Indústria brasileira e estagnação

david kupferDavid Kupfer - Economista, professor Instituto de Economia/UFRJ

 

Como se pode identificar o processo de desindustrialização da economia brasileira?
Verificamos isso pelo histórico de estagnação da indústria brasileira nos últimos anos e que, neste momento, encontra-se em recessão. A economia brasileira, aparentemente, mostrou a inflexão e a fase recessiva aproximadamente há um ano, mas a indústria já está no quarto ano de estagnação, e isso não é consequência de fatos conjunturais, mas estruturais, o que caracteriza a trajetória de desindustrialização.

Por que acontece isso?
A principal causa estrutural é um problema de custos elevados de produção, que é agravado pelo efeito câmbio que afeta, desfavoravelmente, os bens comercializáveis. Certamente que outros elementos formadores de custo também estão contribuindo para minar a capacidade de resposta da indústria. Temos observado uma perda de dinamismo da indústria não somente no mercado doméstico, mas também na pauta de exportações. Tanto é que o agronegócio tem “carregado nas costas” a atividade produtiva no Brasil. São problemas estruturais que poderiam ser corrigidos no médio prazo, de três a cinco anos no mínimo. Só que nos últimos cinco anos não conseguimos avançar e os problemas acabaram se aprofundando. E não é apenas uma questão da necessidade de tempo, mas também da falta de capacidade de se articular políticas industriais concretas, para que se possa construir um quadro mais favorável para um novo deslanche.

Qual a origem do problema?
Seguramente, esse processo tem mais de 10 anos de existência, embora, de fato, vem ocorrendo nesses anos mais recentes, especialmente a partir de 2011. Mesmo durante o período de crescimento recente, 2005 e 2008, a nossa indústria já apresentava problemas de competitividade bastante pronunciados, embora mascarados por uma evolução extremamente favorável dos preços transacionados pelo Brasil no mercado internacional.

Qual o impacto da desvalorização do real nesse processo?
O impacto da desvalorização do real será maior ou menor dependendo do setor. Alguns setores poderão ser beneficiados e poderão até se reequilibrar a partir de uma taxa de câmbio mais desvalorizada, com a retomada das exportações. Mas acredito que essa não seja a regra geral da indústria brasileira. Um conjunto minoritário de setores será beneficiado, mas a taxa de câmbio, sozinha, não tem condições de resolver esses problemas, também porque há muito tempo vem acontecendo um aumento importante da participação de bens importados na atividade produtiva no Brasil e, principalmente, no investimento. Para a maior parte da atividade industrial o câmbio competitivo é uma condição necessária, mas não suficiente para possibilitar a transformação e o deslanchar da indústria. É necessário de fato que outros gargalos estruturais sejam equacionados.

Como anda o sentimento do empresariado neste clima todo?
Entendo que conjunturalmente o quadro é muito confuso e as incertezas são muito pronunciadas. A credibilidade e o estado de confiança estão muito abalados, o que é uma questão conjuntural. Ademais, nós estamos vivendo uma crise política muito mais intensa que a própria crise econômica, o que acaba corroborando para recrudescer as incertezas. Nesse sentido, estamos beirando uma desorganização econômica em função da falta de coesão política. Esses fatos andam juntos e essa conjuntura tem que ser revertida de algum modo, o que é fundamental para que o processo de investimentos seja retomado. O investimento está parado e, em função disso, não há mudança possível na estrutura produtiva. O preocupante é que não há perspectivas, no curto prazo, para a uma saída desse impasse político.

Economia em Pauta - Agronegócio e redes sociais

O “Economia em Pauta” de setembro teve como painelistas o economista João Carlos Madail e a editora do Correio do Povo Simone Lopes. Madail falou sobre a atuação   dos economistas do CORECON/RS na Expointer como consultores de negócios. Segundo ele, a atividade em parceria  com a Farsul,  propiciou observar a evolução do setor agrícola “onde a eficiência econômico-financeira na condução de todas as etapas do processo de produção e distribuição no âmbito do agronegócio, busca garantir a competitividade do setor”. Madail comentou as várias etapas vividas pelo setor agrícola brasileiro, desde os primórdios caracterizados pelo extrativismo. No Brasil colônia, se desenvolveu a monocultura da cana-de-açúcar. O Brasil Império, marcado pela produção de café, proporcionou a primeira exportação brasileira. Ele citou também as etapas vividas pós 1950 “onde ocorreram os primeiros debates sobre o atraso do setor agrícola que, sequer atendia a demanda interna”.

Criação da Embrapa
O economista lembrou ainda que os períodos seguintes também foram marcadas pela estagnação do setor e pelo endividamento externo do país.  “Entretanto, foi no governo do general Garrastazu Médici (1969-1974) que ocorreu a grande mudança da política de pesquisa agropecuária no país, com a extinção do DNPEA – que coordenou a pesquisa no período de 1966 a 1973 e a criação da Embrapa”, acrescentou Madail.  Ao longo dos seus 40 anos, a Embrapa  promoveu uma verdadeira revolução na pesquisa com reflexos diretos na produção e nas exportações de grãos.

“Na etapa atual vivida pelo setor agrícola brasileiro, a produção deixou de ser vista como atividade pontual. “Num contexto de agronegócio que envolve as etapas que iniciam na produção de insumos se estende nas atividades dentro da porteira e se conclui na disponibilidade do produto ao consumidor”, completa Madail. Segundo ele, este processo exige não só o crescimento na geração de tecnologias que impactem positivamente na produtividade e na qualidade da produção, mas principalmente, na eficiência econômico-financeira “variáveis indispensáveis para elevar o Brasil ao tão falado celeiro de alimentos para o mundo”.

Parceria
Conforme Madail, os economistas do CORECON/RS em parceria com a FARSUL deram a sua parcela de contribuição na condução de investimentos, neste ano, na Expointer. “A iniciativa que poderá ser repetida, nas próximas edições, contou com a presença da AECONSUL, através da atuação de seus técnicos desde a  preparação dos economistas analistas até a execução prática das análises”, finaliza Madail.

Redes sociais
Com uma visão holística, a jornalista Simone Lopes afirmou que tudo está interligado. Em sua fala, ela comentou a importância que as redes sociais ganharam nos últimos anos com a facilidade de acesso ao mundo virtual. “Com a agilidade da Internet e em especial, das redes sociais – ao  darem instantaneidade às notícias – o  jornalismo interpretativo e opinativo devem ganhar mais espaço nos jornais”, aposta Simone. A jornalista revelou que, muitas vezes, busca nas redes informações para subsidiar seu trabalho. “Os jovens estão lá. Nas redes se descobre  quais são seus interesses”, constata. Simone disponibilizou um espaço na sua editoria do Correio do Povo ao CORECON/RS para falar sobre Plano de Carreira.

Cangurus
O presidente Leandro de Lemos comentou o recente fenômeno do  comportamento que tem ampliado o  ‘período’ de juventude. Nos últimos anos, pessoas com mais de 25 anos permanecem morando na casa dos pais. Muitas retardam o ingresso no mercado de trabalho. Esta mudança de hábito se reflete na economia, consequentemente na previdência social  e no consumo de bens.

Conforme matéria publicada na revista Veja “São os chamados jovens cangurus, uma analogia com os mamíferos da Austrália que andam de carona na bolsa abdominal da mãe. Segundo o instituto de pesquisas LatinPanel, de São Paulo, há hoje no Brasil 3,3 milhões de famílias das classes média e alta com filhos cangurus. Isso equivale a 7% das famílias do país. A maioria deles se encontra na faixa dos 25 a 30 anos, mas, entre os já quase quarentões, 15% ainda moram com os pais”.

 

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