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SELO ENEF

Nas mãos do Congresso

marcelo portugal1Marcelo Portugal
Economista, professor de Graduação e Pós-Graduação em Economia e em Administração UFRGS, Pesquisador CNPq
Corecon nº 7760

 

Como o senhor está vendo a formatação da equipe econômica do futuro governo de Jair Bolsonaro?
Estou esperando que dê certo. Mas a questão fundamental me parece que não é tanto os nomes da equipe econômica, até porque os nomes parecem ser bons. A questão é se eles realmente vão conseguir alcançar seus objetivos. Ou seja, contrata-se um pintor que trabalhou bem na casa do vizinho e precisa saber se ele vai fazer o mesmo a sua. O que quero dizer com isso é que vai depender do Congresso. Vai depender se o governo conseguirá realmente implementar a reforma da previdência no Congresso, se vão conseguir implementar as privatizações que estão querendo, enfim. Acho que a agenda correta o governo tem, mas temos que ver até que ponto conseguirão colocá-la em prática.

Depende do presidente também?
Acho que depende mais do Congresso do que do presidente. As pessoas tinham receio de que Jair Bolsonaro, que teve essa metamorfose recente, de que ele mesmo iria sabotar o processo. Mas isso realmente não está acontecendo. Ele está dando carta branca ao futuro titular da Fazenda. Nunca houve, por exemplo, o caso de se ter um ministro da Fazenda indicando o presidente da Petrobras. Nunca se teve um caso de um ministro da Fazenda indicar o presidente do BNDES. Em geral, quem escolhe esses cargos é o próprio presidente da República. E, desta vez, quem está escolhendo é o Paulo Guedes. Então, realmente, o futuro presidente deu muita autonomia e muito poder ao seu futuro Ministro da Fazenda.

Esse perfil da equipe econômica é absolutamente privatista ou racionalmente privatista?
Acho que é racionalmente privatista. Acredito que não vão privatizar nenhuma empresa realmente grande, como Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal. Talvez apenas partes deles. Alguns negócios do BB e da CEF podem ser vendidos. Esses bancos podem “emagrecer” um pouco. A parte de extração de petróleo da Petrobras também acredito que não será privatizada. Existem muitas outras estatais por este país a fora que podem ser vendidas.