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SELO ENEF

Políticas públicas e combate às drogas no ambiente escolar

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Kalinca Léia Becker
Economista, 2º Lugar XXIV Prêmio Brasil de Economia, Categoria Artigo Técnico ou Científico
Corecon-RS N° 7029

 

 

Sobre o que trata o trabalho “Análise do efeito dos gastos públicos na área social sobre o consumo de drogas dos alunos nas escolas das capitais brasileiras”, 2º Lugar no XXIV Prêmio Brasil de Economia”, categoria Artigo Técnico ou Científico?
O estudo buscou evidências da influência dos gastos com educação e assistência social sobre a probabilidade de os alunos nas escolas das capitais brasileiras declararem que já experimentaram drogas, a fim de contribuir para a maior efetividade das ações de prevenção e controle do uso de substâncias ilícitas entre os jovens.

Por que a escolha deste tema?
O consumo de drogas entre os jovens é um fenômeno de grande preocupação social, pois, além de gerar um mercado consumidor para uma atividade ilícita, ocasionando problemas jurídicos, sociais e de violência, pode comprometer de forma permanente a capacidade cognitiva destes jovens, desencadear distúrbios neurológicos e outros problemas de saúde.

E esses problemas de saúde acabam, de alguma forma, impactando economicamente também?
Sim. Esta situação também causa problemas econômicos, pois aumenta a demanda pelo sistema público de saúde, gerando maiores gastos, e pode prejudicar a formação da força de trabalho, tanto pelo comprometimento cognitivo dos usuários como também pelas possíveis vítimas da violência ocasionada pelo tráfico de drogas. Seguindo principalmente o princípio de valorização da vida e também visando a redução dos custos para o sistema público, torna-se evidente a necessidade de políticas públicas para a prevenção do consumo de drogas entre os jovens.

Qual a importância dos investimentos na área social para restringir o consumo de drogas nas escolas?
Com o intuito de reduzir os fatores de risco e, assim, prevenir o consumo de drogas pelos adolescentes, o gestor público pode atuar, ou por meio de iniciativas que envolvam a família e a escola, ou através de políticas sociais e econômicas como, por exemplo, a distribuição de renda, o combate ao crime e a redução da violência.

E as ações no ambiente escolar também não são importantes?
Sim. As ações no ambiente escolar também podem contribuir para a prevenção do consumo de drogas, uma vez que é neste ambiente que as crianças passam grande parte do tempo e também podem obter informações sobre drogas e seus malefícios. Por outro lado, se houverem jovens usuários de drogas frequentando a escola, é possível que os colegas destes jovens também entrem em contado com substâncias ilícitas por meio das interações sociais que ocorrem no ambiente escolar. Por isso, é de extrema importância que o poder público seja capaz de garantir, além do acesso à escola, educação de qualidade e um ambiente de convivência saudável para as crianças.

Que tipo de fatores podem ser a porta de entrada do jovem nas drogas?
Podemos alocar os fatores de risco relacionados à decisão dos jovens de consumir drogas em três categorias: características pessoais, biológicas e psicológicas; características sociais, da família e amigos; e características do ambiente, escola e o entorno. Destas três categorias, as características do ambiente são as que o poder público tem maior poder de atuação, por meio de políticas educacionais, de assistência social, de segurança pública, entre outras.

Qual a constatação do trabalho?
Os resultados indicaram que as características das famílias dos alunos são determinantes importantes do consumo de drogas dos jovens. Para atuar nesse sentido, o governo pode utilizar-se de políticas públicas de assistência social que visem reduzir o número de famílias em situação de risco e vulnerabilidade, uma vez o aumento de 1% nos gastos assistência social diminuiu em 1,1 pp a chance de o aluno experimentar drogas.