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SELO ENEF

O mercado e a lua de mel com as reformas

joao fernandesJoão Fernandes

Economista Quantitas Asset Management
Corecon-RS Nº 8151

 

Como o mercado está vendo essa reta final do processo eleitoral?
O mercado está, já há algum tempo, oscilando conforme as perspectivas econômicas de 2019. É sabido que o Brasil hoje precisa de reformas quase emergenciais, principalmente a da previdência. Ela tem que sair logo. Já está atrasada, em função do déficit fiscal que se tem. Então, quanto mais houver a perspectiva de uma reforma em 2019, o mais cedo possível, especialmente no primeiro semestre do ano, mais o mercado fica otimista ao ver que as coisas vão realmente ter condições de melhorar.

De que forma o mercado reage a essas perspectivas?
Aí começa a precificação com o Brasil e o movimento que se percebe, com o dólar caindo, saindo de um patamar recente, de R$ 4,10 e, agora, chegando a R$ 3,70. Para tudo isso é preciso ter uma política econômica reformista para 2019 porque o candidato que está liderando nas pesquisas, através de seu assessor econômico Paulo Guedes, que tem muita ciência do problema fiscal no Brasil, já vem há algum tempo acenando com uma proposta de governo reformista e indicando que vai atacar esse problema de forma muito agressiva, com uma reforma forte. É claro que existem desafios e dúvidas se de fato o candidato, eleito, irá respaldar o Paulo Guedes até o final e, se assim o fizer, se irá conseguir aprovação no Congresso. Não que as metas já tenham sido dadas, mas a partir do momento que você tem um economista muito bem visto, muito técnico, muito qualificado, liderando uma equipe econômica que deverá ser muito competente, e mostrando publicamente que é favorável às reformas o mercado naturalmente passa a adquirir uma postura mais otimista com o Brasil.

A tendência é de que quando as perspectivas da economia são boas, a cotação das empresas na bolsa sobe e o preço do dólar no mercado cai?
Lógico que ocorrem alguns dias em que os movimentos de volatilidade não necessariamente estão alinhados com essa concepção teórica. Não necessariamente existe essa correlação. A bolsa é uma conjunção de ações de diferentes no mercado de renda variável, no mercado de ações, que tende a refletir o valor de empresas no mercado. O dólar tem a ver com a nossa moeda, já que está relacionado ao fluxo de capitais, de entrada e saída de recursos do Brasil. Então, são movimentos impulsionados por fatores diferentes. As ações no Brasil têm relação com perspectiva de crescimento, com perspectiva lá fora de entrada de capital aqui dentro, no mercado de ações, de empresas de outros países. O dólar é influenciado mais por fluxo de capital que entra no país, independentemente de mercado. Para entrar em um mercado qualquer, você estará operando na moeda real e não necessariamente no mercado de ações. Muitas empresas aqui no Brasil fazem operações em dólar quando vêem que esse mercado começa a buscar travas para poderem aproveitar esses valores de moeda, seja para importar ou exportar, dependendo do objetivo delas. O ponto é que não se pode concluir que seja uma relação mecânica de que quando o preço do dólar sobe a cotação da bolsa, obrigatoriamente, teria que cair ou vice e versa. Isso não existe. Claro que há uma correlação, mas não é mecânica nem perfeita.

Passadas as eleições, a tendência é de estabilização de expectativas?
Vamos perceber o mercado precificando a perspectiva de fazer reformas, já que o momento nos apresenta uma tendência de fazer reformas. É certo que o Brasil agora, nesse movimento inicial que atingimos, experimenta uma valorização significativa dos ativos, inclusive muito maior que em países emergentes. É difícil prever esse comportamento, uma vez que o mercado ainda está com essa perspectiva de reformas. E, neste cenário de lua de mel com reformas, para existirem movimentos efetivos de valorização, tem que ser entregues as reformas. Tem que construir, mostrar uma boa proposta, articular a sua aprovação com o Congresso a aprovação. É o que o mercado está, definitivamente, esperando acontecer.