os desafios que sua gestão tinha pela frente ao assumir o Banco foram alcançados?
O grande desafio era transformar e preparar o Banrisul para uma nova geração de bancos. Nos próximos anos, o sistema financeiro nacional sofrerá uma grande transformação, e esse era o nosso principal desafio. Buscar o equilíbrio, uma entrega de lucro e de resultados para os investidores. E os resultados vêm aparecendo. Foi o que ocorreu neste último ano que se encerrou em dezembro, e também deverá ocorrer neste trimestre que já fechou em março, e que divulgaremos em maio próximo. Somos hoje um banco com um resultado equânime junto aos três principais bancos privados do país, Santander, Bradesco e Itaú, com o mesmo nível de entrega de rentabilidade sobre os ativos e de entrega de rentabilidade sobre o patrimônio líquido. Esse era o grande desafio. Mas não só isso, que é muito importante para os investidores e para os acionistas. Mas, também, um reconhecimento à sociedade gaúcha, que é o nosso nicho aqui no RS. Somos um banco regional, que atua predominantemente no RS e que é o orgulho dos gaúchos e essa a grande responsabilidade e o grande desafio para o gestor. Manter essa placa, esse conceito para a sociedade.

Como o Banrisul vem enfrentando o desafio diário da evolução tecnológica?
Manter o Banco com alto nível de tecnologia, como requer o sistema, é um outro grande desafio. E, também existe o contraponto. Se o Banrisul é altamente rentável, também deve ser muito bom para os funcionários, e este equilíbrio que é o nosso grande desafio. Manter um banco com ativo de qualidade e rentável, tanto para a sociedade como para investidores e, ao mesmo tempo, possibilitar que os funcionários se sintam realizados e satisfeitos em trabalhar para uma empresa de qualidade, como é o Banrisul. Esse equilíbrio das coisas que, ao mesmo tempo é a beleza para o gestor que está fazendo e, também, o desafio para se alcançar essa equação, procurando deixar satisfação a todas as partes interessadas. Esse era mesmo o grande desafio que eu tinha.

Como o senhor vê a função do Banrisul neste novo contexto econômico vivenciado pelo país e pelo RS?
A economia privada do RS é uma das melhores do pais, puxada pelo agronegócio. Já o ente Estado está passando por dificuldade fiscal, cuja solução é de longo prazo. O Banrisul encontra-se no contexto do mercado privado, apesar de ele ter um controlador que vive momentos de dificuldades. Mas essas coisas não se misturam. As regras do mercado são muito claras. As leis do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), das Sociedades Anônimas (SAs), também são muito claras. O Banrisul é uma empresa que trabalha para a sociedade gaúcha e, neste contexto, está inserido como uma empresa que no ano passado colocou na economia do RS, através da realocação de diversos empréstimos, R$ 47 bilhões. Isso, pela sociedade de consumo, de pessoas físicas, que puxam a economia, que puxam o comércio e que desenvolvem o estado através do fomento do crédito da pessoa física. Das mais diversas formas, desde a venda nos supermercados, mas, principalmente, no comércio de bens de consumo, como geladeira, televisão, etc, e, mesmo das pequenas e médias empresas, o Banrisul é o maior agente fomentador de crédito e de investimento. Pelo lado do crédito imobiliário, por exemplo, o nosso Banco é o maior gerador de empregos, financiando a indústria da construção civil no estado do RS, como importante banco de fomento para o setor imobiliário. Pelo lado do crédito agrícola, também o Banrisul está fortemente presente, sendo o terceiro maior banco de fomento do setor, e se prepara para alcançar posições bem mais fortes em futuro próximo no financiamento do agronegócio. O Banrisul está atuante na cadeia produtiva, desde a produção da máquina, o trator, até a outra ponta, da venda dos insumos agrícolas, através do adubo para a colheita ou do óleo diesel para o trator. Desses R$ 47 bilhões, representamos mais de 20% do fomento do crédito do RS. Então, um banco público, porque tem um controlador público, que faz a economia gaúcha andar, e, o mais importante de tudo, somos daqui, somos regionais, estamos presentes em todas as nossas comunidades. E, quando a economia está pujante, estamos junto. E, quando a economia não está bem, estamos juntos também. Nós não fugimos da nossa meta. Nós ficamos financiando os nossos clientes e, nas horas que eles mais precisam e têm dificuldades, o Banrisul está presente, colaborando com a economia do RS. Essa é a diferença do banco público. Temos mais de 200 mil pessoas jurídicas, que alimentam a economia gaúcha, geram emprego, geram renda. E temos mais de quatro milhões de pessoas físicas, que também são clientes do Banrisul.

E qual o grande desafio do setor agora?
O grande desafio para o setor bancário é o mundo digital, onde o Banrisul está fortemente inserido. Estamos no nível dos três principais bancos do país, e trabalhando fortemente com nossas empresas de serviços, que também são muito importantes para a economia gaúcha. Com a nossa empresa de consórcios, que é voltada a agentes jurídicos que precisam de transporte, de veículos para tocar o seu negócio, estamos muito fortes nesse setor. No mundo de adquirência também somos fortes, assim como na área de seguro e previdência, onde temos a maior empresa voltada a pessoas físicas, que é a Rio Grande Seguros e Previdência, uma empresa nova, que já e a líder do setor no RS. E, existe também, o novo mundo bancário que vem por aí. As transferências eletrônicas vão favorecer muito a comunidade para o serviço bancário poder ser todo feito por plataformas via celular, que são a mesma ferramenta do Blockchain, das moedas bitcoins que são transacionadas. Da mesma forma, a plataforma nova que está vindo por aí, que é o Open Bank, ou banco aberto, que vai beneficiar o setor de serviços bancários. Dentro de dois anos todos os bancos estarão no mesmo nível tecnológico. Ninguém será diferente do outro. Os bancos têm muito capital para investir em tecnologia e o Banrisul, por sua vez, já investiu mais de R$ 400 milhões este ano, só nesse nicho. As fintechs ainda são iniciantes já que ainda não têm o capital necessário. Também estão surgindo as grandes plataformas de guarda de cartões de pessoas físicas, a getway e a plataforma aberta. Três ferramentas de mercado e que vão continuar a disputa tecnológica do dia a dia dos bancos, e as fintechs, por sua vez, estarão concorrendo nesse mundo. É uma grande transformação para as pessoas físicas no dia a dia do sistema bancário. Cada vez terá mais tecnologia e menos dependência das pessoas, além de serviço mais barato, o que é bom para a sociedade.