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SELO ENEF

Educação financeira e ensino formal


Cleusa Karina Warken

Economista, 2° Lugar “Prêmio Corecon-RS 2018”,
Categoria Monografias ou Trabalhos de Conclusão de Curso
Corecon-RS Nº 8657

Sobre o que aborda o trabalho “Educação financeira na formação básica como alicerce para o futuro: estudo da proficiência dos estudantes de Ensino Médio de Caxias do Sul”, 2 Lugar no “Prêmio Corecon-RS 2018”, Categoria Monografias ou Trabalhos de Conclusão de Curso?


A monografia trata de um dos problemas que impede o desenvolvimento pessoal dos indivíduos, a falta de conhecimento em finanças. A modernização do mercado financeiro e a diversidade de modalidades de investimento dificulta na escolha do investimento que melhor se adeqúe ao perfil de cada indivíduo. Além disso, a falta de conhecimento em juros e custos de transação influencia o consumo exacerbado e eleva os níveis de endividamento e inadimplência.

Qual o objetivo do estudo?

O trabalho dedicou-se a determinar o nível de proficiência em educação financeira dos estudantes de ensino médio de Caxias do Sul e comprovar a necessidade de introdução da educação financeira como disciplina na grade curricular do ensino formal.

Quais as conclusões?

Foi possível constatar que os estudantes de escolas privadas têm melhor desempenho em educação financeira entre os grupos analisados, seguido do grupo de estudantes que tem maior vivência financeira no seu dia a dia, e após, o grupo de estudantes que pelo menos assistiu a palestras ou cursos de educação financeira. Com o menor desempenho na pesquisa encontram-se os estudantes que não têm qualquer contato com assuntos ligados à educação financeira. Além disso, constatou-se uma diferença de performance entre gêneros. O sexo masculino tem desempenho inferior ao feminino. No entanto, mesmo com as diferenças nas pontuações médias entre os grupos, todos se enquadraram no nível de proficiência 3, que dá alicerce apenas para a realização de tarefas simples, como escolhas financeiras de curto e médio prazos. O resultado da pesquisa de campo comprova a necessidade da introdução da educação financeira para os estudantes do ensino médio de Caxias do Sul, pois, em pouco tempo esses indivíduos estarão tomando decisões de longo prazo, como, por exemplo, o uso de um financiamento estudantil ou a compra de um automóvel. A proficiência de nível 3 em educação financeira não dá suporte a esse tipo de decisão financeira ocasionando más escolhas e comprometendo o futuro próximo desses indivíduos.

O que falta para o poder público tornar realidade essa medida?

O poder público, nos últimos anos, dedicou-se a estimular o consumo no intuito de aquecer a economia. No entanto, quando os indivíduos não têm conhecimento em finanças, o planejamento dos seus gastos não leva em consideração a restrição orçamentária, e, quando ele se dá conta, não está conseguindo honrar seus compromissos. É necessário que o poder público reconheça que essa política não funciona quando a população não é preparada para tanto.

Não existem iniciativas práticas de educação financeira na região?

Atualmente há muitas iniciativas privadas e públicas que oferecem cursos e palestras sobre educação financeira, mas já não é o suficiente. Para que haja realmente a mudança de comportamento é importante que este ensino seja contínuo. Uma mobilização da sociedade, com o respaldo de órgãos representativos como o Corecon e o Cofecon, pode tornar explícita a relevância do tema, inclusive com a retaguarda dos números como os apresentados nesse trabalho. Nesse sentido, uma proposta de projeto de educação financeira na educação formal, do ensino fundamental ao médio, é muito importane para que as pessoas possam administrar melhor suas finanças, escolher melhor seus investimentos e, em consequência, viver melhor.