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SELO ENEF

Um Cofecon desalinhado

Clovis Benoni Meurer

Economista, Sócio-Diretor da CRP Companhia de Participações,
Ex-presidente do Corecon-RS, Conselheiro Cofecon
Corecon-RS Nº 1934

 

 

O que lhe levou a disputar a uma vaga para Conselheiro Federal?

Esse foi um caminho natural construído pelos economistas e lideranças aqui do Estado, que sugeriram que eu colocasse meu nome na disputa federal por uma vaga de membro efetivo do Conselho. O RS já vem sendo muito bem representado, nos últimos três anos, de 2016 a 2018, pelo economista Henri Bejzman, que fez um excelente trabalho. Eu já estava como conselheiro suplente em 2018 e, num esforço muito grande, aqui do Corecon e do nosso presidente Rogério Tolfo, para manter essa vaga, para que o RS pudesse continuar tendo uma forte representatividade no Conselho Federal, uma vez que o período do conselheiro Henri estava sendo concluído.

Já tinha experiência anterior com as pautas nacionais?

Isso também foi uma das razões para o surgimento do meu nome como candidato ao conselho federal. Como eu já tinha estado em algumas reuniões do Cofecon, como presidente do Corecon-RS em 2017, e, ainda, como suplente do Henri em 2018,nossas lideranças locais entenderam no meu nome uma forma de garantir essa continuidade da vaga de conselheiro titular para o RS. Acho que temos excelentes nomes no RS que poderiam preencher essa vaga, mas também entendo que, pelo relacionamento desses últimos anos e talvez por meus posicionamentos naquele fórum, é que as lideranças gaúchas entenderem que eu deveria continuar representando o estado no Cofecon. Passei a ser conselheiro federal de 2019 ao final de 2021 ao lado do nosso colega Henri, eleito como suplente.

Qual a linha de ação como conselheiro federal?

Sabemos que está em andamento uma transformação muito grande na política brasileira desde as eleições do ano passado e que, na área econômica, o Brasil sofreu muito especialmente nos últimos anos. De meados de 2014 até meados 2017 o país teve PIB negativo, com uma atividade econômica muito reduzida e um número extremamente grande de desempregados. Por tudo isso, estão acontecendo mudanças importantes. Com as eleições de 2018, e, a partir de agora, temos um novo governo, com uma linha mais liberal e bem diferente do que vinha sendo colocado desde os anos 2000. Mudanças importantes na política brasileira, com a necessidade de reformas trabalhista, da previdência, tributária e política. Da mesma forma, existem projetos de recuperação da área de segurança, do judiciário,e de outros tantos segmentos da sociedade, que todos nós, como cidadãos, estamos acompanhando. E neste contexto, estão processos envolvendo sindicatos, associações, conselhos, que devem também sofrer mudanças importantes. Vivenciamos, por exemplo, as transformações na contribuição sindical e vimos que os próprios sindicatos estão se reestruturando. E,de uma maneira ou de outra, essas mudanças podem influenciar os conselhos profissionais, como dos médicos, dos advogados, dos contadores ou dos economistas. Pode ser que haja uma nova cultura governamental com relação à legislação para essas associações profissionais, que podem, da mesma forma, sofrer ajustes. Então, o Conselho Federal deve estar muito atento na defesa da profissão dos economistas e sobre a importância do economista no processo socioeconômico brasileiro. E essa é a razão pela qual o Corecon-rs preocupa-se em ter lá em Brasília uma voz forte para poder fazer a defesa da profissão, a defesa do sistema, para alinhar um pouco mais o pensamento do Conselho Federal com a política socioeconômica brasileira que se instala a partir desse novo governo, buscando sempre, de forma coerente, um equilíbrio entre todas as idéias e posições.

Os conselheiros federais eleitos para esse novo mandato vêm com novas propostas?

As lideranças atuais do Cofecon ainda vêm de um período do governo anterior e conduzem a Entidade com muita força. E os novos conselheiros que assumiram agora em janeiro possuem uma tendência clara de buscar um equilíbrio maior na proposta de colocar o papel do economista num cenário mais alinhado a esse novo momento, contribuindo de forma positiva na construção de caminhos que possam resgatar o nosso crescimento. Quero fazer um agradecimento a essas nossas lideranças que indicaram meu nome e que, tenho certeza, iremos trabalhar juntos para exercer esse mandato no Cofecon da melhor maneira possível, na luta pelos reais interesses da nossa profissão, de nossa economia e de nosso País.